Balanço divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que Acre, Amapá, Santa Catarina e Rio Grande do Sul registraram novos casos; doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti

Estadão Conteúdo

Em comunicado, pasta informou que foram confirmadas 944 ocorrências de microcefalia
DIEGO HERCULANO/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Em comunicado, pasta informou que foram confirmadas 944 ocorrências de microcefalia

Em boletim divulgado nesta terça-feira (29), o Ministério da Saúde confirmou que a transmissão do zika vírus já ocorre em todo o País. O balanço identifica a circulação do vírus também no Acre, Amapá, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, Estados que até a última semana não continham registros de transmissão local. Dessa forma, os 26 Estados do País mais o Distrito Federal estão com circulação do zika. 

A mudança atesta a velocidade de propagação do vírus, transmitido pelo Aedes aegypti . "A transmissão ocorre numa rapidez muito maior, por exemplo, que chikungunya", afirmou ao jornal "O Estado de S.Paulo" o diretor do Departamento de Vigilância em Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch.

Ainda não há uma explicação para esse comportamento. Uma das hipóteses, no entanto, é o tipo de sintoma provocado nos pacientes, mais leve do que os da dengue e da chikungunya. "Como em alguns casos a doença não traz sintomas, pessoas infectadas se expõem mais, ficando mais suscetíveis a picadas de mosquitos", completou o diretor. Quanto mais mosquitos contaminados, maior o potencial de propagação da doença.

Além do aumento da expansão da circulação do vírus, o boletim indica o crescimento do número de casos suspeitos de microcefalia. A malformação pode ser provocada por inúmeras causas, como alcoolismo da gestante, problemas genéticos e infecções. Há suspeitas de que a síndrome pode também ser provocada pela infecção do feto por zika. Até agora, foram identificados 6.776 casos suspeitos da malformação – 1,5% a mais do que havia sido contabilizado semana passada.

Do total de casos registrados, 944 foram confirmados, 4% a mais do que na semana passada. O porcentual de ocorrências suspeitas em relação ao número geral de casos registrados caiu um pouco, mas ainda é muito significativo: 63% ainda estão em análise. No boletim anterior, o porcentual era de 64%.

As notificações confirmadas ocorreram em 358 municípios, localizados em 21 unidades da federação: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Amazonas, Pará, Rondônia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Paraná.

O Ministério da Saúde reconhece uma lentidão na confirmação ou no descarte de casos suspeitos. Um pacote de medidas foi lançado há duas semanas para tentar acelerar a análise. Para se ter uma ideia, de outubro para cá, foram esclarecidos 2.485 casos suspeitos de microcefalia. Somente no ano passado, foram feitas 3.174 notificações. Isso indica que ainda uma boa parte dos casos registrados em 2015 segue sem definição.

O número de óbitos aumentou: 208. Do total de mortes ocorridas logo depois do parto ou abortos, 47 tiveram a microcefalia confirmada. Outros 139 casos estão em investigação e 22 foram descartados.

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