14/06 - 10:49 - Roberto Maxwell, do Japão, especial para o iG
Há um grupo de brasileiros, criados no Japão, que começa a entrar nas universidades locais e a colocar à prova a capacidade do mercado de trabalho japonês de superar o já conhecido preconceito contra filhos de estrangeiros.
| Roberto Maxwell |
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Lissa conta que não se lembra de ter ouvido dos pais que a estadia no Japão era provisória. "Mas, eu tinha a idéia de que, um dia, nós iríamos voltar, os três, juntos", recorda ela. "Aliás, eu rezava para isso", prossegue, contando que têm muitas recordações e amigos no país onde nasceu.
Lissa entrou na escola japonesa e não enfrentou muitos problemas de adaptação. "Para mim, que já falava japonês em casa com meus pais e avós, não houve tanto problema para ter comunicação entre os amigos", explica ela, engasgando no português.
Com um bom rendimento na educação básica, Lissa entrou no curso de relações internacionais de uma universidade privada com a esperança de um dia voltar para o Brasil. "Eu queria conhecer o País melhor. Muitos amigos me perguntavam sobre o Brasil", explica.
A entrada na universidade gerou uma reviravolta no modo como Lissa enxergava a si mesma dentro da sociedade japonesa. "Quando eu estudava no ensino fundamental, eu usava o nome Miyagazako Lissa, como uma japonesa", conta a moça. "Mas, na universidade, eu tive que usar o mesmo nome que estava no registro de estrangeiro. Então, de repente, eu virei Miyagazako Nancy Lissa, com katakana", relembra a jovem.
Katakana é o silabário japonês usado para a transcrição de palavras estrangeiras, incluindo nomes de pessoas. Com seu nome escrito em katakana, de uma hora para outra Lissa virou "estrangeira" e passou a ser alvo da curiosidade dos colegas de turma.
Desde então, a moça começou a procurar outros estrangeiros que, como ela, cresceram no Japão. "Conversando com eles, pude compartilhar experiências. Todos cresceram, na escola, tentando ser japoneses. Mas, depois, aos 20 anos, todo mundo sentia uma coisa apertada no peito. E, de repente, começaram a expressar que são estrangeiros aqui no Japão", conta Lissa, que reuniu as experiências dela e dos seus amigos no documentário Roots Of Many Colors (Raízes de Várias Cores) o qual acaba de ser finalizado.
No filme, a agora diretora de vídeos quer mostrar aos japoneses um pouco da realidade dos filhos de estrangeiros no Japão.
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