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Harvard Business Review
Ron Adner A natureza do risco que um inovador enfrentará em seu ecossistema depende do mercado visado. Fabricantes de tecnologia fotovoltaica, que converte luz solar em eletricidade, enfrentam riscos internos e externos muito diferentes em cada mercado-alvo. A magnitude e o caráter dos desafios de desenvolvimento, as inovações complementares exigidas e os requisitos de adoção ao longo da cadeia serão muito distintos se o mercado-alvo for a geração de energia para um município (que requer milhões de watts), energia auxiliar para residências (milhares de watts) ou energia para calculadoras de bolso (uma fração de um watt).
Chegar a uma fórmula para equilibrar o porte da oportunidade de mercado e a magnitude do risco inerente ao ecossistema - ou seja, priorizar as opções possíveis - é a essência da estratégia de inovação. Vejamos o caso do computador com tela sensível a caneta. A grande meta, simbolizada pela visão por trás do PDA Newton, da Apple, era unir a interface baseada numa caneta especial ao software de reconhecimento da escrita; juntos, libertariam o usuário da tirania do teclado. A Apple e parceiras investiram enormes somas para tentar concretizar essa visão, que redefiniria a computação pessoal. Acabaram lançando um sistema imperfeito cujas falhas técnicas geraram péssima publicidade e obrigaram a firma a recolher o produto do mercado
Já a Palm usou uma interface baseada na canetinha especial, mas dispensou o reconhecimento da escrita. Sua tecnologia pedia que o usuário usasse uma série especialmente adaptada de símbolos, o sistema Graffiti, muito mais fácil de ser processado corretamente pelo aparelho. Com isso, a Palm diluiu de modo considerável a proposta de valor do PDA original e alterou o tamanho da oportunidade. O Newton tentara substituir o computador pessoal; a Palm tentou apenas substituir a velha agenda de compromissos. Ao reduzir suas ambições, a Palm aumentou radicalmente suas chances de sucesso, embora num mercado menor.
Embora não tenha deslanchado no mercado comercial, o pneu especial da Michelin teve sucesso no mercado menor, mas ainda assim considerável, de defesa, onde é usado como substituto para esteiras em veículos de transporte de tropas como o Stryker, do exército americano. Com menos intermediários, compradores mais concentrados e um suposto benefício maior, o mercado militar casou melhor com o produto, ao menos no curto prazo.
Para quase toda inovação há vários mercados-alvo. Mapas de ecossistemas para cada um deles podem variar drasticamente, mesmo quando a inovação básica é a mesma. Uma visão global de distintos ecossistemas é fundamental para a correta avaliação de opções e a priorização de oportunidades.
* Ron Adner (ron.adner@insead.edu) é professor associado de estratégia e gestão no Insead, em Fontainebleau, França.
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