14/06 - 10:47 - Ana Freitas, repórter do Último Segundo
A cultura pop japonesa, apelidada de "Japop", ganhou o mundo e ajudou o Japão a recuperar a auto-estima nos anos do pós-guerra mundial. Derrotado, o país precisava se reconstruir e o entretenimento serviu como uma espécie de escape para os anos de pressão a que o Japão esteve submetido durante a guerra.
Segundo a especialista no assunto, a autora do livro “Japop – o poder da cultura pop japonesa”, Cristiane Sato, “cansadas do estresse e do sofrimento imposto pelos longos anos de conflito, as pessoas queriam apenas se divertir e alimentar suas esperanças para o dia seguinte. Em tal ambiente, a ansiedade e pressão por formas populares de entretenimento criaram um gigantesco e ávido mercado, principalmente para o cinema na década de 50 no Japão”, conta Cristiane em seu livro.
Mais tarde, com o fim da guerra fria, os Estados Unidos se consolidaram como os maiores exportadores de cultura do mundo. Nesta época, porém, quem buscava uma alternativa à onipresença americana encontrava na cultura japonesa uma alternativa. “Consumir Japop era uma maneira de driblar a influência dos EUA. E ela atraía justamente por ser menos imposta que a cultura americana”, comenta.
De acordo com a escritora, o Japão nunca teve, no entanto, interesse em exportar os “produtos” de sua cultura popular, por considerá-los de importância inferior. Esta posição foi apenas revertida na década de 90, quando a crise asiática levou a uma estagnação do mercado interno japonês e obrigou o país reavaliar a possibilidade de exportar seus bens culturais.
Desde então, “a ponta de lança da área tem sido as histórias em quadrinhos, os desenhos animados e os videogames. E foi assim que o pop japonês passou a definitivamente a fazer parte do cotidiano ocidental”, diz Cristiane.
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