14/06 - 10:37 - Ana Freitas, repórter do Último Segundo
Tem gente que odeia e faz cara feia para ela, mas não dá para negar que a comida japonesa está na moda no Brasil. Em praças de alimentação, restaurantes a kilo e até em churrascarias, não é difícil encontrar, entre as opções, sushi e sashimis. E, se você é daqueles que encara sushis três vezes por semana, saiba que come mais os bolinhos de arroz que a maioria dos japoneses.
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Em um dia normal, o teishoku é o prato mais comum do almoço japonês. Ele é composto por pequenas porções de legumes em conserva, arroz, algum caldo, como o missoshiro, e alguma proteína, como peixe ou frango. Nos restaurantes daqui suas variadas versões também costumam estar no cardápio - basta desviar o olhar da página dos famosos “combinados” para encontrá-los.
Segundo a consultora de gastronomia do Senac de São Paulo, Roseli Kawamura, o viajante desavisado que chega ao Japão e logo procura um restaurante para comer sushi vai, com certeza, gastar uma pequena fortuna. “Além de a comida ser realmente cara por lá, tudo o que é manual e feito de maneira artesanal é ainda mais caro. E o sushi não foge a esta regra”, explica.
E engana-se quem acha que procurar um rodízio vai baratear o jantar. Comuns no Brasil, este tipo de restaurantes, onde se paga um preço único para uma seqüência de peças, não existe no Japão. A solução para quem estiver com o orçamento de viagem mais apertado é mesmo aderir ao típico jantar japonês, ou seja, comer um lámen. Ele nada mais é do que uma espécie de sopa com macarrão com legumes e algum tipo de carne.
Além da diferença de preços, o jantar japonês é envolto por uma etiqueta própria, com alguns simbolismos e práticas que muitos freqüentadores assíduos de restaurantes orientais desconhecem. Veja o vídeo abaixo para conhecer os pequenos gestos que fazem a diferença à mesa japonesa.
Gostinho brasileiro
Para quem gosta de shushis, então, podemos dizer que o Brasil é um paraíso, já que estão por toda parte e com preços mais acessíveis. Porém, vale lembrar que a comida japonesa servida por terras tropicais foi adaptada ao paladar do brasileiro, à oferta nacional de ingredientes e ao clima do País.
Logo que os primeiros imigrantes chegaram ao Brasil, eles tiveram que adaptar seus pratos com o que tinham disponível por aqui. “O arroz, por exemplo, não dava a ‘liga’ que eles precisavam para fazer os pratos japoneses. Também não tinha o feijão azuki, que é usado para fazer doces como o yaki manju, e foi substituído por batata doce”, conta o sociólogo Sérgio Hayashi, que estudou a tradição da culinária nipônica no Brasil.
Segundo o historiador Tomoo Handa em “O imigrante japonês”, a farinha de mandioca também foi agregada à culinária, servindo para fazer dangos (docinhos que originalmente são feitos de arroz). Já o fubá substituiu o farelo de arroz para a preparação dos tsukemono (conservas de frutas e legumes).
Hoje, os ingredientes originais são encontrados em mercados especializados em culinária japonesa e alguns deles até em feiras. Ainda assim, algumas “releituras” da comida japonesa continuam sendo feitas. “Peixes típicos de rios brasileiros, como o pintado e o dourado, fazem parte do cardápio dos pratos japoneses adaptados aqui no Brasil”, comenta Roseli.
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Mainonese e cream cheese
Mas a alteração do tipo de peixe não interfere tanto quanto a inclusão de ingredientes impensados em uma culinária tão tradicional. “Tem restaurantes que incorporaram maionese e cream cheese aos pratos, o que é considerado um desrespeito por alguns sushimen mais tradicionais”, diz Hayashi.
Já a manga dentro do sushi não foi invenção nossa. Foi uma criação dos americanos e, não é por acaso, que o bolinho com ela é chamado de califórnia. Deu tão certo que até o Japão adotou a novidade.
Proprietária de uma rede de restaurante japonês com mais de 30 lojas pelo país, Roseli explica que o mercado exige que a culinária se adapte ao paladar do país. “O yakissoba japonês, por exemplo, é mais seco e mais salgado do que o chinês, que fez mais sucesso entre os brasileiros. Por isso, até restaurantes japoneses acabam adotando a receita chinesa do prato”.
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