Zika: Estudo desvenda estrutura de proteína-chave do vírus

Estudo da Universidade de Michigan revelou a estrutura molecular da proteína NS1, envolvida na reprodução do zika vírus
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Estudo da Universidade de Michigan desvendou estrutura de proteína-chave do zika vírus

Pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, revelaram a estrutura molecular de uma proteína produzida pelo zika vírus. Segundo indicações do estudo publicado nesta segunda-feira (25) na revista científica "Nature Structural and Molecular Biology", essa proteína está envolvida na reprodução do vírus e sua interação com o sistema imunológico do hospedeiro. 

Os resultados fornecem novas informações sobre o papel da proteína NS1 (proteína não-estrutural 1) nas infecções do zika vírus aos cientistas espalhados pelo mundo. Além disso, expande a compreensão dos cientistas sobre a família flavivírus, que inclui doenças como a dengue, vírus do Oeste do Nilo e febre amarela. 

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"Ter a estrutura de todo o comprimento da proteína NS1 fornece novas informações que podem ajudar a guiar o projeto de uma potencial vacina ou drogas antivirais", disse a principal autora do estudo, Janet Smith, diretora do Centro de Biologia Estrutural, do Instituto de Ciências da Vida da U-M. 

"Os pesquisadores ainda estão trabalhando para compreender precisamente como o Zika e outros flavivírus interagem com o sistema imunológico de uma pessoa infectada", disse. "Ter esses detalhes do nível atômico podem ajudar os cientistas a fazerem melhores perguntas e a projetarem experimentos mais significativos, enquanto nós continuamos a aprender novas informações."

O zika vírus recentemente se transformou em um problema emergencial de saúde internacional, depois de ter sido associado a defeitos de nascimento  e com a síndrome de Guillain-Barré , que se espalhou rapidamente na América Central e do Sul.  Atualmente, não há nenhuma vacina ou tratamento, embora várias empresas anunciaram planos para tentar desenvolvê-los. 

A nova estrutura 3-D, que foi obtida através de cristalografia de raios-X e microscopia eletrônica, revelou que a superfície externa da proteína NS1 tem propriedades de carga elétrica substancialmente diferentes dos outros flavivírus — indicando que podem interagir de forma diferente com os membros do sistema imunológico de uma pessoa infectada. Este estudo também foi o primeiro a capturar a estrutura molecular dos laços flexíveis nas asas da proteína, que não tinha sido vista em estudos anteriores. 

"Isto é muito importante, pois indica uma interação com a membrana celular do hospedeiro e um possível mecanismo pelo qual a NS1 realiza suas várias funções", disse o coautor do estudo, Richard Kuhn, professor de Ciências Biológicas da Purdue. 

"Ver essas diferenças fornecem novos conhecimentos que nos ajudam a entender melhor a proteína NS1", disse Kuhn, membro da equipa de investigação que determinou primeiro a estrutura do zika vírus. "Compreender a sua estrutura e suas funções nos ajudam a identificar alvos para que os inibidores bloqueiem importantes processos virais e tratem a infecção." 

A equipe também analisou as alterações na sequência genética da proteína Zika NS1 ao longo do tempo. "É como o resfriado comum e o vírus da gripe, vírus que mudam ao longo do tempo. O zika foi alterado durante sua propagação ao redor do mundo, assim o NS1 em infecções brasileiras tem um aspecto diferente no sistema imunológico que seu ancestral africano", disse David L. Akey, cientista de pesquisa no laboratório de Smith. 

A proteína NS1 desempenha vários papéis em infecções virais. No interior das células infectadas, é essencial para fazer novas cópias do vírus e infectar células adicionais. Células infectadas também escondem pacotes de NS1 na corrente sanguínea do paciente, onde os níveis mais elevados têm sido associados com doenças mais graves. 

A proteína em forma de cruz presente no zika e em outros vírus tem duas superfícies distintas. A superfície interna é "gordurosa" e acredita-se que interajam com as membranas celulares, enquanto a superfície exterior, uma vez escondida no sangue, pode interagir com o sistema imunológico do paciente.  Mesmo sem o vírus estar presente, a versão escondida de algumas proteínas NS1 podem criar hemorragias vasculares, como são vistas em infecções graves da dengue. 

Link deste artigo: https://ultimosegundo.ig.com.br/igvigilante/saude/2016-07-25/zika-virus.html