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Rebeldes à mesa, eles não comem sushi

14/06 - 10:39 - Ana Freitas, repórter do Último Segundo

Se imigrantes japoneses e seus descendentes adotaram a comida brasileira em seu dia-a-dia, em festas e comemorações é a culinária nipônica que normalmente domina suas mesas.

  • Tem tempero brasileiro na comida japonesa
  • Glossário da comida japonesa; entenda o cardápio nipônico
  • Vídeo: saiba como eviar gafes em um restaurante japonês

     

    Por este motivo, almoços e jantares em família são sinônimos de terror para Gabriel Morita, de 16 anos, que tem pavor dos pratos milenares do país de seus avós. Assim como ele, outros nikkeis costumam se rebelar à mesa e trocam (facilmente) um combinado de sushis e sashimis por um cachorro-quente.

    Na casa de Gabriel, sua mãe, Ana Morita, ainda insiste para que o filho de uma chance à comida japonesa. “Ele comia quando era criança, mas depois que ficou mais velho começou a inventar que tudo tem gosto de peixe ou legume demais. Mas eu acho que é só rebeldia da idade mesmo”, lamenta

    Enquanto não volta a gostar do missoshiro de sua avó, Gabriel se vira com o macarrão lámen, mas preparado como o popular miojo, com tempero em pozinho, e não com caldo a base de shoyu como no Japão. “Eu não me lembro de gostar de comida japonesa como minha mãe diz. Acho que tudo tem uma textura meio estranha e gosto de água do mar”, brinca.

    Arquivo pessoal
    Daniele e sua boa macarronada
    Danielle e sua boa macarronada com queijo
    Mais sorte que Gabriel tem a também sanssei Danielle Egashira, de 28 anos. Em sua família, qualquer festa que una as diversas gerações tem comida para todos os gostos. “Sempre tem uma parte da mesa para a ‘ala brasileira’ que foi agregada”. Para não dizer que não come nada, ela até encara um sashimi, “mas só com muito molho shoyu, cebola picadinha e limão”.

    É sempre a tia Nena de Danielle a responsável pelo cardápio japonês da família. As receitas foram aprendidas com a mãe japonesa e vão desde sushi e sashimis a nishime e harussame. Muitos sobrinhos, inclusive os irmãos de Danielle, aprovam os pratos preparados pela tia, já a rebelde da família prefere uma feijoada ou pratos mexicanos e italianos.

    Saiba mais sobre a imigração japonesa:





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