Mosquito transgênico reduz em 82% larvas do Aedes aegypti no interior de SP

Experiência em Piracicaba teve liberação de 800 mil mosquitos machos que não picam pessoas e carregam um tipo de gene que faz com que seus filhotes morram ainda na fase de larva
Foto: iStock
Bairro desse projeto com esse tipo de mosquitos registrou um caso de dengue desde julho

A quantidade de larvas selvagens do Aedes aegypti , mosquito transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya, diminuiu 82% no bairro Cecap/Eldorado, em São Paulo, onde, desde março do ano passado, estão sendo soltos mosquitos geneticamente modificados.

A comparação foi feita com o bairro Alvorada, a 1,5 quilômetro da região onde o Projeto " Aedes aegypti do Bem", desenvolvido em parceria com a empresa Oxitec, não está sendo aplicado. O anúncio foi feito nesta terça-feira (19) pela prefeitura de Piracicaba.

O Cecap foi escolhido para o teste porque foi o bairro mais atingido pela dengue na cidade no verão de 2014-2015. Desde julho, segundo dados da prefeitura, apenas um caso da doença foi registrado no bairro, comparado aos 50 ocorridos no município.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Piracicaba, a experiência começou em abril do ano passado, com a liberação, até agora, de 800 mil mosquitos machos, que não picam as pessoas e carregam um gene autolimitante que faz com que seus filhotes morram ainda na fase de larva. A população inicial beneficiada pelo projeto foi de 5 mil pessoas. O objetivo é estender o experimento para a região central da cidade, englobando de 35 a 60 mil habitantes.

Com o sucesso do projeto, a prefeitura e a empresa criadora da tecnologia assinaram um protocolo de intenções para instalação de uma fábrica da Oxitec no município, já que o laboratório onde são produzidos os insetos fica em Campinas, também no interior paulista. Com isso, a produção semanal passará de 2 milhões de mosquitos para 60 milhões, o que permitirá a extensão do programa. A fábrica gerará mais de 100 empregos.

Segundo o diretor da Oxitec do Brasil, Glen Slade, a produção da fábrica piracicabana poderá também ser usada para tratar outras cidades do Estado de São Paulo e do Brasil que se interessem em usar o chamado " Aedes aegypti do bem" para combater o transmissor das três doenças. “Nos próximos anos, faremos um investimento da ordem de milhões de reais na nova unidade de " Aedes aegypti do Bem", que tem capacidade prevista de atender mais de 300 mil pessoas”, anunciou Slade.

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