Polícia diverge sobre presença de suspeitos em delegacia

Bruno e outros suspeitos chegaram de cabeça raspada no Departamento de Investigações

Alessandra Mendes, especial para o iG |

Agência Estado
Goleiro Bruno com a cabeça raspada nesta quinta-feira
Os oito suspeitos de participação no desaparecimento e possível assassinato de Eliza Samudio, incluindo o goleiro Bruno, que chegou com a cabeça raspada, deixaram no meio da tarde o Departamento de Investigações (DI), em Belo Horizonte, onde estavam desde as 8h30 da manhã desta quinta-feira. Eles estariam na delegacia preenchendo um formulário de vida pregressa, uma ficha onde constam todos os dados pessoais dos suspeitos. 

O delegado Edson Moreira, presidente do inquérito, disse no início da manhã de hoje que eles iriam até a delegacia para identificação criminal, que inclui a coleta de digitais. Mas a assessoria de imprensa da polícia civil desmentiu o delegado, alegando que esse procedimento não seria feito. 

Stanley Gusman, representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Minas Gerais, está na delegacia acompanhando tudo que acontece. Ele ficou sabendo da coleta de digitais e resolveu conferir o trabalho dos investigadores, já que o procedimento deveria ser feito com a presença de alguém da OAB. "Firmamos um acordo e não fomos avisados. Na ótica da OAB este é um procedimento inoportuno já que os suspeitos não são obrigados a produzir provas contra si. E as digitais podem ser usadas de alguma forma nas investigações.", afirmou Gusman. 

Embora tenha sido negado pela assessoria de imprensa da Polícia Civil, o advogado do pai de Eliza, Sérgio Barros, comfirmou a coleta de digitais. "Vi quando o Bola (ex-policial civil, Marcos Aparecido dos Santos) coletava as digitais. Trata-se de um procedimento comum quando o inquérito chega na fase final", afirmou Barros. 

Até o momento a assessoria da polícia civil não confirmou a informação da coleta de digitais. E o delegado Edson Moreira disse apenas que não vai conceder entrevista coletiva nesta quinta-feira. Pelas declarações dos advogados das partes envolvidas e de acordo com fontes ligadas às investigações, o inquérito deve ser encerrado até esta sexta-feira. Antes de seguir para o Ministério Público, que é responsável pelo oferecimento de denúncia, a polícia vai decidir por quais crimes os suspeitos serão indiciados.

Cabeças raspadas

De acordo com a Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais, Bruno pediu para cortar o cabelo na penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem (Grande BH). Para se resguardar de uma suspeita de que os cabelos fossem usados para o teste de paternidade, que corre na Justiça carioca, os agentes deixaram que ele mesmo fizesse o corte.

Usando uma máquina de cortar cabelo, Bruno usou primeiro o pente de número 3, não ficou satisfeito e resolveu usar o pente menor, de número 1. O goleiro ficou com o cabelo muito curto, quase totalmente raspado. Depois os cabelos cortados foram queimados na frente do jogador para que depois não fossem levantadas dúvidas se o material teria sido usado para algum outro fim ligado às investigações de paternidade ou desaparecimento de Eliza.

A secretaria esclareceu que o detento pode cortar o próprio cabelo, levando em consideração esse tipo de ocasião. Luíz Henrique Romão, o Macarrão, amigo de Bruno, também quis cortar o cabelo e teve o pedido atendido por agentes penitenciários. Macarrão também está quase com a cabeça raspada.

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