Inquérito aponta exploração de jovens em Arapiraca

Três religiosos, um deles ainda detido, são suspeitos de abusos contra adolescentes e podem ser condenados a dez anos de prisão

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Dez dias após ser preso sob suspeita de tentar fugir do País, o monsenhor Luiz Marques Barbosa, de 82 anos, e outros dois religiosos de Arapiraca , município do agreste alagoano, foram indiciados pela Polícia Civil sob suspeita de exploração sexual de adolescentes . Caso condenados, eles podem cumprir de quatro a dez anos de prisão.

Eles estão afastados de suas funções religiosas. O inquérito policial foi encerrado na última terça-feira. As investigações são analisadas também pelo Ministério Público no Estado , que, com base nas apurações, pode oferecer denúncia à Justiça contra os sacerdotes.

Em entrevista ao iG, a delegada Bárbara Arraes, que conduz o inquérito, disse ter levado em conta as provas testemunhais de que três jovens de Arapiraca, ex-coroinhas e hoje com mais de 20 anos, tinham envolvimento os religiosos desde a adolescência, conforme argumentam. O caso veio à tona após a divulgação de um vídeo, gravado com uma câmera digital, em que um jovem pratica sexo com o monsenhor Luiz Marques Barbosa. Outros dois jovens – um deles autor da gravação – afirmam que também eram obrigados a fazer sexo com os religiosos.

“As palavras das vítimas foram fundamentais”, disse a delegada.

As suspeitas levaram a CPI da Pedofilia no Senado a ouvir os envolvidos durante audiência realizada neste mês em Arapiraca. Na ocasião, Marques foi preso e o padre Edílson Duarte confessou os abusos. Ele fez acordo com a Justiça de delação premiada. Outro monsenhor da cidade, Raimundo Gomes , é suspeito de abusos, mas nega a acusação.

Ainda de acordo com a delegada, o vídeo produzido traz indícios de que a situação existia há muito tempo. “Havia um envolvimento anterior”, disse.

Os religiosos negam a prática de pedofilia e dizem que foram alvo de chantagem e extorsão por parte dos jovens, o que levou a Polícia Civil no Estado a instaurar outro inquérito para apurar também essas acusações.

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