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Harvard Business Review
Steven Berglas Depois de se formar com louvores na Harvard Business School, Jane teve uma ascensão meteórica numa grande agência de publicidade, acumulando no caminho promoções e responsabilidades. Ao chegar à direção de criação da empresa era, na opinião de todos, uma “jogadora A” — um astro da casa, um dos profissionais mais talentosos e produtivos da empresa. Mas, ainda que seu salário ali fosse generosíssimo e tivesse o que para muitos era um dos cargos mais estimulantes da agência, Jane vinha falando com headhunters pelas costas.
O problema é que Jane não se sentia valorizada o bastante. Estava sempre superando suas metas, e ouvindo do chefe que seu trabalho era ótimo — aliás, o maior elogio que ele fazia a alguém. Só que Jane queria mais. Dava mais e mais duro, mas nunca teve seu trabalho exaltado de um modo mais pleno. Para ela, a incapacidade do chefe de oferecer uma recompensa maior por suas conquistas era exasperante. No final, acabou contratada por uma agência rival na qual, segundo ela própria, o trabalho era menos desafiante. Tanto Jane quanto a agência de publicidade da qual saiu acabaram perdendo.
Nem todo astro é vulnerável como Jane. Há quem chegue a alturas espetaculares com pouca ou nenhuma atenção especial. É gente dotada naturalmente de autoconfiança e de brilho para seguir subindo em sua área com elegância e graça. Naturalmente, é o pessoal de mais valor na empresa — gente que traz desafios e riscos próprios (veja o quadro “Ninguém é perfeito”). Mas, como todo gerente sabe, estrelas de primeira grandeza com ego controlado são raras. É muito mais comum encontrar gente como Jane, que luta para aplacar uma sede íntima de reconhecimento que é, em geral, sinal de auto-estima irracionalmente baixa. Quem não administra o anseio desses astros por palmas e valorização — anseio em geral inconsciente — vai assistir sua queda de um modo nocivo para eles e contraproducente para a empresa.
É claro que um gerente não é, e nem deve ser, um terapeuta ou um coach de executivos. Será bom para a empresa, porém, se tentar entender o que motiva um profissional de destaque. Do trabalho com mais de 30 presidentes, uma dezena de diretores de operações e número praticamente igual de sócios de escritórios de advocacia, pude observar padrões persistentes nas atitudes de gente de destaque — uma fonte de insights valiosos sobre a gestão da carreira desses astros. A seguir, vou explorar a psicologia e o comportamento do jogador A e sugerir técnicas para converter alguém já destacado num astro ainda mais eficaz.
Steven Berglas (drb@berglas.com) é coach de executivos e consultor administrativo. Durante 25 anos foi membro do corpo docente do departamento de psiquiatria da Harvard Medical School. É autor de quatro livros sobre a relação do profissional de destaque com o sucesso, entre eles Reclaiming the Fire: How Successful People Overcome Burnout (Random House, 2001).
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