Sem uniforme da penitenciária, Bola nega crime em audiência

Acusado de matar Eliza, ex-policial civil negou o crime e disse que só conheceu os outros acusados na prisão

Lectícia Maggi e Camila Dias, de Contagem |

Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, prestou depoimento por duas horas nesta sexta-feira no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Diferentemente dos acusados da morte de Eliza Samudio, Bola não vestia o uniforme vermelho da Subsecretaria de Administração Penitenciária (Suapi). Ele vestiu uma camiseta branca com listra azul, calça jeans e tênis.

Antes de começar a falar, ele recebeu uma garrafa de água e remédios do seu advogado. A juíza Marixa Fabiane Lopes, que preside a sessão, questionou para o que seriam os medicamentos e ele respondeu com voz embargada: “Estou tomando muitos remédios”. Ela leu a receita e o autorizou a ingerir o comprimido.

O ex-policial civil afirmou que nunca viu nenhum dos acusados de matar Eliza Samudio e que os conheceu na delegacia, após ser preso.

Ao responder às perguntas sobre a qualificação civil, o ex-policial chorou ao dizer o nome dos pais e o endereço onde mora. Quando perguntado se já foi preso e processado alguma vez, ele afirmou que foi vítima de armação de um delegado da polícia civil que se aposentou. "Isso foi uma armação do delegado P.R.M., que acionou a polícia militar. Havia uma arma no cofre da minha casa para ser entregue à polícia federal durante a primeira anistia da Lei do Desarmamento. Isso foi uma armação da polícia. Eles disseram que eu era um marginal perigoso no meu bairro”, desabafou.

AE
Bola é interrogado pela juíza no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte
Bola chorou novamente quando a juíza perguntou sobre os cachorros. “Eles foram exterminados doutora. Tinham oito filhotinhos de dois meses e meio.” Ele afirmou que não treinava os cachorros para matar ninguém. "Eles eram tratados na obediência. Eu dava ração e pão. Eu vi todas essas atrocidades, que meus animais comeram a mulher. Quero ressaltar que eles não comem carne crua. Eles só comem carne cozida ou frita. Eu queria, excelência, se pudesse, que vocês trouxessem meus cachorros aqui e fizessem o teste, dando carne crua para eles. Vocês vão ver que eles não comem.”

Bola explicou ainda que ia para a faculdade às quintas-feiras e, coincidentemente, o dia 10 de junho, quando Eliza sumiu, foi numa quinta-feira. O acusado explicou que faz um curso à distância e o campus da faculdade é exatamente na região da Pampulha. Na época das investigações, os delegados divulgaram o mapa de ligações telefônicas realizadas entre Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e Marcos Aparecido dos Santos. Naquela ocasião, o delegado Edson Moreira explicou que os dois se comunicaram quando estavam na região da Pampulha, levando Eliza Samudio para morrer em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo Bola, o delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP), o ameaçou e à sua família. “Ele chegou para mim e falou que não tinha medo de mim. Me perguntou se eu tinha uma filha que mora em São Paulo e há quanto tempo eu não via minha filha. Eu respondi que não a via havia quatro meses, então o delegado me perguntou: ‘Já pensou em ver sua filha retalhada igual você fez com Eliza Samudio’?”

De acordo com Marcos Aparecido, isso aconteceu na primeira vez em que foi levado ao DIHPP. Na segunda vez, o delegado teria ameaçado colocar o ex-policial civil no 'pau-de-arara'.

O ex-policial confirmou ainda a denúncia de extorsão divulgada recentemente por Ércio Quaresma. De acordo com Bola, a extorsão aconteceu no último dia em que esteve no Departamento de Investigação. "Era para eu pedir R$ 2 milhões ao patrão", afirmou.

Na plateia, dois filhos de Santos e a mulher assistiram ao depoimento na 4ª e última fileira. Bola, ao término do seu depoimento, pôde ver os filhos e a mulher ainda na tribuna, observado por dois policias. Eles se beijaram e abraçaram longamente, sendo que a mulher e a filha cochichavam em seu ouvido e acariciavam seu rosto e cabeça a todo momento, bastante emocionadas.

A filha Midian Kelly dos Santos, de 23 anos, chegou, por volta das 9h30 ao Fórum, e, momentos antes de entrar na sala, afirmou esperar que o pai seja solto rapidamente. “Acredito na inocência dele desde o dia em que foi detido, todas as pessoas que depuseram até agora não conheciam meu pai, só tiveram conhecimento no DI (Departamento de Investigações)”, disse.

Bola é acusado pela polícia de ter assassinado Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, na casa dele, no bairro Santa Clara, em Vespasiano (MG). “Ele não tem nada a ver com o caso, a gente nem sabe por que ele está envolvido nisso, não conhece essa moça”, disse ela, que afirmou acreditar que “a Justiça será feita”. Quando viu o pai entrar para depor cercado por seguranças, ela abaixou a cabeça e não conteve o choro.

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