Irã recusa-se a suspender enriquecimento de urânio

Durante encontro, em Istambul, país insistiu que seu programa nuclear não é negociável

AFP |

O Irã insistiu que o enriquecimento de urânio não é negociável, ao abordar nesta sexta-feira em Istambul seu polêmico programa nuclear com as grandes potências, com as quais manteve discussões "inconclusivas", segundo uma fonte diplomática.

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, participou - como intermediária do Grupo dos Seis (Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha) - de uma reunião privada com o chefe da negociação iraniana, Said Jalili, mas o resultado "não foi conclusivo", declarou um diplomata ocidental próximo à negociação.

O grupo dos Seis exige garantias sobre o programa nuclear do Irã, suspeito de tentar fabricar uma bomba atômica.

O encontro durou uma hora e meia e "falou-se muito, mas as posições continuam sendo as mesmas", explicou o diplomata.

O negociador iraniano declarou que seu país condiciona o início de um diálogo sobre a troca de combustível ao reconhecimento de seu direito de enriquecer urânio e ao levantamento das sanções internacionais que pesam sobre o país, segundo o diplomata.

"Honestamente, pode-se dizer que a reunião foi inconclusiva", acrescentou.

Depois deste encontro, ocorreu uma sessão plenária que terminou pouco antes das 24H00 local (20H00 de Brasília). Um diplomata turco e outro ocidental afirmaram à imprensa que o diálogo prosseguirá no sábado a partir das 09H00 (05H00 de Brasília).

Anteriormente, um importante diplomata iraniano havia garantido que não seria discutido em Istambul, sob nenhum aspecto, uma suspensão do enriquecimento.

"Não permitiremos absolutamente que as discussões abordem a questão de nossos direitos fundamentais, como a questão de uma suspensão do enriquecimento" de urânio, declarou à imprensa Abolfazl Zohrevand, adjunto do chefe dos negociadores do lado iraniano, Said Jalili.

O Irã continua "com vigor" suas "atividades de enriquecimento" de urânio, apesar das sanções internacionais, declarou no sábado passado Ali Akbar Salehi, chefe do programa nuclear iraniano.

Quanto à troca de combustível, as grandes potências buscam um acordo, que envolveria revisar a proposta de 2009, como "ponto de partida para criar confiança", segundo o mesmo diplomata ocidental.

O Irã rejeitou em 2009 um projeto do grupo de Viena (Estados Unidos, Rússia e França) de enviar para a Rússia 1.200 kg de urânio iraniano levemente enriquecido para obter em contrapartida da Rússia e da França combustível para o reator de pesquisas médicas de Teerã.

Em maio de 2010, o Irã apresentou junto da Turquia e do Brasil uma contra-proposta prevendo enviar à Istambul 1.200 kg de seu urânio para realizar a troca. As grandes potências ignoraram esta oferta.

O programa nuclear iraniano foi condenado por seis resoluções do Conselho de Segurança da ONU, dentre elas quatro combinando sanções econômicas e políticas. Vários países, incluindo os Estados Unidos, adotaram suas próprias sanções contra Teerã.As discussões anteriores entre as partes ocorreram no início de dezembro, em Genebra.bur-ms/cw/sd/ma

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