Pela 1ª vez, minorias compõem maioria de recém-nascidos nos EUA

Tendência de mais nascimentos das minorias se desenvolveu ao longo de muitos anos, resultado da imigração das últimas três décadas

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Brancos não-hispânicos representaram 49,6% de todos os nascimentos nos EUA no período de 12 meses que terminou em julho
Depois de anos de especulações, estimativas e projeções, o Censo 2010 tornou oficial: o nascimento de brancos já não é maioria nos Estados Unidos.

Brancos não-hispânicos representaram 49,6% de todos os nascimentos no período de 12 meses que terminou em julho, de acordo com dados divulgados pelo Censo na quinta-feira 10 de maio, enquanto as minorias – que incluem hispânicos, negros, asiáticos e mestiços – chegaram a 50,4%, representando a maioria pela primeira vez na história do país.

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Tal mudança já era prevista, mas ninguém tinha certeza de quando aconteceria – simbolizando um marco para uma nação cujo governo foi fundado por brancos europeus e tem lutado desde sempre com questões de raça.

Embora em geral os brancos continuarão a ser maioria durante algum tempo, o fato de que uma nova geração está nascendo em um ambiente em que as minorias serão a maioria tem amplas implicações para a economia do país, para sua vida política e sua identidade.

"Este é um momento muito importante em nossa história", disse William Frey, demógrafo sênior da Instituição Brookings, descrevendo a mudança como uma "transformação de uma cultura de maioria branca baby boomer para a do país multiétnico mais globalizado em que estamos nos tornando".

A tendência de mais nascimentos das minorias vem se desenvolvendo ao longo de muitos anos, resultado da grande onda de imigração ao país nas últimas três décadas. Os hispânicos representam a maioria dos imigrantes e eles tendem a ser mais jovens - e a ter mais filhos - do que os brancos não-hispânicos. (Do total de nascimentos no ano que terminou em julho, cerca de 26% eram latino-americanos, cerca de 15% de afro-americanos e cerca de 4% de asiáticos)

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Os brancos ainda representam a maior cota de todos os nascimentos, com 49,6%, e fazem parte da maioria da população como um todo, com 63,4%. Mas eles estão envelhecendo, causando um deslocamento tectônico na demografia dos Estados Unidos.

O resultado é impressionante: as minorias foram responsáveis por 92% do crescimento da população da nação na década que terminou em 2010, calculou Frey, uma onda que criou uma América muito diferente para o futuro.

A mudança está se manifestando nos Estados por meio de grandes diferenças na composição étnica e racial entre os idosos e os jovens. Algumas das maiores lacunas estão no Arizona, Nevada, Texas e Califórnia, todos Estados que tiveram discussões sobre livros escolares didáticos, imigração e prioridades nos gastos.

*Por Sabrina Tavernise

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