Joe Arpaio, do Arizona, é acusado de discriminar latinos ao rastreá-los em batidas policiais e punir presos que falem espanhol

Autoridades federais processaram nesta quinta-feira Joe Arpaio, o autoproclamado xerife mais durão da América , medida rara depois que meses de negociações fracassaram em alcançar um acordo sobre alegações de que seu setor rastreava pessoas de perfil latino em patrulhas de imigração.

Entrevista ao iG: Xerife do Arizona ama publicidade e é alvo de processos nos EUA

O Departamento de Justiça dos EUA disse que essa é a segunda vez nos 18 anos de história da agência que ela entrou com um processo. A ação legal aumenta o impasse com Arpaio e põe a disputa no caminho para ser decidida por um juiz federal.

O departamento aumentou primeiramente suas alegações contra Arpaio em dezembro, dizendo que uma cultura de descaso pelos direitos constitucionais básicos prevalecia no escritório de xerife, que cobre a área metropolitana de Phoenix, Arizona. As autoridades federais seguraram a apresentação do processo enquanto tentavam um acordo, mas as negociações fracassaram no mês passado.

Na época, Arpaio rejeitou concordar com um monitor judicial que ajudaria a fazer valer o acordo. O xerife disse que isso significaria que cada decisão política teria de passar por um observador e anularia sua autoridade.

Além do rastreamento de pessoas de perfil latino, o escritório de Arpaio também é acusado de punir presos hispânicos por falar espanhol e de fazer algumas patrulhas com base em reclamações sobre reuniões de pessoas de pele mais escura falando castelhano em determinadas áreas.

O Departamento de Justiça tentava um acordo que requeresse do escritório do xerife o treinamento de oficiais para fazer batidas de trânsito constitucionais, coletar dados de pessoas presas durante as batidas e assegurar os latinos de que o departamento também existe para protegê-los.

Tent City: Prisão ao ar livre obriga detentos a usar cuecas rosas no Arizona

Arpaio é uma figura política nacional nos EUA que construiu sua reputação ao encarcerar presos em tendas e vesti-los com roupas de baixo rosas e ao vender-se para os eleitores como alguém incansável no combate ao crime. Durante sua trajetória, ele agressivamente pressionou por um papel maior para a polícia local combater a imigração ilegal, lançando desde janeiro de 2008 20 patrulhas à procura de imigrantes ilegais.

*Com AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.