Saúde e educação despontam como prioridades no próximo período

Na busca pelo desenvolvimento, País terá que crescer sem se transformar em uma potência de semiletrados

Rodrigo de Almeida, especial para o iG |

Além de enfrentar os desafios de corresponder à expectativa dos brasileiros como sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva , a presidenta eleita Dilma Rousseff terá a educação e a saúde como elementos principais que encabeçam a lista de áreas consideradas prioritárias para o próximo governo. Na educação, o desafio é como melhorar a qualidade do ensino depois de o País avançar rumo à universalização. Na saúde, uma missão dupla: encontrar uma saída definitiva para o financiamento do setor e ampliar o acesso a medicamentos.

Robson Mendes
Entre as promessas de Dilma, está a de aumentar para 7% do Produto Interno Bruto os investimentos públicos em educação
Durante a campanha eleitoral, Dilma prometeu, entre outras coisas, aumentar para 7% do Produto Interno Bruno os investimentos públicos em educação. Prometeu ainda erradicar o analfabetismo, construir seis mil creches e pré-escolas, possibilitar que os professores tenham ao menos curso universitário. Na lista, entraram ainda a promessa de manter um piso salarial nacional para professores e a criação do ProMédio, programa de bolsa de estudo em instituições de ensino médio técnico, nos moldes do Programa Universidade para Todos (ProUni).

Os recentes dados divulgados pela ONU, presentes no 20º relatório da série sobre o desenvolvimento humano no mundo, reforçou o receio de muitos – o temor de que o Brasil caminha para ser uma potência econômica de semiletrados. Na nova metodologia do IDH, que considerada indicadores de saúde, educação e renda, o País aparece longe dos melhores índices. O novo modelo usa duas novas variáveis – “anos médios de estudo”, levando em conta a população com mais de 25 anos, e os “anos esperados de escolaridade”, que avalia a rede educacional oferecida e os índices de matrícula observados.

A média de anos de estudo dos brasileiros com mais de 25 anos é de 7,2 anos, contra 13,2 nos Estados Unidos, o líder neste quesito. Para as crianças que estão agora entrando na escola, o Brasil tem a expectativa de que permaneçam estudando por 13,8 anos. A campeã, Austrália, esse número sobre para 20,6 anos.

Embora governo e especialistas critiquem a metodologia – alguns chegam a atacar o índice por simplificações arbitrárias – trata-se de um indicativo relevante de um tema que costuma estar presente no debate nacional, mas cujos avanços costumam ser questionáveis.

“Se há um vilão que pode torpedear os planos para o Brasil do futuro, sem dúvida o contendor mais sério é o nosso ensino. Nesse assunto, nem pensar em ufanismo. A educação é ruim”, afirma o economista Claudio de Moura Castro, no estudo Grande potência com educação impotente?, no qual aponta os limites existentes entre a posição consolidada do Brasil como nação emergente e a grande carência que pode atrapalhar a elevação à condição de país desenvolvido.

Crescimento

Castro lembra que o crescimento quantitativo foi muito rápido, a partir dos anos 1990. Para ilustrar: no início daquela década, o ensino médio exibia menos de três milhões de alunos. No fim da década, eram quase 10 milhões. O País tinha 60 mil universitários em 1960. Hoje são quase 6 milhões. Para chegar aos seus 16 milhões, os Estados Unidos levaram mais de três décadas.

Evolução do Ideb

Índice foi criado em 2007, para medir numa escala de zero a dez a aprovação e o desempenho dos estudantes

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Inep

A qualidade, porém, não seguiu o mesmo compasso da quantidade. “Teria sido possível crescer mantendo ou melhorando a qualidade?”, questiona o economista. E responde: “A Coreia do Sul fez isso”. Uma educação como a coreana permite investir em áreas vantajosas, competitivas e compatíveis com a consequente especialização produtiva.

Outra diferença do Brasil em relação à Coreia do Sul, a ser reduzida a partir do próximo governo, é que aqui há uma enorme distância entre as empresas e as universidades para a produção de conhecimento aplicado. Enquanto isso, a Coreia buscou integrar as universidades, os institutos de pesquisa e as empresas privadas em torno de um esforço de desenvolvimento tecnológico, voltado para ganhos de eficiência e exportações, ao mesmo tempo em que investia pesadamente numa educação de qualidade para sua população.

O professor Francisco Carlos Teixeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acha que o Brasil reúne condições para ser a quinta economia do mundo, graças ao grande potencial industrial, agrícola e de jazidas minerais. Sem educação de qualidade, estará “no Segundo Mundo próspero, mas não no Primeiro de ponta, por falta de tecnologia, inovação e qualidade de gerência, todos elementos que têm a ver com educação”.

Teixeira reproduz conclusões de estudo que coordenou, realizado pela Fundação Dom Cabral com base em análise feita por dirigentes de nove empresas – Siemens, Telefonica, Algar, TAM, Natura, Brascan, IBM, International Paper, Umicore. O estudo aponta Estados Unidos, União Europeia e China como centros criadores de redes globais e vias preferenciais dos fluxos de riqueza no mundo, sustentados largamente nas tecnologias digitais. A China deverá atuar como modelo alternativo à Europa, aos Estados Unidos e aos países em rápido crescimento. A concorrência chinesa deve afetar diretamente a presença do Brasil nos mercados mundiais.

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