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16:07
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Harvard Business Review
Steven Berglas Ao pensar em um astro desses, vem à mente da maioria de nós um retrato relativamente parecido. Um astro é aquela pessoa perfeita. É a mais ambiciosa, a mais competente, a mais inteligente de toda a empresa. Mas, apesar do ar de satisfação consigo mesma, de uma certa presunção e até da gabolice, um número considerável dessas estrelas do desempenho não confia em si. Ron Daniel, que foi diretor-gerente da consultoria de administração McKinsey & Company, ilustrou bem tal tese ao dizer à revista Fortune que “a verdadeira briga no mercado não é por clientes, é por gente.
Na hora de contratar, buscamos indivíduos que sejam, primeiro, altamente inteligentes; segundo, inseguros e, logo, movidos por essa insegurança; e, terceiro, competitivos”. Traduzindo, muitos astros são ultra-exigentes e inseguros. Em geral, é a pessoa que estudou na escola certa, que lutou e conquistou todos os prêmios. Mas, se é tão inteligente e competitiva, por que seria tão insegura?
Tendo observado muitos astros dessa categoria, cheguei à conclusão de que a infância pesa, sim.
Em geral, uma pessoa dessas cresceu em ambientes exigentes, onde aprovação incondicional não existia. Tirar 10, por exemplo, não era motivo de admiração por parte dos pais. Tal conquista era tipicamente seguida da mensagem “Você pode ainda mais”, que nunca é gratificante e, em geral, é nociva. Do ponto de vista do astro, uma resposta dessas o obrigava a trabalhar incessantemente para atingir uma meta inatingível.
Anna Freud (filha de Sigmund Freud) e outros psicólogos que estudaram indivíduos criados dessa maneira descobriram que a pessoa acaba com um superego extremamente punitivo. No começo, a pressão vem de figuras de autoridade. Depois, é o próprio astro que aplica o castigo, a si e aos outros. Winston Churchill, que adorava um pai muitas vezes abusivo, é um belo exemplo. Adulto, Churchill sempre encerrava o dia com um ritual inclemente:
“Eu me submeto a uma corte marcial para ver se fiz algo de eficaz durante o dia.”
Churchill não é o único. Um astro muitas vezes assume o papel dos pais e acaba por conta própria fazendo cobranças extremas a si mesmo, dando mais duro, e produzindo resultados melhores, em toda empreitada à qual se lança. Conheci um sujeito assim em um escritório de advocacia famoso. Ao receber a avaliação anual, viu que fora o de melhor desempenho entre os colegas. Seus chefes diziam que o trabalho dele era excelente, magnífico.
Só que, em vez de se alegrar por ter recebido tamanhos aplausos, o advogado se dizia preocupado à mulher porque às vezes seu trabalho era considerado apenas excelente, em vez de magnífico. Essa preocupação intensa com o vocabulário do elogio soa bizarra e egocêntrica para a maioria das pessoas, sobretudo quando um profissional tão prezado se fia à distinção entre um 9,5 e um 10. Só que um astro vulnerável dá muita atenção às palavras daquele que o julga justamente porque passou a infância na busca ansiosa de pistas que indicassem se havia ou não satisfeito a expectativa dos pais.
O que a pessoa tira de um comportamento tão autodestrutivo? Alfred Adler, o psicólogo que inseriu na linguagem cotidiana os termos complexo de superioridade e inferioridade, sugeriu uma explicação quase cem anos atrás. Segundo Adler, a necessidade mais fundamental do homem é a de se sentir superior - anseio nascido da sensação universal de inferioridade vivida por todos na primeira infância, quando somos impotentes, dependentes de um outro. Se soubermos administrar bem essa sensação, acabamos virando adultos ajustados. Já se fortes figuras de autoridade tolhem nossa tentativa de superar essa sensação, surgem os complexos, e com eles o gigantismo narcisista que pode durar para sempre.
Adler dizia que se a pessoa é vítima do complexo de inferioridade ou de superioridade (para ele, duas faces de uma mesma moeda), qualquer conquista sua nunca será o suficiente. Certa vez ouvi uma boa descrição: “Há quem viva a vida se sentindo superior; há quem viva a vida se sentindo um verme. E o narcisista vive a vida se sentindo um verme superior.”
Seria de supor que a sensação de superioridade de um profissional estelar fosse uma grande dádiva, pois serviria, entre outras coisas, para que passasse aos demais uma enorme sensação de autoconfiança. Só que o drama do astro que se sente um verme superior é conviver com o constante medo de que, na verdade, ele pode ser inferior aos outros. É só quando o gerente ajuda o astro a tentar encarar a sensação inflada de superioridade que o profissional pode começar a enfrentar o problema subjacente da baixa auto-estima.
- Steven Berglas (drb@berglas.com) é coach de executivos e consultor administrativo. Durante 25 anos foi membro do corpo docente do departamento de psiquiatria da Harvard Medical School. É autor de quatro livros sobre a relação do profissional de destaque com o sucesso, entre eles Reclaiming the Fire: How Successful People Overcome Burnout (Random House, 2001).
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