Tio sai em defesa de J., primo do goleiro Bruno

Tio do adolescente diz que ele não é drogado. Polícia mineira confirma que Bruno e suposta amante ajudaram no sequestro de Eliza

AE |

A afirmação da mãe de J. - cujo depoimento provocou uma reviravolta nas investigações sobre a morte de Eliza Samudio -, de que o jovem é mentiroso e drogado, causou indignação no tio do menor. Responsável por tornar pública a existência de J., o motorista de ônibus de 59 anos afirma que o jovem "fuma maconha de vez em quando e não é drogado". Segundo o tio, o adolescente não teria motivos para inventar tantos detalhes sobre o crime.

Os delegados que apuram o desaparecimento de Eliza confirmaram, na sexta-feira, que no dia 6 de junho o atleta se hospedou em um motel de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, acompanhado da suposta amante Fernanda Gomes de Castro, do amigo Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão; de J; além de Eliza e do filho dela. Apesar das várias versões sobre o assassinato de Eliza, a polícia acredita que já tem elementos para fechar o inquérito e promover indiciamentos.

Segundo a delegada Alessandra Wilke, da Delegacia de Homicídios de Contagem, Eliza teria sido sequestrada por Macarrão e pelo primo de Bruno na noite do dia 4 de junho em um hotel do Rio, onde ela e o filho estavam hospedados. Antes de seguir para Minas na Range Rover do goleiro, dirigida por Macarrão e tendo também como ocupante o adolescente, Eliza ficou durante um dia e meio na casa de Bruno no Recreio dos Bandeirantes. O grupo viajou após um jogo entre Flamengo e Goiás, na noite do dia 5. O ex-goleiro do Flamengo e Fernanda viajaram em uma BMW X5 cor preta.

Quando chegaram em Contagem, por volta de 5h40 do dia 6, o grupo parou estrategicamente, segundo o Alessandra Wilke, no motel em Contagem, onde ficaram cerca de quatro horas. "Conseguimos comprovar a estada por meio de depoimentos e do cartão de débito bancário onde o Bruno pagou as duas suítes. Após a saída, foi identificada a fralda da criança", afirma a delegada. Os delegados informaram ainda que por volta de 11h do dia 6 o grupo seguiu para o sítio, onde Eliza foi mantida em cárcere privado até o dia 9, data em que provavelmente foi assassinada.

No último depoimento prestado à polícia, Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, contou que Fernanda foi para Minas com o goleiro do Flamengo na BMW X5 e cumprimentou Eliza no sítio, "parecendo até que se conheciam".

Segundo Sérgio, na noite do dia 7, a caminho de um bar em Ribeirão das Neves, Fernanda perguntou ao goleiro o que faria com a "menina". "Eu vou dar um apartamento para ela aqui em Minas, em Belo Horizonte de preferência", Bruno teria respondido. Na quinta-feira, Sérgio recuou e negou que o goleiro tenha presenciado ou estivesse com o grupo que supostamente participou da execução de Eliza.

Mas afirmou que todos os suspeitos, à exceção de Dayanne - que passou mal e não falou nada em depoimento ontem -, poderiam ter evitado "que o pior ocorresse". Ele afirmou que chegou a ser ameaçado de morte em duas oportunidades por Macarrão, caso "abrisse o bico". "Eles me deixaram na mão sem advogado. Agora vem querer me oferecer advogado. Não adianta mais não, já abri o bico."

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