Iraque tem 30.000 presos sem julgamento e sob tortura, diz ONG

Anistia Internacional aponta as forças americanas como responsáveis por essa situação

AFP |

Em torno de 30.000 pessoas estão presas sem terem sido julgadas nas prisões iraquianas, nas quais as confissões são obtidas sob tortura, denunciou nesta segunda-feira (horário local) a Anistia Internacional, que aponta as forças americanas como responsáveis por essa situação.

"As forças de segurança iraquianas são responsáveis pelas violações sistemáticas aos direitos dos presos (...) e por toda impunidade", afirmou em um comunicado Malcolm Smart, diretor para Oriente Médio da organização de defesa dos direitos humanos, sediada em Londres.

Nesse relatório de 56 páginas, intitulado "Nova Ordem, Mesmos Males: Prisões Ilegais e Tortura no Iraque", a Anistia detalha centenas de casos de prisões arbitrárias, ocorridas muitas vezes há diversos anos, de torturas e de desaparecimento de detidos.

A organização conta, entre outras, a história de Ryad Mohamed Saleh al-Uqabi, preso em setembro de 2009.

"Durante seu interrogatório, foi espancado com tal violência que teve as costelas quebradas e danos no fígado", indica o relatório.

"Morreu em 12 ou 13 de fevereiro devido a uma hemorragia interna. Seu corpo foi entregue a sua família algumas semanas depois. A certidão de óbito indica que morreu após parada cardíaca".

Os estupros, ameaças de estupro, os golpes dados com cabos ou com tubos, as descargas elétricas, as unhas dos pés arrancadas com pinças e as mutilações com furadeiras, são algumas das formas de tortura empregadas nas prisões iraquianas, segundo a Anistia Internacional.

Essas práticas ocorrem para obter confissões, que permanecem sendo a prova preferida da Justiça iraquiana, afirma a organização.

A Anistia Internacional também denuncia a responsabilidade das forças americanas que, com vistas em sua retirada total no fim de 2011, transferiram milhares de presos aos iraquianos "sem garantias sobre tortura e maus tratos".

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