Opas e OMS pedem que prefeitos mantenham velocidades reduzidas

De acordo com consultor de segurança no trânsito, quanto maior velocidade de um veículo, menor será o tempo que um condutor terá para evitar choque
Foto: Oswaldo Corneti/ Fotos Públicas
Nas vias locais das marginais da cidade de São Paulo, as velocidades passaram de 70 km/h para 50 km/h ano passado

A Organização Pan-Americana da Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), pediu nesta sexta-feira (9) que os prefeitos eleitos e reeleitos no Brasil considerem manter os limites máximos de velocidade em vias urbanas iguais ou inferiores a 50 km/h.

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De acordo com o consultor de Segurança no Trânsito da Representação da OPAS/OMS no Brasil, Victor Pavarino, “Quanto maior a velocidade de um veículo, menor será o tempo que um condutor terá para parar e evitar um choque”. Além disso, o campo de visão do motorista também se reduz à medida que a velocidade aumenta, e o impacto de um veículo contra outros usuários da via ou contra um objeto aumenta de acordo com a velocidade.

A organização alerta que as estimativas apontam que mais de um milhão de pessoas no mundo perdem a vida, a cada ano, no trânsito. A quantidade de feridos é ainda mais alta, podendo chegar a até 50 milhões. Calcula-se também que os custos econômicos, com particular sobrecarga para o setor de saúde, podem chegar a 5% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Nós parabenizamos as iniciativas dos municípios brasileiros que se empenharam na gestão rigorosa da velocidade, e conclamamos as prefeitas e os prefeitos eleitos ou reeleitos que tomem em conta os ganhos verificados nas experiências de redução dos limites nas áreas urbanas. Em memória dos que perderam suas vidas no trânsito, e em respeito às que poderão ser salvas, que sigamos os exemplos de Londres, Nova Iorque, Paris, São Paulo, Sidney e Tóquio. Essas cidades reduziram os limites de velocidade nos últimos anos e obtiveram bons resultados”, afirmou Pavarino.

São Paulo

Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) apontam que, em São Paulo, o número de mortes nas vias marginais Tietê e Pinheiros caiu 32,8% em um ano , passando de 73 óbitos em 2014 para 49 em 2015.

De acordo com o órgão, a diminuição mais significativa ocorre desde julho do ano passado, quando a prefeitura implantou a redução da velocidade máxima nas marginais. Nas vias expressas, a velocidade passou de 90 km/h para 70 km/h e nas locais, de 70 km/h para 50 km/h.

 “Retroceder nesse avanço significa um retrocesso não apenas nos resultados estatísticos, mas no marco simbólico que representou a decisão em favor da vida, particularmente a dos mais vulneráveis”, diz ainda o consultor por meio de nota.

Após prometer ao longo da campanha eleitoral que iria rever os limites de velocidade em diversas vias da capital paulista, o prefeito eleito da capital, João Doria (PSDB), anunciou que irá manter os 50 km/h nas pistas locais das marginais . De acordo com reportagem publicada pelo jornal “Folha de S.Paulo”, a decisão foi tomada após pressões de grupos ligados à segurança no trânsito.

Nas pistas expressas, entretanto, o prefeito eleito deverá seguir o prometido na campanha, elevando o padrão dos atuais 70 km/h para 90 km/h. Na pista central da Marginal Tietê, o limite de velocidade deverá passar de 60 km/h para 70/h.

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