Em tempos de gripe suína (rebatizada http://ultimosegundo.ig.com.br/gripesuina/2009/04/30/gripe+suina+oms+decide+adotar+a+denominacao+gripe+a+h1n1+5867930.html target=_topde gripe A H1N1 pela OMS), além do reforço na higiene, outro fator que pode ajudar na prevenção desta e de outras doenças é a boa alimentação.


Especialistas consultadas pela Agência Estado reforçam aquilo que muita gente já sabe, mas poucos colocam em prática: uma alimentação balanceada e rica em frutas, legumes e verduras é essencial para ajudar o sistema de defesas do corpo a combater doenças.

"A deficiência energética e proteica está na origem de várias doenças", explica Eline de Almeida Soriano, professora vinculada ao Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina/Unesp de Botucatu.

Ela explica que o estado nutricional é um dos fatores que influenciam a condição imunológica das pessoas e lembra que boa alimentação não significa comer demais. "O obeso é considerado um indivíduo desnutrido", exemplifica.

Boa alimentação não significa receitas ou ingredientes complexos no dia a dia. "A maioria dos aminoácidos de que precisamos para a formação de proteínas está no arroz e no feijão", lembra a professora. As proteínas são de extrema importância para o organismo por sua função construtora e reparadora. Elas participam da formação de hormônios, enzimas e anticorpos.

"A alimentação contribui para fortalecer o sistema imunológico", reforça Ioná Zalcman, mestre em Nutrição pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Micronutrientes, como vitaminas e sais minerais, podem melhorar a resposta imunológica, estimular a resistência", afirma. Tais micronutrientes estão nos vegetais, frutas e cereais, itens cada vez menos consumidos pela população.

"Estudos epidemiológicos mostram que a absorção de nutrientes cai a cada ano no Brasil por conta da substituição por alimentos industrializados, mais práticos e, algumas vezes, mais baratos", diz. Entre as vitaminas, a bem conhecida vitamina C tem o poder de melhorar a resposta imunológica e estimular a resistência ao auxiliar na produção de células de defesa. Mas atenção, ela serve como fator de prevenção e não cura gripes e resfriados, alerta Ioná.

Eline, da Unesp, lembra que alimentação saudável é aquela que tem de tudo e é fracionada, ou seja, dividida em cinco a seis porções ao longo do dia. "Carboidratos e gorduras devem entrar na dieta, sim", além das proteínas animais e vegetais. Outra recomendação é manter o peso ideal para altura e idade de cada um. Na população adulta, o índice de massa corporal ideal (peso dividido pela altura ao quadrado) fica entre 18,5 e 24,9.

Para as pessoas dos chamados grupos de risco para a gripe suína, idosos com mais de 60 anos, crianças até dois anos, gestantes e lactantes, a alimentação saudável é ainda mais importante. "Essas pessoas estão nos grupo de risco por apresentarem o sistema imunológico mais fragilizado", diz Eline.

Ioná Zulcman também recomenda que as pessoas que foram acometidas por outros males reforcem a alimentação. Em alguns dos casos de contaminação por gripe suína, a chamada comorbidade, alguma doença já existente, contribuiu para os óbitos.

Uma vez que a pessoa já esteja com gripe, "suína" ou não, a recomendação das especialistas é que, além de comer direito, a pessoa descanse bastante. O sono, lembram, tem função reparadora. Beber bastante água também ajuda na recuperação.

Para quem quer saber como anda seu estado nutricional, o ideal é procurar um especialista. Existem exames clínicos, como o hemograma, que fornecem essa informação. Em casos mais graves, fadiga, sonolência excessiva, e queda de cabelo podem denotar desnutrição. No site do Ministério da Saúde existe uma área onde pode-se testar se sua alimentação é saudável .

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