Aedes aegypti: Rio inclui repelente em cesta básica e pune lojas com focos

Por O Dia - Wilson Aquino* | - Atualizada às

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Guerra ao mosquito transmissor da dengue, do zika vírus e da febre chikungunya, ganhou o apoio de duas leis no Estado

O Dia

Mosquito Aedes aegypti transmite atualmente o zika vírus, a dengue e a febre chikungunya
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Mosquito Aedes aegypti transmite atualmente o zika vírus, a dengue e a febre chikungunya

O Rio de Janeiro já é responsável por 5% de todos os casos suspeitos de microcefalia registrados no Brasil, entre primeiro de janeiro de 2015 e 19 de janeiro de 2016. A Superintendência de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde informou, nesta quarta-feira (20), que foram 166 ocorrências, sendo 133 de bebês já nascidos e os outros 33 referentes ao período intrauterino — ou um a cada dois dias.

Para conter essa quase epidemia e os males ligados ao Aedes aegypti — como o zika vírus, a dengue e a febre chikungunya —, o governador Luiz Fernando Pezão sancionou duas leis. Uma delas prevê redução de ICMS na comercialização de repelentes e os inclui na cesta básica. A alíquota, que era de 19%, cai para 7% no comércio atacadista e isenta imposto para o consumidor no varejo.

A outra lei institui sanções para estabelecimentos que não eliminarem focos de reprodução do mosquito. A punição pode ser multa, apreensão de mercadoria,  suspensão da atividade e até mesmo interdição do estabelecimento.

A deputada estadual Ana Paula Rechuan (PMDB), uma das autoras da nova lei, disse ao DIA que as multas, de R$ 50 a R$ 50 milhões, serão destinadas ao Fundo Estadual de Saúde. “Essa lei específica é importante porque atribui responsabilidade de danos à saúde pública e não se restringe apenas à epidemia atual, mas também a futuros casos de outras doenças que possam surgir”, explicou a parlamentar, que também é médica.

Informe epidemiológico divulgado nesta quarta pelo Ministério da Saúde indica 3.893 casos suspeitos de microcefalia no País. Com isso, o Rio ocupa a sexta posição no ranking de Estados com mais notificações, atrás de Pernambuco (1.306), Paraíba (665), Bahia (496), Ceará (216) e Rio Grande do Norte (188). Dos 166 casos fluminenses, 55 mulheres relataram histórico de manchas vermelhas pelo corpo ao longo da gravidez, associando então a microcefalia ao zika vírus.

'Vendo água que mosquito não bebe'

A notícia de que os estabelecimentos poderão até ser fechados, caso a fiscalização encontre focos do mosquito Aedes aegypti, não preocupa os comerciantes da Lapa.

Gerente de um bar, Rafael Veneza, de 31 anos, disse que deveria prevalecer a lei do bom senso. “Não era necessário criar lei específica para isso. Minha casa é fechada, mas se tivesse varanda, por exemplo, eu teria preocupação em verificar a existência de focos do mosquito”, esclareceu.

Proprietário de um outro estabelecimento no Rio, Carlito Cordeiro Alves, de 45 anos, salientou que a lei é importante, mas que a população deveria ajudar mais, evitando manter recipientes com água parada onde o mosquito se reproduz. “De vez em quando jogo inseticida nesse buraco ao lado do bar, porque a gente vê as larvas dançando na água parada. Isso sem falar nas garrafas que o povo deixa”, denunciou. Alves disse que o Aedes não se cria no seu estabelecimento. “A água que vendo, mosquito não bebe."

Donos de lojas, Carlito Cordeiro Alves e Rafael Veneza não mostram preocupação com a nova lei
Alexandre Brum / Agência O Dia
Donos de lojas, Carlito Cordeiro Alves e Rafael Veneza não mostram preocupação com a nova lei

Dengue matou 22 em 2015

Segundo dados da Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria Estadual de Saúde, foram mais de 2 mil casos suspeitos de dengue notificados no Rio de Janeiro apenas nas três primeiras semanas do ano.

Em 2015, os números chegaram a 69.516, quase 6 mil casos por mês. A dengue é a causa suspeita da morte de 22 pessoas. Resende, no sul do Estado, foi o o município que mais enterrou vítimas da dengue: foram oito mortes.

O Ministério da Saúde distribuirá 500 mil testes para realizar o diagnóstico de PCR (biologia molecular) para o zika vírus a partir de fevereiro. Com isso, os laboratórios públicos ampliarão a capacidade dos exames de mil para 20 mil diagnósticos mensais.

Fiocruz confirma transmissão

Cientistas do Instituto Carlos Chagas, da Fiocruz-PR, confirmaram que o zika vírus consegue ultrapassar a placenta na gestação. A análise foi feita a partir de amostras de uma paciente do Nordeste que sofreu aborto retido (quando o feto para de se desenvolver) na oitava semana de gravidez, após apresentar sintomas de zika.

O exame confirmou a infecção de células da placenta pelo vírus e também a transmissão placentária. Uma das possibilidades é que o zika pode estar usando a capacidade migratória dessas células para alcançar vasos fetais.

“Embora não possamos relacionar esses achados com os casos de microcefalia e outras alterações, esse resultado confirma a transmissão intrauterina”, explicou a virologista-chefe, Cláudia Nunes Duarte dos Santos.

O Instituto Vital Brazil firmou parceria com a UFRJ para a produção de soro contra o zika vírus. A expectativa é que o soro inative o vírus imediatamente após a aplicação, o que reduziria os casos de microcefalia. O soro deve ficar pronto em três anos.

Zika vírus se alastra nas Américas

O zika vírus já está presente em praticamente toda a América Latina e no Caribe, e a prioridade absoluta é fortalecer o combate ao Aedes aegypti, alertou nesta quarta a Organização Pan-Americana de Saúde. “O primeiro caso foi confirmado no Brasil em maio e, desde então, já se propagou pelo continente de forma rápida”, disse Sylvain Aldighieri, chefe do departamento de Doenças Transmissíveis da entidade.

Só na Colômbia já são 13.531 casos de zika, atrás apenas do Brasil. O Ministério da Saúde do país sugeriu hoje aos casais que evitem a gravidez devido ao avanço do vírus. Sugestão semelhante foi dada pelo governo da República Dominicana. Já há relatos da doença na Flórida e em Illinois, nos Estados Unidos.

*Colaborou a estagiária Rita de Cássia Costa

Fonte: O Dia

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