Após implantar radares que medem a velocidade média dos carros, pesquisa revelou que, se multa valesse, 39,7 % a mais dos condutores seriam multados

Se a nova medição gerasse multas, os motoristas paulistanos seriam autuados por conta do radar 39,7% a mais, por ano
Paulo Lopes/Futura Press - 10.9.15
Se a nova medição gerasse multas, os motoristas paulistanos seriam autuados por conta do radar 39,7% a mais, por ano

O motorista de São Paulo reduz 25% a velocidade do veículo quando avista um radar e apenas 10 metros depois de passar pelo equipamento já está de volta à sua velocidade anterior. Isso é o que revela um estudo realizado pela Cobli - startup paulistana de gestão de frotas, telemetria e roteirização.

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Além de comprovar o hábito que alguns condutores têm de tirar o pé do acelerador apenas quando estão perto do radar, o levantamento também quantificou os riscos envolvidos na atitude.

Segundo a pesquisa, freadas bruscas têm um aumento de 14% quando o motorista está a cerca de 10 metros do equipamento. "Além dos riscos de acidentes, esse tipo de comportamento promove um desgaste excessivo dos componentes de freio como as pastilhas e discos para carros leves e tambores e lonas para veículos pesado. A atitude também aumenta gastos relacionados com combustível e pneus", explica diretor de operações da Cobli, Rodrigo Mourad.

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Os números foram obtidos por meio de um levantamento de mais de dois milhões de dados de velocidade de 91 radares de 50 km/h das avenidas 23 de Maio e Marginal Tietê, em São Paulo.

Nova fiscalização

Os dados da pesquisa foram levantados após a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) divulgar que iria começar a fiscalizar o motorista pela velocidade média que ele leva de um ponto a outro nas avenidas 23 de Maio, Bandeirantes e Marginal Tietê.

A medida está valendo desde o último dia 1º. “O cálculo da velocidade média é feito por radares existentes nas vias. Assim que o motorista passar pelo primeiro aparelho, o horário e a velocidade são registrados pelo equipamento. Se o condutor alcançar o segundo radar mais rápido do que o tempo necessário para percorrer o trecho, dentro da velocidade máxima permitida, o motorista será advertido via correspondência”, explicou o secretário municipal de Mobilidade e Transportes Sérgio Avelleda.

No entanto, como a legislação federal não permite a aplicação de multas com esse tipo de fiscalização, os motoristas que forem flagrados apenas receberão uma carta notificando o excesso de velocidade. Ainda de acordo com a Cobli, se a nova medição gerasse multas, os motoristas paulistanos seriam autuados por conta do radar 39,7% a mais, por ano.

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