Brasileiros querem manutenção de Enem no governo Dilma

Pesquisa Vox Populi mostra que 67% dos entrevistados dizem que exame é uma boa maneira de selecionar alunos para as universidades

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Se depender da maioria dos brasileiros, a seleção de alunos para universidades por meio do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), uma das principais bandeiras do governo Lula para a educação, deverá ser mantida durante a gestão de Dilma Rousseff (PT). É o que revela pesquisa Vox Populi encomendada pelo iG sobre o que os brasileiros consideram prioritário na definição das políticas que serão aplicadas pela futura presidenta.

O levantamento apontou ainda que a maioria dos brasileiros está otimista em relação ao governo de Dilma , espera que a presidenta eleita priorize a área de saúde e é contra mudanças nas leis que regem temas polêmicos como aborto, união homossexual e descriminalização das drogas

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Mesmo após a polêmica relativa a problemas na impressão de provas neste ano, o Enem ainda é considerado uma boa forma de se selecionar alunos para universidades por 67% dos entrevistados. Outros 13% discordam dessa forma de avaliação.

Quando questionados se o exame seria apenas uma boa forma para se avaliar a qualidade do ensino médio, mas que não deveria ser usado para dar acesso às universidades, 40% dos entrevistados dizem concordar com a afirmação – enquanto 36% se opõem a essa ideia. Apenas 16% dos entrevistados dizem concordar que, devido aos problemas de organização, o Enem deveria deixar de existir – a ideia é rechaçada por 58% dos brasileiros.

O apoio à manutenção do exame como porta de entrada para universidades acontece mesmo após 83% das pessoas terem declarado, na pesquisa, que conheciam os problemas recentes na aplicação das provas.

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A pesquisa mostra também a posição dos brasileiros em relação a outros temas polêmicos que envolvem a educação, e que foram colocados em pauta durante o governo Lula, como a aplicação de cotas raciais nas universidades públicas. Atualmente, mostra o Vox Populi, 38% dos brasileiros defendem a ampliação das cotas raciais para pessoas de baixa renda. Para um quarto dos eleitores (25%), as cotas devem ser ampliadas para pessoas de baixa renda, sem que seja levada em conta a questão racial. Outros 22% dizem que não deveria haver qualquer tipo de cotas para as universidades.

Embora a aplicação de cotas seja atribuição das instituições de ensino superior, que têm autonomia para decidir sobre a questão, o Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar em 2011 a constitucionalidade do sistema.

O levantamento apontou ainda que os brasileiros rechaçam a proposta ensaiada por algumas universidades públicas de cobrar mensalidades de alunos. Para a maioria (67%), o ensino deve ser gratuito para todos os matriculados; 26% dizem que as mensalidades poderiam ser cobradas de estudantes de alta renda, enquanto apenas 4% admitem a possibilidade de que todos os alunos paguem para estudar nessas instituições.

Enfoque na educação básica

Quase um terço da população brasileira (33%) considera a educação infantil a maior das prioridades dentre todas as ações do governo Dilma Rousseff para a educação, uma das áreas mais sensíveis da administração que terá início no próximo dia 1º.

A demanda para que Dilma enfoque a educação básica durante seu mandato, apurada pela pesquisa, é citada quatro vezes mais do que a necessidade de concentrar esforços sobre o ensino superior (8%). Para 15%, a prioridade da gestão Dilma deve ser o ensino técnico – durante a campanha, Dilma defendeu a criação de bolsas escolares para alunos do ensino técnico, nos moldes do Prouni. Outros 13% acreditam que o principal enfoque da presidenta deve ser no ensino fundamental e 10%, no ensino médio. Durante a campanha, a presidente eleita Dilma traçou como uma de suas prioridades a universalização do ensino fundamental no País.

A maioria dos eleitores (52%), segundo a pesquisa, acredita que melhorias na educação serão obtidas por meio de investimentos na formação e valorização dos professores. A criação de escolas com turno integral é citada por 21% dos entrevistados, enquanto 13% dizem ser prioridade os investimentos em aulas de reforço para alunos com dificuldade. Outros 5% dos eleitores acreditam que mudanças curriculares, como currículos mais enxutos e enfoque em disciplinas essenciais, sejam a melhor solução para o setor.

O instituto mostra também que, para melhorar o acesso ao ensino superior, o brasileiro tende a dar mais apoio à criação de novas universidades públicas (34%) do que à ampliação de programas de bolsas de estudo em universidades particulares (25%) – como acontece no ProUni, que prevê incentivos fiscais a instituições que disponibilizam vagas para alunos carentes. Um número significativo de eleitores, porém, acredita que a melhor saída para melhorar o acesso à universidade é ampliar o número de vagas nas instituições já existentes: 29%.

A região onde há maior demanda por novas universidades, segundo a pesquisa, é o Nordeste (46%, contra 28% no Sul). Já o Sudeste é a região onde os entrevistados pedem a ampliação de programas de bolsa de estudo em universidades particulares – 31%, contra 16% no Nordeste.

O instituto realizou, entre os dias 19 e 23 de novembro, 2.200 entrevistas. A margem de erro da pesquisa, que ouviu, é de 2,1 pontos percentuais.


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