Entre orgias, polêmicas e desculpas, Bruno joga fora o sucesso

Além da festa na qual conheceu Eliza, goleiro se envolveu em confusões com companheiros de Flamengo e prostitutas antes da prisão

iG Rio de Janeiro |

A orgia na qual Bruno conheceu Eliza Samudio , na casa de sua "sombra" no Flamengo, o terceiro goleiro Paulo Victor, foi apenas uma das muitas confusões em que o capitão do hexa se envolveu durante sua passagem pelo clube. Hoje detento do presídio Nelson Hungria , em Contagem, Minas Gerais, o jogador sempre preferiu festinhas fechadas com amigos do que as noitadas, hábito de outros atletas do elenco. Bruno explicou, poucos dias antes de ser preso, em 2010, como foi o primeiro contato com Eliza, o início de uma história sem final feliz.

AE
Goleiro Bruno é fichado na polícia
Afirmou que, após a festa, descobriu se tratar de uma atriz pornô (usava o nome de Fernanda Faria em seus filmes da produtora Brasileirinhas) e chegou a fazer exame de sangue pois o preservativo havia rasgado . “Tinha homem, mulher, amigas dela, outros jogadores, uma p... Essas festas são comuns no nosso meio. Depois que ela disse que estava grávida, fui saber que todo o time do São Paulo a conhecia, que ela já tinha feito filme pornô... Fiquei até preocupado com a minha saúde, tanto que logo depois fiz exame de HIV, mas estava tudo tranquilo”, disse o goleiro, que ainda acrescentou: “Estourou, vou fazer o quê? Vacilamos”.

Renato Gaúcho, que sempre se gabou do sucesso com as mulheres, também falou sobre as festinhas dos boleiros a um jornal carioca na época da prisão de Bruno. “Orgia é algo que faz parte do universo do futebol. Tinha na minha época, antes de mim, tem agora e vai existir para sempre. Não tem jeito. E jogador tem que se relacionar com elas mesmo, não recrimino ninguém por isso, não. Para falar a verdade, até apoio. Quem é que não gosta de sexo? É a hora deles, também. Mas tem que ser mais malandro do que elas”.

O ex-camisa 1 da Gávea não tinha, segundo quem convivia com ele no clube, o hábito de frequentar boates ou festas públicas. Preferia, normalmente, o lazer privado, não raramente em companhia de garotas de programa. Uma dessas orgias acabou vindo a público . Além de Bruno, o dono da casa, estavam no sítio em Ribeirão das Neves o meia Marcinho, o atacante Diego Tardelli e o terceiro goleiro Paulo Victor. Foram para o local após um empate do Flamengo com o Atlético-MG em Belo Horizonte.

Marcinho teria agredido uma das oito garotas de programa contratadas para o evento. Duas delas prestaram queixa contra os quatro jogadores. Tardelli afirmaria em seguida que esteve no sítio, mas foi embora: "Fiquei 45 minutos, vi que não era ambiente para mim pois tenho uma esposa e uma filha", disse na época da ocorrência, em julho de 2008, enquanto tinha problemas em casa com sua mulher, que pedia o divórcio. O então vice de futebol, Kléber Leite, afirmou ter se sentido traído pois os jogadores afirmaram que iriam visitar parentes.

Outro episódio envolvendo Bruno foi com a ex-namorada de Adriano, Joana Machado , na favela da Chatuba, no Rio. Ela danificou carros de alguns jogadores que estavam no local, discutiu asperamente com Bruno quando também tentava atingir seu veículo. Com a situação resolvida, o goleiro montou em um cavalo para passear pela favela.

Capitão do time, Bruno convenceu o vice de futebol Marcos Braz a permitir que desse uma entrevista sobre o assunto, na véspera do dia das mulheres. Se o soneto era ruim, a emenda foi desastrosa. O capitão do time tentou sair em defesa do Imperador e afirmou, em entrevista coletiva: "Qual de vocês (jornalista) que é casado que nunca brigou com a mulher? Que não discutiu, que não até saiu na mão com a mulher , né cara? Não tem jeito. Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher, xará. Então eu acho que isso é problema pessoal do cara".

Resultado: presidente do clube, Patrícia Amorim, revoltada, e desculpas públicas no dia seguinte. "Fui muito mal interpretado. O termo que usei talvez não foi o certo. Talvez, se eu usasse outro, seria a palavra correta. Peço desculpas a todos. Hoje é o dia das mulheres. Tenho filha, ela vai crescer e virar mulher um dia. Todas as mulheres do Brasil merecem respeito e carinho", retratou-se o goleiro. Mas Bruno ainda se encontraria envolvido em outras polêmicas, bem como Adriano, que chegou a ser investigado por suposta ligação com traficantes.

O goleiro também mostrou temperamento explosivo em jogo do Flamengo pela Libertadores contra o Universidad Católica, do Chile. No intervalo em Santiago, entrou furioso no vestiário e chegou a empurrar Petkovic , que não teve tempo de revidar. Acusava o sérvio de corpo mole. Pet acabou substituído, mostrando insatisfação ao desembarcar no Rio, e os cariocas foram derrotados por 2 a 0, o que tornou o ambiente ainda mais tenso. Sem aperto de mão, a paz foi selada, segundo o então técnico Andrade, com um "papo de homem".

Reuters
Bruno comemora gol do Flamengo
Em outra partida da mesma Libertadores, já em maio, desta vez derrota para o Universidad do Chile por 3 a 2 no Maracanã, Bruno se desentendeu com a torcida . Já havia mandado beijinhos irônicos após o jogo contra o Caracas e, vaiado, fez sinal para que os torcedores gritasse mais alto. A resposta da arquibancada foi a lembrança de Júlio César, que hoje defende a Internazionale de Milão e começou no Flamengo. O troco de Bruno foi a frase: "Estou me lixando". O goleiro acabou tendo de se explicar para líderes das organizadas do clube na sede da Gávea.

Nos corredores da Gávea, comentava-se que não era raro ver o goleiro na favela da Rocinha, fama que também atingia outros jogadores de peso no grupo. Um desses era Vágner Love. Em março de 2010, o atacante foi gravado na entrada de um baile funk na favela localizada na Zona Sul do Rio com traficantes armados .

Em 2009, antes de Andrade assumir como técnico e conduzir o Flamengo ao título brasileiro após 17 anos, Bruno também se desentendeu o ídolo do clube que, na época, era auxiliar e juiz do rachão disputado na Gávea. O goleiro se irritou com as marcações e Andrade o repreendeu: "Está reclamando de quê? Você não é nada". A resposta foi imediata: "Como jogador você ganhou tudo, mas como técnico não ganhou nada". No jogo seguinte, contra o Duque de Caxias, a torcida gritava o nome de Andrade cada vez que Bruno tocava na bola.

Entre trapalhadas, orgias e confusões, o capitão do hexa acabou preso, acusado do desaparecimento de Eliza Samudio. Pedidos de desculpa deixaram de fazer efeito e, a um passo da seleção brasileira, Bruno viu a sua carreira ir pelo ralo aos 26 anos. Restou constatar: "Se eu tinha esperança de disputar a Copa de 2014, acabou" .

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