Polícia investigará delegado acusado por Bruno

Delegado Edson Moreira é acusado de chantagear o goleiro: "Ele me pediu R$ 2 milhões", disse Bruno

Denise Motta, iG Minas |

O delegado responsável pelas investigações do desaparecimento de Eliza Samudio, Edson Moreira, será investigado por suposto envolvimento em uma trama de chantagem envolvendo o ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes de Souza. O próprio atleta denunciou o caso nesta terça-feira (28), na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

Leia cobertura completa do caso Bruno

A assessoria de imprensa da Polícia Civil afirmou que a denúncia provoca a abertura de um procedimento interno na corregedoria para apurar as acusações contra Moreira. Para começar a investigar as denúncias de Bruno, a polícia aguarda cópia do depoimento do atleta dado a deputados estaduais durante 35 minutos na manhã desta terça.

De acordo com Bruno, Moreira teria pedido R$ 2 milhões para que a culpa do desaparecimento de Eliza recaísse sobre Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e um primo de Bruno adolescente. Ao recusar a proposta, Bruno teria ouvido uma ameaça do delegado.

“Ele (Edson Moreira) me pediu R$ 2 milhões. Conseguiria num estalar de dedos, mas quero sair de cabeça erguida. Falei com ele que não devia nada, considero o Macarrão uma criança e o menor de idade já diz tudo. Jamais faria esta covardia. Isso não é da minha índole. Então ele me perguntou o que eu pensaria de achar pedaços das minhas filhas espalhados por Minas Gerais, pedaço de perna, ou seja, minhas filhas decapitadas”, contou Bruno, acusado de matar e ocultar o corpo de sua ex-amante Eliza Samudio, com quem teve um filho, Bruninho, hoje com um ano e cinco meses. Procurado pelo iG , Moreira preferiu não comentar as declarações do ex-goleiro.

AE
Ex-goleiro Bruno chora em audiência sobre suposto caso de extorsão denunciado por sua noiva

A presença de Bruno era aguardada na assembleia para esclarecer uma suposta venda de habeas corpus a favor dele. O esquema envolveria a juíza da comarca de Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte, Maria José Starling. Procedimento investigatório na corregedoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais envolvendo a magistrada foi instaurado há uma semana, no dia 21 de junho, e tem previsão de conclusão entre 21 de julho e 21 de agosto. As informações são da assessoria de imprensa do judiciário mineiro.

A magistrada é acusada pela dentista Ingrid Calheiros, noiva do ex-goleiro Bruno, de envolvimento na venda da liberdade ao atleta, por meio da concessão de um habeas corpus a favor dele, no valor de R$ 1,5 milhão. Por causa do envolvimento da magistrada, deputados estaduais estudam a viabilidade da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

O advogado da juíza, Getúlio Barbosa de Queiroz, afirmou ser infundada a denúncia contra sua cliente. Queiroz destacou que o presidente da Comissão de Direitos Humanos, Durval Ângelo (PT), teria interesses em uma vingança pessoal contra a juíza, pois foi condenado em ação de danos morais (no valor de R$ 40 mil), movida por Starling contra ele, em outro caso criminal na qual a magistrada atuou. O advogado da juíza também promete acionar novamente o parlamentar por calúnia e difamação. “Ele alimenta isso para ficar na mídia.” O deputado não foi encontrado para comentar as afirmações de Queiroz.

Também supostamente envolvido na venda do habeas corpus, o advogado Robson Pinheiro, ex-defensor de Bruno, informou por meio de nota que os serviços profissionais por ele prestados sempre obedeceram às normas éticas, legais e contratuais.

“Os honorários foram contratados, por escrito, e de comum acordo entre as partes, tendo um valor fixo e outro a depender do êxito da causa, e tiveram em conta, entre outros aspectos, a complexidade da demanda e a condição econômica do cliente”, afirmou em nota. O advogado também se disse surpreso com as acusações, a não ser pelo “ receio de ser a parte contratante executada pelo pagamento dos honorários, cujas parcelas fixas até hoje não foram honradas, bem como a tentativa de desacreditar a justiça mineira”.

O presidente da Comissão de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Minas Gerais (OAB-MG), Ronaldo Armond, afirmou que pelo estatuto da ordem são necessárias provas contra Robson Pinheiro para que seja aberto um procedimento administrativo. Estas provas, diz ele, seriam apresentadas pela noiva de Bruno, Ingrid, o que ainda não ocorreu. “Neste histórico, não vejo infração ética. Dizem que existe um contrato e eu acho difícil ele ter cometido algum equívoco em um contrato por escrito. É natural o advogado cobrar pelo habeas corpus. E se acharam que o preço de R$ 1,5 milhão era justo, não existe infração”, explicou.

    Leia tudo sobre: BrunoEliza Samudiocrime

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG