Primo de Bruno será ouvido nesta quarta-feira na audiência de instrução sobre a morte de Eliza Samudio

Sérgio Rosa Sales, de 22 anos, primo de Bruno Fernandes, deve confirmar à juíza Mariza Fabiane Lopes, no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, que viu Eliza Samudio no sítio do goleiro dias antes dela desaparecer e ser considerada morta pela polícia. No entanto, ao contrário do primeiro depoimento que prestou – em que dizia que o jogador teve participação ativa no assassinato – agora ele deve negar que viu Bruno levando Eliza para ser morta na casa de Bola.

As informações foram passadas ao iG , nesta terça-feira, pelo novo advogado de Sérgio, Willer Vidigal, que assumiu o caso há menos de uma semana. “Ele vai confirmar o depoimento e acareação que fez com o menor. Aquilo foi feito perante advogados, a mãe dele, do menor”, afirma.

O depoimento de Sérgio é um dos mais aguardados na audiência de instrução que deve decidir se Bruno e outros oito acusados pela morte de Eliza irão a júri popular. Até a tarde desta terça-feira, apenas duas pessoas prestaram depoimento: Dayanne Souza, ex-mulher do jogador, e Flávio Caetano de Araújo. Por volta das 18h, Wemerson Marques era ouvido.

Os interrogatórios são longos, já que a juíza autorizou que, após ela questionar um réu, todos os advogados de defesa dos outros acusados a fazer perguntas.

Contradições de Sérgio

Na acareação, realizada na sede do Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP), em Belo Horizonte, no dia 27 de julho, entre Sérgio e J., primo adolescente de Bruno, Sérgio voltou atrás e disse que o goleiro ficou com ele no sítio enquanto Macarrão saiu com Eliza. Ele teria dito que iria levá-la para conhecer um novo apartamento.

Antes, Sérgio afirmava que Bruno se juntou a Macarrão, ao menor, a Eliza, e ao bebê na noite de 9 de junho, dia em que, segundo as investigações da polícia, ela foi assassinada em Vespasiano. Por conta disso, Sérgio era tido como testemunha chave para incriminar o goleiro.

“Ele viu Eliza a partir de segunda (6). Ficou segunda, terça e, na quarta, saiu cedo”, diz o advogado. Ele acrescenta que Sérgio irá reafirmar que não teve qualquer tipo de participação no crime. “Ele é testemunha. Espero que não mude o depoimento”, diz o advogado.

Outro ponto polêmico deve ser em relação ao depoimento que Sérgio prestou, no último dia 3 de novembro, em que afirma que foi torturado pelo delegado Edson Moreria, da Delegacia de Homicídios de Contagem, para que incriminasse o goleiro e outras pessoas. Para o advogado Vidigal, foi uma surpresa o que ele contou. “Tudo o que relatou de ter sido torturado, agredido era reservado para que falasse perante a juíza. Esse seria o momento oportuno. Não se sabe por que ele falou aquilo.”

Desde esse dia, o advogado Marco Antonio Siqueira deixou a defesa do jovem a pedido dele próprio. “Foi pressão do Ércio (advogado do Bruno), Macarrão...Pressionaram demais”, considera Vidigal. Apesar disso, enfatiza a competência do colega e diz que trabalha em conjunto com Siqueira. “São dois escritórios juntos, não sei nem por que não me tiraram do caso”.

Sumiço do bebê

Sérgio, segundo ele, irá confirmar também a informação passada pela ex-mulher do jogador Dayanne Souza, de que Macarrão teria afirmado que queria sumir com o filho de Eliza. “Ele vai confirmar, o menor que disse isso a ele”.

Em carta pelo Ministério Público, Dayanne disse que, se não tivesse cuidado da criança, ela muito provavelmente estaria morta. “Muitos dizem que eu estava no lugar errado e na hora errada, mas talvez eu estava sim, no local errado, mas na hora certa. Saber que Bruno Samudio está bem, para mim já é um alento.(...) Ter cuidado do bebê de Bruno foi o erro mais acertado e é a Deus que agradeço hoje por Bruno Samudio ter fôlego de vida”, escreveu.

Sérgio e o menor, segundo Vidigal, chegaram a “parabenizar” Dayanne pela atitude.

“Inocência”

Na saída do Fórum de Contagem, após acompanhar o depoimento de Flávio Caetano de Araújo, os pais de Sérgio, Ângela Maria Rosa Sales e Carlos Alberto Sales, afirmaram ao iG terem “confiança” na inocência do filho. “”Estou confiante, com fé em Deus”, disse a mãe, ao que foi completada pelo pai “Espero que essa menina (Eliza) apareça e esteja viva”. Os dois evitaram falar sobre a troca de advogados e disseram que “não se metem” nesses assuntos.

Sales ressaltou o bom relacionamento do filho e do goleiro. “Estavam sempre juntos, quando Bruno foi para o Corinthians ele foi e para o Rio também. Eram de confiança”, diz. Ao saber que Sérgio não seria mais ouvido nesta terça-feira, os dois deixaram o fórum.

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