Primo de Bruno reafirma que foi torturado para incriminar goleiro

Sérgio Rosa Sales nega primeiro depoimento dado à polícia e tira goleiro do local onde Eliza Samudio teria sido morta

Lecticia Maggi e Camila Dias, de Contagem |

O primo do goleiro Bruno Fernandes, Sérgio Rosa Sales, de 22 anos, reafirmou, nesta quarta-feira, durante audiência no Fórum de Contagem, em Minas Gerais, que foi torturado por delegados para dizer que Bruno foi com o menor J. e Macarrão levar Eliza Samudio para ser morta na casa do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Ele voltou atrás em diversas declarações dadas no 1º depoimento formal que prestou, assinado no dia 8 de julho.

AE
Sérgio Rosa Sales é interrogado no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte
Segundo ele, este depoimento durou mais de 12h e foi dado na presença dos delegados Alessandra Wilke, Júlio Wilke e Edson Moreira. “Júlio Wilke deu um soco no peito para eu falar as coisas e depois me deu uma sacolada, colocou o saco na cabeça e começou a me dar socos, mandava eu falar que tinha ido no dia. Ele falava: ’os dois não foram sozinhos, foram com mais alguém e você vai ter que dar nome, daí falei o Bruno’”, justificou ele.

Sérgio disse, em diversos momentos, que foi “pressionado” e que isso começou logo quando foi preso. “Quando estava no camburão, algemado. Dr Julio (delegado Júlio Wilke) veio perguntando onde estava o corpo de Eliza, eu disse que não sabia e ele me tirou do camburão e me bateu”. Outra policial, identificada por ele como Laura, também o teria agredido. “A Laura ficava falando que eu era bandido e batia no meu rosto. ‘Tá todo mundo lá embaixo ( os presos) doidinho querendo sua carne’, ela falava” , afirmou.

Ele nega também a fala que atribuiu ao primo depois que ele teria voltado de levar Eliza para ser asssassinada. No 1º depoimento, diz que questionou Bruno: “’Não era melhor você ter resolvido isso na Justiça?’ Aí Bruno disse: ‘já tá feito, cara’”. Hoje, ele negou este diálogo e diz que foi “fruto da sua imaginação”.

Sérgio voltou atrás ainda em relação ao machucado que Eliza teria na cabeça e afirmou que não vou nada. Além disso, minimizou o suposto cárcere privado sofrido pela garota e disse que ela andava livremente pelo sítio. “Eliza andava a vontade por toda a parte da casa. A autoridade de tanto pressionar acabei inventando isso”.

O acusado disse ainda que achava que Eliza tinha ido embora para ser levada a um apartamento que Bruno daria a ela e soube pelo primo, o adolescente J., o que de fato havia acontecido. “Eu perguntei do dia que tinham levado ela embora, onde era o apartamento, e daí ele falou: ‘ vou te falar a verdade e disse que tinham levado ela para morrer’”, afirmou. Sobre quem estava no Eco Sport, enfatizou: “J. , Macarrão, Eliza e neném”.

Sentada na 2ª fileira, vestindo uma blusa verde e calça jeans, a mãe de Sérgio, Angela Maria Rosa Sales, acompanha atentamente o interrogatório do filho. Na sala de audiência há apenas jornalistas e alguns pontos familiares, como a mãe de Fernanda Gomes de Castro, também ex-amante do atleta, Solange Castro.

A mãe de Eliza também acompanha a sessão. Ao ouvir a leitura do 1º depoimento de Sérgio - em que ele conta detalhes de como Eliza teria sido morta e o corpo dado a cães - ela tirou da bolsa um lenço de papel para enxugar os olhos.

Festas

A magistrada Marixa Fabiane Lopes fez perguntas sobre possíveis festas ocorridas no sítio de Bruno, em Esmeraldas (MG). O objetivo é saber se aconteciam orgias com prostitutas no local. “Ah, teve festa sim, com umas mulheres lá, mas elas eram mais ou menos prostitutas, porque faziam as coisas todas, mas não cobravam nada. Eram mais ou menos safadas. Já foram outras mais safadas lá”, disse Sérgio à juíza.
A juíza disse que Sérgio estava mentindo. “Eu sei quando você está mentindo. Você já mentiu algumas vezes, assim como outros que já foram interrogados”, disse Marixa Fabiane.

Sérgio Rosa Sales negou que seja inimigo de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, mas afirmou que tem um ressentimento pelo modo como Bruno Fernandes o mandou embora do Rio de Janeiro para Belo Horizonte. “Inimigo não. Briga não teve não. Eu só achei estranho o jeito que Macarrão entrou na vida do Bruno, quando eu fui embora do Rio”, disse. Segundo o acusado, o goleiro Paulo Vítor, Macarrão e um homem citado apenas como Marcelão o acusaram e roubo, por isso Bruno o mandou embora.

“Eu tinha o costume de comer e beber em um quiosque de uma praia no Rio, então os três falaram pro Bruno que estava transformando essa bebida em dinheiro. Até hoje eu não tenho nenhum cartão de crédito, onde que tá o dinheiro que estou roubando”? Quando perguntado sobre sua relação com Dayanne, Sérgio respondeu: “Tenho a Dayanne como uma segunda mãe. Bruno e ela são meus pais. Eles cuidaram de mim”.

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