Polícia analisará carta que seria de mulher que cuidou de Eliza

Empregada teria cuidado de ex-amante de Bruno durante cativeiro no sítio do goleiro

Alessandra Mendes, especial para o iG |

A Polícia Civil de Minas Gerais deve tomar providências nesta sexta-feira (16) em relação a uma carta, divulgada noite passada, que teria sido escrita por uma pessoa que estaria no sítio de Bruno no período em que Eliza Samudio esteve em Esmeraldas (Grande BH). A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da polícia.

A testemunha seria uma mulher que teria tomado conta de Eliza no cativeiro, citada no depoimento do adolescente como sendo uma empregada doméstica. A pessoa conta na carta que estava na casa no dia em que Eliza teria chegado, sem ferimentos, a Esmeraldas.

Ao chegar e não ver Bruno, Eliza teria começado a gritar com Sérgio e Macarrão (Luíz Henrique Romão, amigo de Bruno) dizendo que ia contar tudo à polícia e à imprensa caso o jogador não aparecesse. Um personagem tratado na carta como Júnior, nome que não confere com o do adolescente, teria dado dois tapas em Eliza que teria sido levada por Sérgio (primo de Bruno) para um quarto.

O filho de Eliza teria ficado sob os cuidados desse pessoa que escreveu a carta. Na hora do almoço, Eliza teria comido pouco com medo de ser envenenada. No mesmo dia, segundo a carta, Bruno teria chegado à casa, por volta das quatro da tarde e teria visto Eliza amamentando a criança na sala.

Bruno teria ficado nervoso e perguntado o que significava aquilo. Macarrão teria respondido que ele e Júnior tinham levado Eliza para o sítio. Bruno então teria dito que queria que eles tirassem Eliza dali, porque ela já havia acabado com a vida dele uma vez e que não queria que acabasse novamente. Bruno teria chamado um táxi e ido embora. Assim como consta no primeiro depoimento do adolescente que ele mesmo desmentiu depois, a carta diz que Bruno ficou por pouco tempo no sítio.

Segundo versão apresentada na carta, à noite teria chegado ao sítio, em um Siena Preto, um homem alto, negro e careca, que atendia pelo nome de Neném. De acordo com a pessoa que escreve a carta, ele seria alto, negro, magro e seu nome verdadeiro seria Emerson. O que contesta a versão da polícia, de que Nénem e Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, seriam a mesma pessoa. Também contesta a versão do adolescente que teria voltado atrás em sua primeira descrição e depois reconhecido Neném como sendo o Bola.

Segundo a testemunha que escreveu a carta, Neném teria perguntado a Eliza quanto ela queria para ficar calada. E ela teria respondido que queria 50 mil reais e um apartamento. O texto apresenta um elemento novo, que sugere que momentos de agressão a Eliza não tenham sido planejados pelo goleiro. De acordo com a carta, o homem teria dito que o problema de Eliza não tinha nada a ver com Bruno, só com ele.

Em seguida ele (Neném) teria perguntado à Eliza quem teria contado a ela sobre a ação deles, ação que não foi descrita na carta em nenhum momento. Um dos pontos mais obscuros conta que, na presença de Neném, Sérgio teria entregado um celular à Eliza que teria ligado para uma amiga e teria dito a uma pessoa que estava tudo bem, que ela (Eliza) estaria conseguindo o apartamento e também o dinheiro.

Depois da ligação, o Neném, que segundo quem escreveu a carta é um ex-policial civil, pergunta com quem Eliza estava falando, e logo depois bate na modelo que começa a sangrar. No final ele teria dito: "acabou agora é com a gente".

No outro dia, Neném teria dado cinco mil reais à pessoa que escreveu a carta e teria mandado que ela sumisse. Seis horas depois, Dayanne teria chegado à casa, acompanhada de uma mulher e as duas teriam pegado o bebê e saído as pressas. Eliza teria começado a chorar, tentado fugir pela janela, mas foi amarrada e levada em um Siena Preto.

Estariam no veiculo Neném, Eliza, Macarrão, Sérgio e um motorista desconhecido. Elenílson Vitor (o caseiro do sítio do goleiro) teria mandado a mulher arrumar a casa e depois pediu que ela dormisse no local. No dia seguinte, um carro cinza teria levado a testemunha para um lugar muito longe onde ela encontrou Eliza muito machucada, sem os dois dentes na frente, com a roupa rasgada e chorando muito.

Ela (Eliza) teria dito que Neném era o responsável pelas agressões e que ela seria assassinada. A testemunha fala ainda que o homem saiu dessa casa em um carro verde importado acompanhado da mulher identificada como Maria Claudia, com Eliza no porta malas.

No final, em um trecho muito confuso, talvez a denúncia mais grave, a pessoa que escreveu a carta diz que o ex-policial estaria em contato direto com a própria polícia. Segundo relatos da testemunha que escreveu a carta, policiais sempre avisam os autores do crime contra Eliza todas as vezes que a polícia está chegando perto de descobrir o que aconteceu.

A autora da carta, segundo o veiculo que recebeu o documento (TV Record, em Belo Horizonte), combinou de conceder entrevista, mas não apareceu. Até a noite desta (quinta-feira - 15), a polícia não havia recebido a carta, segundo informou a assessoria de imprensa da corporação.

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