14/06 - 10:48 - Ana Freitas, repórter do Último Segundo
Na porta da Farmácia Galvão Bueno, na Liberdade, uma senhora quase centenária anda com saúde entre os balcões. Quando filhos e netos se distraem, ela “foge” pelas ruas do bairro em meio à multidão.
| Ana Freitas/Último Segundo |
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“Meus pais vieram solteiros para o Brasil, em 1939, e se conheceram apenas aqui quando tiveram um casamento arranjado, como era comum na época. Quando eu nasci, eles tinham uma pensão aqui na Liberdade, perto de onde é hoje o Fórum. Morava todo mundo junto, meus pais, meus avós e tios e lembro que a gente almoçava numa mesa grande com os hóspedes.
Com a segunda guerra mundial, todos os imigrantes que eram de países adversários tiveram que deixar o centro. A gente teve 24h para sair da pensão e só deu tempo para levar algumas coisas. O resto a gente queimou no jardim e fomos para uma casinha na Vila Mariana.
Lembro que nesta época a gente tinha que pegar senha para comprar coisas na padaria, então meus pais me levavam junto, porque tinha uma quantidade de pão por pessoa. Eu era pequena, tinha sete anos, mas às 5h da manhã estava lá, de pijama na fila.
Pouco antes do fim da guerra, voltamos para a Liberdade, já para a rua Galvão Bueno. Vimos inaugurar o Cine Niterói e, na mesma época, minha mãe fez um bar na frente de nossa casa. Depois ele virou um restaurante, o Asahi. Nunca mais fomos embora da Liberdade.
Fiz Farmácia na USP e conheci meu marido depois de formada. Ele era um cliente da farmácia onde eu trabalhava. A gente casou em 63 e no mesmo ano eu montei a minha própria farmácia. Vi o bairro mudar muito nestes anos. Chineses e coreanos chegaram e ganharam o comércio. Agora tem menos japoneses mesmo, muitos foram embora. Por isso dizem que somos a família mais antiga aqui.”
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