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Imigrante japonês ganha o mundo a partir do Brasil

14/06 - 10:40 - Ana Freitas, repórter do Último Segundo

Quando, em 1938, o japonês Shunji Nishimura colocou na porta de sua casa em Pompéia, interior de São Paulo, a placa “conserta-se tudo” ele não apenas deu um jeito em sua vida, como revolucionou a história da pequena cidade, a quase 500 km da capital paulista.

 

Arquivo pessoal
Nishimura, criatividade para vencer
Nishimura, criatividade para vencer no Brasil
Em 70 anos, ele transformou sua pequena oficina em uma grande empresa de equipamentos agrícolas, que exporta para 105 países e emprega cerca de 25% dos 18 mil habitantes da cidade. Com 98 anos, Nishimura pode dizer que conseguiu realizar seus sonhos no Brasil, mas nada ocorreu ao acaso.

Como os primeiros imigrantes japoneses que desembarcaram no porto de Santos em 1908, ele chegou ao Brasil em 1932 para trabalhar na lavoura de café com apenas US$ 100 no bolso. Tinha acabado de terminar um curso técnico em mecânica quando decidiu tentar uma vida mais próspera em São Paulo. No Japão, uma crise econômica atrapalhava a perspectiva de futuro próspero para um jovem de apenas 21 anos como ele.

A vida no campo brasileiro não era rentável, como Nishimura previa, e lhe rendia mais dores no corpo que dinheiro no bolso. No entanto, ele não tinha medo de se arriscar - sua maior aventura já tinha sido feita ao deixar a vida no Japão e vir para o Brasil. Foi assim que mudou para o Rio de Janeiro, onde foi garçom, e voltou para São Paulo pouco depois para trabalhar em uma fábrica.

Arquivo pessoal
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Nishimura trabalha na lavoura de café; trabalho não foi muito rentável

Na cidade, ele casou e teve sua primeira filha, mas o dinheiro ainda não chegava para o sustento da família. Foi assim que Nishimura decidiu pegar um trem na Estação da Luz e descer apenas em sua última estação, aquela mais afastada da capital, mas para onde o progresso um dia chegaria acompanhando os trilhos.

Seis anos depois de desembarcar do navio Buenos Aires Maru, o jovem imigrante desceu do trem em Pompéia e, lá, finalmente ganhou sua vida.

Canecas de lata

Nos primeiros dois anos, ele fazia canecas a partir de latas de óleo e consertava instrumentos usados nas lavouras da região. Logo depois percebeu que facilitaria muito a vida dos agricultores locais colocando alças nas polvilhadeiras usadas para espalhar inseticidas contra pragas que poderiam, assim, serem levadas nas costas e não nas mãos.

A invenção foi patenteada, popularizou-se rapidamente e deu origem à primeira linha de produtos da Jacto, empresa que Nishimura fundou em 48.

De lá para cá, sucessivas invenções e adaptações de produtos para melhor atender a demanda agrícola fizeram da companhia uma referência internacional, com fábricas fora do Brasil e com exportações para 105 países.

Arquivo pessoal
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Com criatividade, Nishimura revolucionou a sua vida e da pequena Pompéia

Para retribuir a boa acolhida que ele teve no Brasil, mesmo com o começo de vida difícil por aqui, Nishimura criou uma fundação que leva o seu nome e é responsável por duas escolas técnicas de ensino fundamental e médio. Nelas os alunos aprendem mecânica agrícola e os princípios que fizeram de Nishimura um homem realizado: “trabalho, honestidade e solidariedade”.

Com quase 100 anos, Shunji Nishimura ainda vai quase todos os dias à fundação conversar os alunos e professores. “Ele veio de uma família que fazia carvão e chá no Japão e chegou aqui com muito pouco. Mas não teve medo de criar, de errar e de tentar, é um homem de trabalho e sabe que o país só vai para a frente quando se trabalha com seriedade”, comenta o diretor da fundação, Alberto Issamu Honda.

Eles fizeram história no Brasil:





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