Epidemia do zika vírus pode infectar cerca de 93 milhões de pessoas em três anos

Estudo foi realizado por um grupo de cientistas americanos e britânicos; pesquisa sugere que dezenas de milhares de gestações poderão ser afetadas
Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
Estimativa foi feita a partir da soma de projeções localizadas sobre número de pessoas que podem se infectar por zika

Cerca de 93 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe – incluindo 1,6 milhão de mulheres férteis – podem ser infectadas pelo vírus zika  até o fim da atual epidemia, dentro de dois ou três anos, de acordo com uma nova projeção feita por um grupo de cientistas norte-americanos e britânicos.

O estudo sobre o vírus zika , liderado por Alex Perkins, da Universidade Notre Dame (Estados Unidos), em parceria com cientistas da Universidade de Southampton, foi publicado na revista científica Nature Microbiology, na segunda-feira (25).

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Segundo Perkins, os números representam o pior cenário possível. "Por um simples fator aleatório e porque alguns lugares são relativamente isolados e esparsamente povoados, o vírus não vai chegar a todos os cantos do continente", ressaltou ele.

Foto: Bobby Fabisak/Jc Imagem/Estadão Conteúdo
Vírus zika está relacionado com a malformação fetal durante a gravidez, podendo causar microcefalia em bebês


A estimativa foi feita a partir da soma de milhares de projeções localizadas sobre o número de pessoas que podem ser infectadas em quadrantes de cinco por cinco quilômetros em todo o continente. Como o vírus não deve chegar a todos os pontos da região, o total de 1,65 milhão de mulheres é o limite máximo para infecção nesta primeira onda do zika.

O vírus está relacionado com a malformação fetal durante a gravidez, podendo causar microcefalia em bebês. Com base nas atuais taxas de problemas congênitos em mulheres infectadas, a pesquisa sugere que dezenas de milhares de gestações poderão ser afetadas. De acordo com os autores do artigo, em 30 de junho, já haviam sido registrados 1.674 casos confirmados de microcefalia associada à zika em cinco países, especialmente o Brasil.

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Para o geógrafo Andrew Tatem, da Universidade de Southampton, é difícil prever com precisão quantas mulheres férteis podem estar submetidas ao risco de infecção por zika porque uma grande proporção dos casos não apresenta sintomas: "Isso invalida os métodos que se baseiam apenas em dados sobre os casos e gera um imenso desafio para os cientistas que tentam entender essa doença".

* Com informações do Estadão Conteúdo

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