Motorista de Bruno muda versão de depoimento dado à Polícia Civil

Flávio Caetano de Araújo afirma agora ter conhecido Eliza Samudio no sítio do goleiro Bruno em Belo Horizonte

Camila Dias, especial para o iG |

Flávio Caetano de Araujo, motorista do goleiro Bruno, depôs nesta terça-feira na audiência de instrução sobre o desaparecimento e morte de Eliza Samudio, no Fórum de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Após ouvir a leitura das declarações feitas à polícia civil em que negou conhecer Eliza, Araújo mudou a versão. Ele afirmou à juíza Marixa Lopes que viu a ex-amante do goleiro no sítio. “Eu disse que não conhecia e que nunca tinha visto Eliza porque na delegacia ninguém me mostrou foto e ninguém me falou como ela era. Depois eu me lembrei que a vi no sítio”, afirmou.

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Flávio Caetano de Araujo, motorista do goleiro Bruno, em depoimento no Fórum de Contagem, em Minas Gerais
Araujo seria o segundo a depor hoje mas, a pedido da defesa, a ordem foi invertida. Depois dele, será a vez do amigo de Bruno Wemerson Marques de Souza, o Coxinha. Por último, a juíza ouvirá Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro.  A mãe de Eliza, Sônia de Fátima Moura, chegou ao Fórum por volta das 9h. “Espero que eles revelem onde está o corpo da minha filha”, desabafou.

Primeiro dia

A audiência de segunda-feira sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, mãe de um filho do goleiro Bruno Fernandes, durou mais de dez horas. A sessão foi marcada por sono de advogado e choro da ex-mulher de Bruno Dayanne do Carmo Rodrigues, a primeira a prestar depoimento.

O advogado de Bruno, Ércio Quaresma Firpe, escolheu uma das cadeiras da plateia e dormiu por aproximadamente duas horas. Ao sair da sala de audiência, Dayanne chorou e mandou beijos para os parentes e amigos que assistiram ao depoimento. O advogado Quaresma, mais uma vez, foi repreendido pela magistrada Marixa Fabiane Lopes Rodrigues porque insistia em colocar apelidos nos delegados que trabalharam nas investigações. Mas desta vez Quaresma também colocou apelidos no goleiro Bruno e o chamou várias vezes de “Meu Rouxinol”.

Em seu depoimento, Dayanne Rodrigues confirmou o que disse anteriormente à Polícia Civil na fase das investigações, negando envolvimento no crime. Logo depois, o promotor Gustavo Fantini apresentou uma carta escrita por Dayanne. No documento ela afirma que Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro, disse que se a acusada não tivesse cuidado de Bruno, filho de Eliza, provavelmente ele teria sido assassinado.

O documento foi lido pela juíza. “Ao encontrar Sérgio ele me disse que na noite do dia 10 de junho de 2010, se eu não tivesse aceitado olhar o bebê, a essa hora a criança poderia estar morta porque a intenção de Macarrão era eliminar mãe e filho. Muitos dizem que eu estava no lugar errado e na hora errada, mas talvez eu estava sim, no local errado, mas na hora certa. Saber que Bruno Samudio está bem, para mim já é um alento. Criança é ser divino, digo isso porque sou mãe e estou sentindo na pele a falta das minhas filhas. Mas não. Deus não vai permitir que pese em meus ombros algo que não fiz. Ter cuidado do bebê de Bruno foi o erro mais acertado e é a Deus que agradeço hoje por Bruno Samudio ter fôlego de vida”, dizia a carta.

O advogado de Dayanne, Francisco Simim, deve pedir relaxamento de prisão ainda esta semana. “Eu devo entrar com o pedido assim que todos os réus prestarem depoimentos e estamos confiantes que ela será liberada”, disse.

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