Primo do goleiro Bruno depõe em Contagem

Depoimento de Sérgio Rosa Sales é um dos mais aguardados. Segundo advogado, ele deve confirmar que viu Eliza

Lectícia Maggi, enviada a Contagem |

O primo do goleiro Bruno Fernandes, Sérgio Rosa Sales, chegou por volta das 7h50 ao Fórum de Contagem em Minas Gerais. Vestindo um colete anti-bala, ele entrou rapidamente, sem esboçar nenhum tipo de reação. Um dos mais aguardados, o depoimento dele, que começou com 1h30 de atraso, é o primeiro desta quarta-feira, terceiro dia de audiência. Apesar das contradições, ele e o menor J. são tidos como testemunhas chaves do processo que investiga a morte de Eliza Samudio, ex-amante do atleta.

Sérgio é o único dos 8 acusados presente no Fórum. A juíza Marixa Fabiane Lopes, que preside a sessão, ainda não estabeleceu quem será o próximo a ser ouvido e há possibilidade de que somente Sérgio fale hoje. Todos os outros réus são representados por advogados no plenário.

Antes de começar a ler os três depoimentos prestados por Sérgio à polícia civil, a juíza permitiu fotos do acusado.

Sentada na 2ª fileira, vestindo uma blusa verde e calça jeans, a mãe de Sérgio, Angela Maria Rosa Sales, acompanha atentamente o interrogatório do filho. Na sala de audiência há apenas jornalistas e alguns pontos familiares, como a mãe de Fernanda Gomes de Castro, também ex-amante do atleta, Solange Castro.

A mãe de Eliza também acompanha a sessão. Ao ouvir a leitura do 1º depoimento de Sérgio - em que ele conta detalhes de como Eliza teria sido morta e o corpo dado a cães - ela tirou da bolsa um lenço de papel para enxugar os olhos.

Em entrevista ao iG terça-feira, o advogado de Sérgio, Willer Vidigal, adiantou que seu cliente deve manter a versão apresentada na acareação com o adolescente. “Ele vai confirmar o depoimento e acareação que fez com o menor. Aquilo foi feito perante advogados, a mãe dele, do menor”, afirma.

Contradições de Sérgio

Na acareação, realizada na sede do Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP), em Belo Horizonte, no dia 27 de julho, entre Sérgio e J., primo adolescente de Bruno, Sérgio voltou atrás e disse que o goleiro ficou com ele no sítio enquanto Macarrão saiu com Eliza. Ele teria dito que iria levá-la para conhecer um novo apartamento.

Antes, Sérgio afirmava que Bruno se juntou a Macarrão, ao menor, a Eliza, e ao bebê na noite de 9 de junho, dia em que, segundo as investigações da polícia, ela foi assassinada em Vespasiano. Por conta disso, Sérgio era tido como testemunha chave para incriminar o goleiro.

“Ele viu Eliza a partir de segunda (6). Ficou segunda, terça e, na quarta, saiu cedo”, diz o advogado. Ele acrescenta que Sérgio irá reafirmar que não teve qualquer tipo de participação no crime. “Ele é testemunha. Espero que não mude o depoimento”, diz o advogado.

Outro ponto polêmico deve ser em relação ao depoimento que Sérgio prestou, no último dia 3 de novembro, em que afirma que foi torturado pelo delegado Edson Moreria, da Delegacia de Homicídios de Contagem, para que incriminasse o goleiro e outras pessoas. Para o advogado Vidigal, foi uma surpresa o que ele contou. “Tudo o que relatou de ter sido torturado, agredido era reservado para que falasse perante a juíza. Esse seria o momento oportuno. Não se sabe por que ele falou aquilo.”

Desde esse dia, o advogado Marco Antonio Siqueira deixou a defesa do jovem a pedido dele próprio. “Foi pressão do Ércio (advogado do Bruno), Macarrão...Pressionaram demais”, considera Vidigal. Apesar disso, enfatiza a competência do colega e diz que trabalha em conjunto com Siqueira. “São dois escritórios juntos, não sei nem por que não me tiraram do caso”.

Sumiço do bebê

Sérgio, segundo ele, irá confirmar também a informação passada pela ex-mulher do jogador Dayanne Souza, de que Macarrão teria afirmado que queria sumir com o filho de Eliza. “Ele vai confirmar, o menor que disse isso a ele”.

Em carta pelo Ministério Público, Dayanne disse que, se não tivesse cuidado da criança, ela muito provavelmente estaria morta. “Muitos dizem que eu estava no lugar errado e na hora errada, mas talvez eu estava sim, no local errado, mas na hora certa. Saber que Bruno Samudio está bem, para mim já é um alento.(...) Ter cuidado do bebê de Bruno foi o erro mais acertado e é a Deus que agradeço hoje por Bruno Samudio ter fôlego de vida”, escreveu.

Sérgio e o menor, segundo Vidigal, chegaram a “parabenizar” Dayanne pela atitude.

“Inocência”

Na saída do Fórum de Contagem, após acompanhar o depoimento de Flávio Caetano de Araújo, na terça-feira, os pais de Sérgio, Ângela Maria Rosa Sales e Carlos Alberto Sales, afirmaram ao iG terem “confiança” na inocência do filho. “Estou confiante, com fé em Deus”, disse a mãe, ao que foi completada pelo pai “Espero que essa menina (Eliza) apareça e esteja viva”. Os dois evitaram falar sobre a troca de advogados e disseram que “não se metem” nesses assuntos.

Sales ressaltou o bom relacionamento do filho e do goleiro. “Estavam sempre juntos, quando Bruno foi para o Corinthians ele foi e para o Rio também. Eram de confiança”, diz. Ao saber que Sérgio não seria mais ouvido nesta terça-feira, os dois deixaram o fórum.

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