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Com crise global, brasileiro no Japão vive época de incertezas

14/06 - 10:49 - Roberto Maxwell, do Japão, especial para o iG

As mudanças na economia global também afetam as vidas dos migrantes brasileiros no Japão. A crise nos Estados Unidos e o fortalecimento do iene têm colocado a economia japonesa numa posição desfavorável no cenário internacional.

Os efeitos já podem ser sentidos. Empresas japonesas começam a apertar os cintos e estão em busca de mão-de-obra mais barata que a brasileira.

Recentemente, o governo amansou as regras para admitir no país estagiários estrangeiros que possam trabalhar nas fábricas locais por períodos determinados. Detratores do sistema acusam o governo japonês de usar estudantes em treinamento como mão-de-obra barata. Entre os brasileiros, o clima é de preocupação.

A mídia voltada para as comunidades brasileiras locais abordam o que seria a "invasão da mão-de-obra asiática" em matérias de capa, causando aflição. Além disso, o governo japonês pressiona os imigrantes, apresentando propostas de novas leis que irão exigir conhecimento do idioma japonês na renovação e obtenção de novos vistos.

Todas essas mudanças têm sido um choque para os descendentes de japoneses que, até o momento, eram considerados os migrantes mais beneficiados dentro da restrita legislação japonesa.

Segundo a ONU, para manter o nível produtivo atual, o Japão necessita de 600 mil trabalhadores estrangeiros por ano, pelo menos. Portanto, as vagas para o trabalhador brasileiro estariam, em tese, garantidas.

Porém, o ambiente para esses migrantes anda refratário e hostil. Em algumas regiões, brasileiros e outros estrangeiros vêm sendo hostilizados pela população nativa. Uma das razões disso é a forma como os crimes cometidos por estrangeiros vêm sendo abordados pela mídia.

"Recentemente, o governo japonês alterou as exigências para a concessão de vistos para os descendentes de japoneses baseado na repercussão dos crimes", explica a pesquisadora Pauline Cherrier, doutoranda da Universidade de Lyon 2 e especialista na forma como a mídia retrata os brasileiros no Japão.

Ela acredita que o ano do centenário traga alguns benefícios para a imagem dos brasileiros no país. "Recentemente, temos visto mais notícias sobre a cultura e a história dos nikkeis", conta ela. Porém, as novas exigências já dificultam a vida do brasileiro nikkei que quer vir para o Japão. Elas incluem a apresentação de certificados de antecedentes criminais para os sanseis (descendentes de terceira geração).

"Uma funcionária do governo declarou que o mesmo documento não será pedido aos nisseis [segunda geração de descendentes de japoneses] porque estes seriam filhos de japoneses e, portanto, teriam tido uma criação mais próxima da cultura japonesa", explica Pauline, deixando uma pista de como o governo japonês pensa as políticas de imigração. 

Todas estas mudanças indicam que uma época de incerteza está no horizonte dos brasileiros que vivem no Japão.

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