Cuidado! Repelentes caseiros podem ser uma ameaça

Por Elioenai Paes -  iG São Paulo |

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Além de não oferecer proteção adequada, algumas receitas podem queimar a pele e causar problemas nos olhos; entenda

Na busca por produtos mais naturais, de modo a não se intoxicar com o uso de repelentes industrializados, muitos optam por fazer sua própria alquimia em casa. Mas é necessário tomar cuidado. Segundo especialistas, o resultado pode ser bem diferente do desejado. Alguns compostos naturais podem ser nocivos à pele. O pior é que quem recorre aos caseiros pode ficando desprotegido, se tornando suscetível às picadas do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus.

Segundo o dermatologista da Clínica Fares, Rafael Cavanellas, as misturas caseiras duram menos de meia hora. “Não fazem proteção adequada e mais: ninguém vai ficar reaplicando o repelente a cada 20 minutos”, explica.

Ao contrário de que muitos pensam, o repelente caseiro podem ser tóxico e não proteger
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Ao contrário de que muitos pensam, o repelente caseiro podem ser tóxico e não proteger

A internet divulga inúmeras receitas de repelentes caseiros. Entre as misturas mais divulgadas estão as que levam limão com cravo, laranja com cravo, extrato de alho ou até mesmo álcool com infusão de citronela. Nenhum deles, porém, é efetivo.

Veja mais: Raio-X do zika vírus: perigos, sintomas e consequências graves da doença

De acordo com Cavanellas, o limão e laranja são irritantes para a pele. Podem causar queimaduras caso a pessoa se exponha ao sol. “Acontece o que chamamos de fitofotodermatose, que é a queimadura que acontece quando o limão entra em contato com o sol”, diz. “O extrato de alho também irrita e pode causar alergia. Não recomendamos”, completa.  

O álcool, dependendo da concentração, pode causar problemas à pele. “Não é seguro”, alerta o dermatologista.

Veja os maiores erros na hora de passar o repelante: 

O primeiro erro que alguém pode cometer é tratar todos os repelentes como iguais, passando-os sem considerar suas diferenças quanto à durabilidade e efeitos  . Foto: iStockErro: passar o repelente mais de três vezes por dia. Eesse é o máximo de aplicações que os médicos recomendam diariamente . Foto: iStockHá basicamente três tipos de repelentes disponíveis no Brasil: o DEET, o IR 3535 e a  icaridina. Foto: iStockO DEET e o IR 3535 afugentam os mosquitos por até quatro horas. A icaridina é a mais eficiente e consegue os insetos por até 10 horas, reduzindo a quantidade de aplicação ao longo do dia. Foto: STOCKXPERT/ARQUIVOErro: Não priorizar as áreas expostas na hora de aplicar o repelente, como o rosto, pernas e braços, também é um erro. Aplicar o produto em todo o corpo aumenta as chances de intoxicação . Foto: iStockErro: aplicar repelente em ambientes fechados também aumenta as chances de intoxicação. Prefira lugares abertos, onde o ar circula mais e o odor do produto se dispersa melhor . Foto: iStockErro: passar repelentes em crianças com menos de dois anos de idade. Mais sensível, a pele delas tem pouca defesa, absorvendo mais o produto, o que pode gerar complicações  sistêmicas, neurológicas e pulmonares. Foto: iStockErro: dormir com o repelente no corpo não é uma boa prática. O produto pode passar para os lençóis e acabar contato com áreas sensíveis, como olhos e a boca. Tome um banho antes de deitar . Foto: iStockErro: Não lavar as mãos, especialmente das crianças, depois da aplicação do repelente. As mãos sujas com o produto podem acabar em contato com os olhos e a boca, o que pode causar intoxicação. Foto: iStockErro: aplicar o repelente nas áreas próximas das mucosas (olho, nariz e boca). Foto: iStockErro: passar o repelente em áreas feridas do corpo. Isso aumenta a chance de intoxicação . Foto: iStockErro: tratar os repelentes naturais, como a citronela, como inofensivos é um equivoco. Além de não ter eficácia comprovada, eles ainda podem causar reações alérgicas  . Foto: iStock

Crianças também devem passar longe de repelentes caseiros. “A pele da criança é mais sensível. Além disso, não se pode passar repelente na mão da criança, pois eles colocam na boca e no olho."

A citronela, segundo o médico, não costuma irritar a pele. “A proteção, porém, é de 20 minutos”. Ou seja, não é eficaz. “Hoje em dia temos muitas opções boas de repelentes no mercado, com duração adequada”, ressalta Cavanello.

Olhos também sofrem

De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, o problema para os olhos causados pelos repelentes caseiros é que não se sabe exatamente a mistura que a pessoa fez. “As pessoas passam perto dos olhos e o vapor da substância e a transpiração podem causar alguma irritação ocular”, alerta. “Tudo depende da concentração e do quanto entrou no olho”.

Quando um acidente assim acontece, é importante procurar um oftalmologista o quanto antes para tratar. “Às vezes causa queimadura ocular”, diz o médico, que também reforça que o repelente industrializado também não deve ter contato com os olhos.

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