EUA impedirão deportação de jovens imigrantes ilegais

Anunciada em ano eleitoral, medida dará status legal a imigrantes que não tenham ficha criminal, tenham menos de 30 anos, estudem ou sejam membros das Forças Armadas

iG São Paulo | - Atualizada às

O presidente dos EUA, Barack Obama, amenizou a aplicação de leis imigratórias nesta sexta-feira, oferecendo uma chance para milhares de jovens imigrantes ilegais ficar e trabalhar nos EUA. Imediatamente aplaudida pelos hispânicos, vistos como poderosa força política no país, a medida desatou um confronto em ano eleitoral com os congressistas republicanos.

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Presidente Barack Obama anuncia que os EUA vão parar de deportar e conceder permissões de trabalho a jovens imigrantes ilegais que chegaram aos EUA quando crianças

A mudança de política beneficiará até 800 mil imigrantes que vivem sob o medo da deportação. Ela passa por cima do Congresso e alcança parcialmente os objetivos do " Dream Act ", um projeto de lei que estabeleceria um caminho em direção à cidadania para jovens que chegaram aos EUA ilegalmente, mas que frequentam a universidade ou se alistaram no Exército.

Leia também:  Número de eleitores hispânicos não reflete sua força política nos EUA

A medida libera da deportação imigrantes com menos de 30 anos que tenham entrado nos EUA antes dos 16 anos, vivam no país há pelo menos cinco anos, não tenham histórico criminal, tenham se formado no ensino médio nos EUA ou se alistado no Exército. Filhos de imigrantes ilegais terão que esperar até os 16 anos para entrar com o pedido de anistia, mas autoridades disseram que crianças não serão deportadas.

Saiba mais: Veja o especial do iG sobre a imigração nos EUA

"Sejamos claros, isso não é uma anistia, não é uma imunidade, não é um caminho para a cidadania, não é uma solução definitiva", Obama disse na Casa Branca. "Essa é a coisa certa a fazer." O presidente dos EUA disse que a medida entrará em vigor imediatamente para "dissipar a sombra da deportação para esses jovens".

A medida, a ser implementada pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA, é feita uma semana antes de Obama fazer um discurso em uma conferência da Associação Nacional de Autoridades Latinas Eleitas e Nomeadas, em Orlando, na Flórida. Seu rival nas eleições, o republicano Mitt Romney, participará do mesmo evento um dia antes.

"Muitos desses jovens já contribuíram para nosso país de forma significativa", disse a secretária de Segurança Interna dos EUA, Janet Napolitano, em um memorando descrevendo a ação do governo. 

De acordo com as autoridades ouvidas pela AP, a medida não dará cidadania aos jovens imigrantes, mas eliminará a ameaça de deportação e permitirá o trabalho legal no país, dando-lhes a oportunidade de ficar nos EUA por longos períodos.

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Público assiste a discurso do presidente dos EUA, Barack Obama, sobre imigração em El Paso, no Texas (10/05/2011)

O voto hispânico pode ser crucial em Estados como Colorado, Nevada e Flórida. Embora Obama tenha o apoio da maior parte do eleitorado latino (61% contra 27% de Romney, segundo pesquisa do mês passado), o entusiasmo em relação ao presidente caiu desde a última eleição por causa da lenta recuperação econômica, sua incapacidade de conseguir apoio do Congresso para uma ampla reforma migratória e sua dura política de deportações – que atingiram níveis recordes nos últimos anos.

A medida promete provocar críticas de republicanos que querem reforçar a segurança na fronteira antes de mudar a lei imigratória. Romney se opõe a legalizar imigrantes ilegais que sejam estudantes, mas é favor de beneficiar os que busquem carreira militar.

Com AP

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