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Aprovação do governo resistiu à sucessão de escândalos

Com exceção do mensalão, maior crise vivida pelo governo Lula, crises custaram a arranhar a imagem do presidente

Rodrigo de Almeida, especial para o iG |

Não foram poucos os escândalos políticos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Houve casos como as irregularidades nos bingos, denúncias envolvendo os Correios, o mensalão, os dólares na cueca, o caseiro Francenildo, os sanguessugas, os aloprados. Ainda assim, a aprovação tanto do governo como do próprio presidente Lula se mantiveram em curva ascendente, especialmente no segundo mandato.

O único escândalo que parece ter tido força suficiente para macular a imagem do presidente, mesmo momentaneamente, foi a sequência do mensalão. Em novembro de 2005, após meses de denúncias sobre o suposto esquema de compra de apoio no Congresso, o presidente chegou a ficar com apenas 31,1% de avaliação positiva de seu governo. O esquema, tinha como intermediário o publicitário Marcos Valério, derrubou o então ministro da Casa Civil José Dirceu, homem forte do governo Lula.

A sequência de escândalos deu pouca trégua a Lula. O próprio mensalão nasceu de um outro caso, o dos Correios, no qual veio à tona o uso de indicações políticas em cargos de confiança de estatais para a interferência em licitações e a possível arrecadação de recursos ilícitos, para benefício próprio dos políticos em questão ou para reforçar caixa dois de campanhas eleitorais.

E depois, o próprio mensalão se desdobrou em outros, como o escândalo dos dólares na cueca, encontrados com um dirigente do PT cearense no aeroporto de São Paulo, ou mesmo o da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, que, pouco antes, havia feito denúncias contra o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

Dominó

Ano a ano, as denúncias atingiram em cheio aliados próximos do presidente. Se o mensalão tirou de cena nomes como Driceu e o então presidente do PT José Genoino, o caso Francenildo custou a Palocci a cadeira de ministro da Fazenda. No mesmo ano, o escândalo dos aloprados - marcado pela tentativa de compra de um dossiê contra tucanos durante a campanha de 2006 - arranhou a imagem de petistas como o senador Aloizio Mercadante, então candidato ao governo de São Paulo.

No meio do caminho, até o irmão do presidente chegou a estampar as manchetes dos jornais - Genival Inácio da Silva, o Vavá, viu-se envolvido em denúncias de lobby durante uma operação da Polícia Federal para desmantelar a máfia dos caça-níqueis, em 2007.

Mas mesmo que não tenham abalado definitivamente o governo, as crises criaram obstáculos importantes para Lula. Ainda abalado pelas denúncias do mensalão, o presidente teve de enfrentar um segundo turno ao tentar se reeleger em 2006. O mesmo ocorreu com sua afilhada política Dilma Rousseff na eleição deste ano. Se não fosse a crise que derrubou a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, petistas acreditam que Dilma poderia ter levado a corrida presidencial ainda no primeiro turno, avaliam os petistas.

 

DEZ ESCÂNDALOS DO GOVERNO LULA

BINGOS

Quando estourou – Março de 2004
Envolvidos – Waldomiro Diniz, então sub-chefe de assuntos parlamentares da Presidência da República, considerado homem de confiança de José Dirceu, então ministro da Casa Civil e homem forte do governo Lula; Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, empresário do ramo dos jogos.
Escândalo – Carlinhos Cachoeira divulgou gravações de 2002, em que Waldomiro, que então comandava a Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro) aparece negociando propina. O dinheiro iria reforçar o caixa dois das campanhas de Rosinha Garotinho e Benedita da Silva ao governo do Estado. Bispo Rodrigues, então deputado federal, foi afastado da Igreja Universal por também aparecer como beneficiário do esquema.

CORREIOS

Quando estourou – Abril de 2005
Envolvidos – Maurício Marinho, funcionário dos Correios, e Roberto Jefferson (PTB), deputado federal, que seria seu padrinho político.
Escândalo – O advogado Joel Santos Filho divulga gravação em que, disfarçado de empresário, mostrava Maurício Marinho recebendo propina para fraudar uma licitação nos Correios. Marinho dizia ter o respaldo de Roberto Jefferson para realizar a transação. Escândalo deu origem à maior crise do governo Lula, o mensalão.

MENSALÃO

Quando estourou – Junho de 2005
Envolvidos – Roberto Jefferson (PTB), deputado federal, o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, o publicitário Marcos Valério, Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, e diversos parlamentares.
Escândalo – Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Roberto Jefferson revelou a existência de um suposto esquema de compra de parlamentares pelo governo federal, que chamou de “mensalão”. O caso foi investigado pela CPI dos Correios, que por meses tomou depoimentos dos envolvidos e concluiu pela existência de um esquema de captação de recursos para um caixa dois de campanhas eleitorais de aliados do governo Lula. O procurador-geral da República, entretanto, apontou a existência de uma "quadrilha", cujo chefe seria José Dirceu. Ao todo, 40 pessoas foram denunciadas.

DÓLARES NA CUECA

Quando estourou – Julho de 2005
Envolvidos – José Adalberto Vieira da Silva, assessor parlamentar de José Nobre Guimarães, deputado estadual do PT-CE e irmão de José Genoino, então presidente nacional do PT; Kennedy Moura Ramos, dirigente do PT cearense e assessor especial do BNB (Banco do Nordeste do Brasil) e outros diretores do banco.
Escândalo – José Adalberto foi flagrado no aeroporto de Guarulhos com US$ 100 mil escondidos na cueca e outros R$ 200 numa valise. O fato ocorreu no mesmo dia em que o PT se reunia para decidir a reação do partido à crise do mensalão e tornou insustentável a permanência de José Genoino no comando do partido. Investigações mostraram que Adalberto teria ido buscar propina de empresários interessados em montar uma linha de energia elétrica entre o Piauí e o Ceará, com recursos financiados pelo BNB.

FRANCENILDO

Quando estourou – Março de 2006
Envolvidos – Antonio Palocci, então ministro da Fazenda, Francenildo Santos Costa, caseiro de uma residência frequentada por Palocci.
Escândalo – Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Francenildo contou que Palocci frequentava uma mansão no Lago Sul, em Brasília, onde haveria festas e distribuição de dinheiro. O caseiro teve seu depoimento na CPI silenciado por uma liminar, mas o caso ganhou força quando a revista Época publicou um extrato bancário do caseiro. O extrato exibia um saldo de R$ 38.860,00, valor que seria incompatível com seus ganhos. Segundo caseiro, o dinheiro teria sido depositado por seu pai biológico. Associado à quebra de sigilo, Palocci teve de deixar o Ministério da Fazenda. Este ano, ele livrou-se das denúncias no Supremo Tribunal Federal.

SANGUESSUGAS

Quando estourou – Maio de 2006
Envolvidos – Dezenas de deputados e assessores parlamentares, sócios da empresa Planam, assessores do Ministério da Saúde.
Escândalo – Escândalo descoberto em operação da Polícia Federal. Assessores parlamentares e do Ministério comandariam máfia para desviar recursos empregados na compra de ambulâncias. A atuação dos parlamentares era para destinar recursos de emendas individuais ao Orçamento da União para determinados municípios que, por sua vez, compravam e equipavam as ambulâncias em licitações viciadas. Mais de mil ambulâncias foram distribuídas dessa forma pelo país, com um prejuízo aos cofres públicos calculado em R$ 110 milhões.

“ALOPRADOS”

Quando estourou – Setembro de 2006
Envolvidos – Gedimar Passos, Vadebran Padilha e Hamilton Lacerda, este último então chefe de comunicação da campanha de Aloizio Mercadante, o empresário Luiz Antônio Vedoin, entre outros Escândalo – A Polícia Federal prendeu os petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha em um hotel em São Paulo, com R$ 1,7 milhão. O dinheiro serviria para comprar um suposto dossiê para prejudicar tucanos na eleição daquele ano. O apelido "aloprados" foi dado pelo próprio presidente Lula, que procurou eximir dirigentes do partido de responsabilidade. O caso chegou até o presidente do PT, Ricardo Berzoini, que chegou a se afastar do cargo. Ninguém foi foi denunciado.

CARTÕES CORPORATIVOS

Quando estourou – Janeiro de 2008
Envolvidos – Matilde Riberio, Orlando Silva, Altemir Gregolin, entre outros ministros do governo Lula. Escândalo – Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo identificou gastos abusivos com cartões corporativos pelo governo Lula. Matilde Ribeiro teria usado seu cartão para pagar contas em um free shop, enquanto Orlando Silva teria comprado até tapioca. Matilde perdeu o cargo após a crise.

DOSSIÊ DE FHC

Quando estourou – Março de 2008
Envolvidos – Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, e Dilma Rousseff, então ministra, e José Aparecido Nunes Pires, secretário de controle interno da Casa Civil, que havia sido indicado para o cargo ainda por José Dirceu.
Escândalo – Reportagem da revista Veja acusou o governo de preparar um dossiê com informações sobre gastos de Fernando Henrique Cardoso. Dilma negou ter feito um dossiê contra o ex-presidente e sua mulher, Ruth Cardoso, mas admitiu haver um banco de dados oficial sobre o assunto. José Aparecido Nunes Pires foi apontado como responsável pelo vazamento das informações.

ERENICE

Quando estourou – Setembro de 2010
Envolvidos – Erenice Guerra, então ministra da Casa Civil, seu filho Israel Guerra, o ex-chefe de gabinete da Casa Civil, Vinícius Castro, Rubnei Quícoli, entre outros
Escândalo – Reportagem da revista Veja apontou a existência de um suposto esquema de lobby na Casa Civil do governo Lula, no auge do primeiro turno da corrida presidencial. O caso envolvia diretamente o filho de Erenice Guerra, Israel Guerra. Ex-braço direito de Dilma nos tempos em que a presidenta eleita comandava a Casa Civil, Erenice acabou tendo que deixar o cargo diante do agravamento da crise.

*Colaborou Kamila Fernandes

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