Goleiro, Bola, Macarrão e Sérgio responderão pelo homicídio de Eliza Samudio. Outros réus vão a júri, mas responderão em liberdade

O goleiro Bruno Fernandes, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, e Sérgio Rosa irão a júri popular pelo desaparecimento e morte de Eliza Samudio. A sentença de pronúncia foi dada nesta sexta-feira pela juíza Marixa Rodrigues, do Tribunal do Júri de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Não há previsão de data para o julgamento e a defesa pode recorrer da decisão.

AE
Bruno Fernandes
A ex-mulher de Bruno Dayanne Souza, a ex-namorada Fernanda Gomes, o administrador Elenilson da Silva e o amigo do goleiro Wemerson Marques, o Coxinha, vão responder em liberdade por sequestro e cárcere privado do filho de Eliza, mas em liberdade. Fernanda também responderá em liberdade pelo sequestro e cárcere privado de Eliza. Todos vão a júri popular, porque os crimes que praticaram são conexos ao de homicídio. Eles devem ser soltos ainda nesta sexta-feira (17).

Por decisão da juíza, o motorista Flávio Araújo não será levado a júri popular. Ele era o único dos envolvidos no caso que já estava em liberdade após conseguir um habeas corpus no dia 26 de novembro.

Na sentença, a juíza afirma há provas da existência do crime e suspeita de que os acusados sejam acusados das infrações a eles atribuídas pelo Ministério Público. Para justificar a manutenção da prisão de Bruno, Bola, Macarrão e Sérgio, a magistrada alegou que “os delitos de sequestro e cárcere privado, homicídio qualificado e ocultação de cadáver contam com detalhes sórdidos e ultrapassam os limites da crueldade, geram perplexidade e intranquilizam a sociedade”.

Quanto aos outros acusados, Dayanne, Elenilson, Wemerson e Fernanda, a justificativa para que sejam soltos, segundo a juíza, é que a Lei Penal não estabelece reprimenda demasiadamente severa para os crimes pelos quais foram pronunciados.

Um outro primo do goleiro, um adolescente de 17 anos que foi o primeiro a assumir o crime, já foi condenado a cumprir medida socioeducativa por período indeterminado por envolvimento no caso. Além disso, Bruno e Macarrão também foram condenados pela Justiça do Rio de Janeiro por cárcere privado e lesão corporal contra a jovem.

Acusações

Bruno, Macarrão e Sérgio são acusados de por homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver. Bola vai a júri popular pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver.

Sumiço de Eliza

O goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo, é acusado de matar Eliza Samudio, de 25 anos, com quem manteve um relacionamento extraconjugal. A jovem está desaparecida desde 4 de junho, quando deixou um hotel na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, onde estava hospedada, e foi para o sítio do atleta, no município de Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG). Eliza viajou para o local com o filho de quatro meses, fruto da relação com Bruno. O jogador, no entanto, não concordava em assumir a paternidade da criança.

Segundo amigos da jovem, Eliza teria ido ao sítio do atleta rubro-negro para tentar chegar a um acordo sobre a briga na Justiça a respeito do reconhecimento do filho. No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias de que a mulher havia sido espancada e morta no sítio. A informação anônima dizia ainda que o bebê de quatro meses estava na propriedade.

Baseado na denúncia, a polícia foi ao local, mas não encontrou a criança. A mulher de Bruno Dayanne do Carmo Souza a princípio tentou negar que o bebê estava no sítio. Um funcionário do imóvel, conhecido como Coxinha, entretanto, acabou confessando ter recebido a criança da mulher de Bruno na margem da rodovia BR-040 (Belo Horizonte-Sete Lagoas) e o repassado a um terceiro.

Este deixou o bebê com uma senhora no bairro Liberdade, periferia de Contagem, onde ele foi encontrado no dia 26 de junho. O pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio, conseguiu a guarda do neto e o levou para sua casa, em Foz do Iguaçu (PR). No dia 8 de julho, a mãe de Eliza, Sônia Fátima Moura, conseguiu a guarda do neto na Justiça e levou a criança para Campo Grande (MS).

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