14/06 - 10:47 - Ana Freitas, repórter do Último Segundo
Os primeiros 781 imigrantes japoneses que desembarcaram no porto de Santos, em junho de 1908, vinham ao Brasil para acumular recursos que os garantissem uma vida melhor em sua terra natal. Pouco se sabia sobre o que encontrariam por aqui, muito menos sobre como seriam recebidos do lado de cá do mundo. A única certeza que a maioria dos passageiros do Kasato Maru tinha era a da volta ao Japão em poucos anos.
As decepções foram muitas, os objetivos de poucos se concretizaram em terras tupiniquins e o reencontro com os familiares que ficaram no canto do planeta se tornou apenas um sonho.
Mas muita coisa aconteceu de 100 anos para cá na vida das centenas de famílias de imigrantes japoneses que atravessaram oceanos para se aventurarem no Brasil. Muitas prosperaram, outras apenas “sobreviveram”, mas criaram raízes no País através de filhos, netos e bisnetos nascidos por aqui.
Conheça abaixo a história de nikkeis que já fizeram o caminho de volta ao Japão até mais de uma vez, mas apenas para visitas familiares. “Eu gosto daqui” é a resposta simples que todos dão para justificar a vida no Brasil mesmo após tantas dificuldades.
Tetsuo Yoshisaki
| Ana Freitas/Último Segundo |
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Mesmo morando há 51 dos seus 75 anos no Brasil, Tetsuo Yoshisaki quase não fala português. Mas com frases curtas e algumas palavras em japonês, ele conta orgulhoso sobre sua vida no Brasil e ainda oferece tsurus (passarinhos de origamis) para os visitantes mais atenciosos.
“Vim para o Brasil de navio, em 1957. Tinha 24 anos e nunca tinha visto nada do País antes. Só conhecia o que eu ouvia falar e achava que ia gostar daqui. Fui trabalhar em uma granja de galinhas no norte do Paraná e não sabia falar nada de português. Até para comprar cigarro tinha que ficar só apontando.
Pouco tempo depois, casei com uma nissei (filha de japoneses), que não falava nada de japonês. Era bom porque a gente não se entendia e não brigava. Hoje ela fala até mais do que eu e discute muito bem comigo nas duas línguas. Mas eu ainda só entendo a briga se for em japonês.
Depois de cinco anos na granja, resolvemos vir morar em São Paulo. Logo encontrei um emprego como marceneiro perto da Liberdade. O patrão me deu a chance de fazer um teste de um mês fazendo camas e armários. No final, ele ia me pagar um salário e, se gostasse, me contratava. Mas ele gostou tanto que me pagou quatro salários e trabalhei lá quase trinta anos.
Para mim, tudo sempre deu certo no Brasil, foi tudo tão bom quanto eu esperava. Tive um casal de filhos, hoje tenho um casal de netos e já voltei ao Japão quatro vezes. Só que é daqui mesmo que eu gosto, acho que sou mais feliz aqui do que teria sido lá.”
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