Cientistas discutem zika vírus e efeitos sobre feto no Recife

Pesquisadores sul-americanos da Organização Mundial da Saúde analisam detalhes de efeitos do zika vírus sobre fetos em reunião em Pernambuco
Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
Cientistas analisam efeitos do zika vírus em fetos em congresso no Recife

Cientistas do Brasil, Colômbia e Argentina, da Organização Mundial da Saúde (OMS), e funcionários dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos estão analisando, em reunião esta semana no Recife, Pernambuco, detalhes da infecção  pelo zika vírus  e seus efeitos sobre o feto, informou nesta quinta-feira (21) a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em Washington.

Segundo a Opas, que também enviou especialistas para a capital pernambucana, os cientistas pretendem avançar na definição da síndrome congênita do zika vírus com base nos dados investigados e recolhidos até o momento.

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Após visita feita a centros de saúde no Recife, onde são prestados cuidados a bebês com microcefalia e outras condições associadas com a infecção pelo vírus, os cientistas receberam relatório com  informações relevantes sobre a situação epidemiológica na região. Os técnicos também estão contribuindo com dados atualizados sobre as experiências obtidas com pesquisas sobre a zika no Brasil e na Colômbia.

Síndrome congênita

"As anomalias observadas e a provável relação causal da infecção pelo zika vírus sugerem a presença de uma nova síndrome congênita. A OMS lançou um processo para definir o espectro da síndrome. O processo é centrado na análise das manifestações clínicas, de neurologia, de audição, de distúrbios visuais e outros, bem como os resultados de neuroimagem ", explica Sylvain Aldighieri.

Com relação às informações sobre complicações da infecção pelo vírus, os dados disponíveis ainda são limitados. Para avançar no conhecimento sobre o assunto, os cientistas planejam compartilhar e examinar com profundidade as informações sobre diagnóstico, descrição, consequências, processos físicos e análise médicas sobre as provas obtidas até agora.

"Nosso objetivo é ajudar os países a fortalecer a vigilância sobre a síndrome congênita da zika, e melhorar a preparação para lidar com casos de síndrome de Guillain-Barré em serviços de saúde. A associação espacial e temporal da síndrome zika e síndrome de Guillain-Barre é evidente em vários países ", disse Aldighieri durante a reunião.

"Tivemos a oportunidade de ir para o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, em Pernambuco, e vimos o incrível trabalho que estão fazendo no acompanhamento e cuidados de cerca de 200 crianças com microcefalia. É importante que tenhamos esse tipo de trabalho em outras partes do Brasil e do mundo para as crianças afetadas com microcefalia", disse o diretor do Deparamento de Família, Gênero e Custo de Vida da Opas, Andrés de Francisco. Ele lembrou também que a zika "não é a única causa da microcefalia e que a microcefalia não é o único sinal possível da zika", acrescentou.

Depois de quase um ano de trabalho de vários grupos de pesquisa, existe agora um consenso sobre o zika vírus associado não só com microcefalia , mas também com outros aspectos de uma síndrome congênita, disse o presidente da Opas, Luis Codina. "A Opas quer agora facilitar este processo de pesquisa e geração de conhecimento ", finalizou.

*Com Agência Brasil

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