Guias levam turistas para cenário de "Lost"

Guias levam turistas para cenário de "Lost" Por Pedro Venceslau Oahu, 06 (AE) - Jack Shephard abre o olho e sua pupila se contrai, defesa contra a claridade repentina. O movimento transforma o globo ocular do médico em um espelho e, por um brevíssimo instante, o espectador enxerga, via reflexo, o mesmo que ele: as copas das árvores.

iG São Paulo |

Guias levam turistas para cenário de "Lost" Por Pedro Venceslau Oahu, 06 (AE) - Jack Shephard abre o olho e sua pupila se contrai, defesa contra a claridade repentina. O movimento transforma o globo ocular do médico em um espelho e, por um brevíssimo instante, o espectador enxerga, via reflexo, o mesmo que ele: as copas das árvores. Imagem até agradável se as cenas seguintes não mostrassem que aquele foi, na verdade, o começo de um pesadelo. Ao sair da mata e chegar a uma praia de mar absurdamente azul, guiado por gritos, Jack percebe que é uma das vítimas de um acidente aéreo. A queda do voo 815 da fictícia Oceanic em uma ilha do Pacífico Sul é o ponto de partida de "Lost", série que está no ar desde 2004 e termina no dia 25. Os (muitos) fãs conhecem de cor os mistérios e as ameaças que os 48 sobreviventes precisam enfrentar em meio a belas florestas e praias desertas. Mas talvez não saibam que tais cenários podem ser visitados por qualquer pessoa sem grande esforço. Basta tomar um avião na mesma Los Angeles onde o Oceanic 815 deveria ter pousado (acredite, não se trata de mais uma coincidência arquitetada pelo todo-poderoso Jacob) e, cinco horas depois, desembarcar no Aeroporto de Honolulu, em Oahu, a ilha mais importante do arquipélago do Havaí. Lá, por preços que variam de US$ 70 a US$ 200, guias levam a todos os endereços onde foram filmadas as eletrizantes sequências da badalada série de TV. Outra opção é alugar um carro e, como um autêntico sobrevivente, achar tudo por conta própria. As paisagens de Oahu são tão deslumbrantes quanto se mostram na série, mas não têm nada de inexploradas ou inóspitas. As estradas são largas, bem sinalizadas e chegam a lembrar as de Los Angeles - no tamanho e nos congestionamentos. SET HABITUAL Imediatamente após a estreia, "Lost" virou roteiro turístico no Havaí, operado por empresas especializadas em mostrar locações de cinema aos visitantes. O arquipélago, para quem não sabe, é um dos sets preferidos de Hollywood. O Havaí surge em cena em blockbusters como "Godzilla", "Jurassic Park" e "Pearl Harbor" - este último por motivo óbvio, uma vez que a base onde ocorreu o bombardeio japonês fica, de fato, em Oahu. "No começo, apenas incluímos 'Lost' no circuito de filmes. Mas o sucesso foi tão grande que nos especializamos na série. Os brasileiros estão entre os que mais procuram o tour", conta Ed Kos, dono da Kos Tours (www.hummertourshawaii.com). De tanto perambular entre os atores e produtores, um dos guias da empresa, Jeff Bush, acabou convidado para fazer uma ponta. Ele aparece no episódio "The Package", na sexta temporada, como o policial que interroga Jin Kwon no aeroporto. Visitar as locações é também uma ótima oportunidade para dar a volta na ilha e ver suas melhores paisagens. A operadora Kos Tours oferece três alternativas. O motorista faz papel de guia e leva no carro um aparelho de DVD para exibir cenas. Por US$ 200 você faz um passeio de dez horas por todos os lugares que serviram de set a "Lost". Outro tour, de cinco horas, vai até a metade do caminho e custa US$ 139. A terceira opção, por US$ 70, se resume ao trecho urbano e ao coração das gravações, uma fazenda em Kualoa Ranch, na estrada que leva ao norte da ilha. A fazenda está aberta a qualquer turista e oferece passeios a pé, a cavalo ou de moto, por preços entre US$ 21 e US$ 93. Por ser uma propriedade particular, não é possível fazer visitas independentes. Com o fim das gravações, parte dos espaços cenográficos foi removida. Mas ainda estão lá a torre da quinta temporada e a escotilha Dharma onde vivia o personagem Desmond Humes. MITOS E VERDADES A produção de Lost operou milagres geográficos. Em Waikiki, área mais luxuosa de Honolulu, o vistoso Hawaiian Convention Center faz papel do Aeroporto de Sydney, onde vários dos personagens se encontram antes de embarcar no fatídico voo 815. O píer de Los Angeles na ficção, onde Desmond foi baleado ao ancorar seu veleiro, fica na região. O Searcher, barco de Penelope Widmore, continua parado ali - pertence à marinha e é utilizado em pesquisas. Cenas na inglesa Universidade de Oxford, sede das pesquisas de viagem no tempo feitas pelo personagem Daniel Faraday, foram gravadas na Igreja Sant Andrews, em Queen Emma Street. Até as imagens que teoricamente mostram Iraque e Nigéria são do Havaí. Da cidade, o carro segue pela H-61 rumo a North Shore, a região menos habitada e preferida pelos surfistas. De lá, continua para a parte mais bonita e aprazível da H-1, que se afunila e cai em uma estrada menor, dominada pelo visual do mar azul turquesa. Em uma estradinha paralela, o guia mostra a fictícia casa do pai de John Locke em Los Angeles, a cabana de Jacob e outras locações que, na TV, parecem estar situadas no meio da selva. Para quem pretende se aventurar por conta própria, fica o aviso: neste trecho, será difícil encontrar tudo sem um guia. Chega-se, então, a Kailua, o distrito preferido dos atores da série - Henry Ian Cusic (Desmond) e Jorge García (Hugo "Hurley" Reyes) têm casas por ali. Além de milionários como Bill Gates e Oprah Winfrey. "É comum cruzarmos com eles na praia", conta o guia Aron Stuart, que faz o trajeto desde 2004. Não tive tal sorte. Mas pelo menos não terminei a viagem sem ver nenhum personagem de "Lost". Jeff Fahey, o piloto Frank Lapidus, estava no avião de volta a Los Angeles. Só para deixar no ar aquela sensação de "the island isn’t finished with you", como os personagens vivem dizendo uns aos outros.

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