Entenda o desaparecimento de Eliza Samudio

Goleiro Bruno é apontado pela polícia como suspeito pelo sumiço de ex-amante

iG Rio de Janeiro |

Sumiço

O goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo, é considerado suspeito pela polícia pelo sumiço de Eliza Samudio, de 25 anos, com quem manteve um relacionamento extraconjugal. A jovem está desaparecida desde 4 de junho, quando deixou um hotel na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, onde estava hospedada, e foi para o sítio do atleta, no município de Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG). Eliza viajou para o local com o filho de quatro meses, que seria fruto da relação com Bruno. O jogador, no entanto, não concordava em assumir a paternidade da criança.

Segundo amigos da jovem, Eliza teria ido ao sítio do atleta rubro-negro para tentar chegar a um acordo sobre a briga na Justiça a respeito do reconhecimento do filho. No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias de que a mulher havia sido espancada e morta no sítio. A informação anônima dizia ainda que o bebê de quatro meses estava na propriedade.

Baseado na denúncia, a polícia foi ao local, mas não encontrou a criança. A mulher de Bruno, Dayanne do Carmo Souza, a princípio tentou negar que o bebê estava no sítio. Um funcionário do imóvel, conhecido como Coxinha, entretanto, acabou confessando ter recebido a criança da mulher de Bruno na margem da rodovia BR-040 (Belo Horizonte-Sete Lagoas) e o repassado a um terceiro. Este deixou o bebê com uma senhora no bairro Liberdade, periferia de Contagem, onde ele foi encontrado no dia 26 de junho. O pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio, conseguiu a guarda do neto e o levou para sua casa, em Foz do Iguaçu (PR). No dia 8 de julho, a mãe de Eliza, Sônia Fátima Moura, conseguiu a guarda do neto na Justiça e levou a criança para Campo Grande (MS).

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Casa do sítio de Bruno em Esmeraldas, Região Metropolitana de Belo Horizonte
Buscas

No dia 27 de junho, a polícia tentou realizar buscas no sítio de Bruno, mas foi impedida. No dia seguinte, a Justiça de Minas Gerais emitiu uma autorização para uma varredura no imóvel do goleiro atrás de pistas sobre o desaparecimento de Eliza. Policiais civis e homens do Corpo de Bombeiros realizaram buscas e escavações na propriedade do jogador por cerca de seis horas. Na ação, foram encontradas fraldas, roupas femininas e uma passagem aérea com nome ilegível.

Ainda no dia 28 de junho, a polícia também realizou uma vistoria na caminhonete Range Rover de Bruno. O carro foi apreendido pela Polícia Militar no dia 8 de junho durante uma blitz no município de Contagem por excesso de velocidade e os documentos vencidos. Na ocasião, o carro era dirigido por Cleiton da Silva Gonçalves.

Na inspeção realizada na caminhonete, a polícia encontrou manchas de sangue no assoalho e no porta-malas. Os resíduos foram enviados para uma análise comparativa com o material genético (DNA) coletado do pai de Eliza. Laudo comprovou que o sangue era dela. Dentro do veículo também foram encontrados um par de óculos da marca Dolce & Gabbana e sandálias, itens reconhecidos por testemunhas como sendo da jovem desaparecida.

A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, anunciou o afastamento de Bruno por tempo indeterminado do restante do elenco rubro-negro. Na sede do clube, ele disse a pessoas próximas que estava com a consciência tranquila. No dia 1º de julho, o atleta quebrou o silêncio e disse a jornalistas no centro de treinamento do Flamengo que estava sofrendo com o desaparecimento de Eliza. No mesmo dia, a Justiça autorizou a quebra do sigilo telefônico da jovem para ajudar nas investigações.

AE
Goleiro Bruno quebra silêncio e fala com jornalistas no Rio
Repercussões

Ainda no dia 1º de julho, a Polícia Civil do Rio divulgou o resultado do exame de urina feito por Eliza Samudio em outubro de 2009. Na época, a jovem registrou queixa por agressão na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) contra Bruno. Ela alegou que teria sido obrigada pelo goleiro a tomar remédios abortivos. O resultado do exame apontou a existência dessas substâncias na urina, mas, segundo peritos, os compostos podem ser resultado de uma combinação de bebidas alcoólicas e fumo. Devido à complexidade do caso, o material foi enviado para uma segunda análise.

No dia 4 de julho, a polícia recebeu uma denúncia de que o corpo de Eliza teria sido abandonado na Lagoa Suja, em Ribeirão das Neves, Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG). A área é conhecida por ser usada por criminosos para abandonar carcaças de carros e motos roubados. As buscas foram realizadas por três dias no lago, mas nada foi encontrado.

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Bombeiros realizam buscas por suposto corpo de Eliza na Lagoa Suja
Reviravolta

Em entrevista à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, no dia 6 de julho, um motorista de ônibus de São Gonçalo, município da Região Metropolitana do Rio, informou que o filho de uma de suas sobrinhas – um adolescente de 17 anos – teria participado do assassinato de Eliza Samudio. O rapaz e Luiz Henrique Ferreira Romão, amigo e funcionário de Bruno conhecido como Macarrão, teriam levado a jovem para o sítio do goleiro do Flamengo.

No trajeto para Minas Gerais, a bordo da caminhonete Range Rover, o adolescente teria dado uma coronhada com uma pistola em Eliza, deixando-a desacordada. Ainda segundo a entrevista com o motorista de ônibus, Bruno teria pago R$ 3 mil a um homem, identificado como Cleiton – o mesmo que foi detido com o automóvel do goleiro do Flamengo na blitz em Contagem – para que entregasse o corpo de Eliza a um homem, que por sua vez sumiria com o cadáver.

Com a denúncia, a polícia foi à casa de Bruno, em um condomínio na zona oeste do Rio e apreendeu o adolescente J., de 17 anos. Em depoimento, o jovem afirmou que Eliza está morta. Ele confirmou todas as informações divulgadas na Rádio Tupi, exceto a referente ao valor dado a Cleiton para que o mesmo entregasse o corpo da mulher desaparecida a um traficante.

iG São Paulo
Viaturas da polícia em fente a casa do goleiro, onde apreenderam adolescente
Prisões

No dia 7 de julho, foram decretadas as prisões de Bruno, Macarrão, Dayanne e mais quatro envolvidos. Pela manhã, a polícia prendeu a mulher do goleiro em Belo Horizonte. No final da tarde, Bruno e Macarrão se apresentaram à carceragem da Polinter, na zona norte do Rio de Janeiro. De lá, eles foram levados para a Divisão de Homicídios da Polícia Civil, onde passaram a noite.

No dia seguinte, os dois foram encaminhados para o presídio de Bangu 2. Com a repercussão negativa do caso, o Flamengo decidiu suspender o contrato de Bruno. No final do dia, Bruno e Macarrão foram transferidos para Minas Gerais.

Ainda no dia 8 de julho, foi decretada a prisão do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, mais conhecido como “Bola”, “Neném” e “Paulista”. Ele foi apontado pelo adolescente de 17 anos, primo de Bruno, como o homem que teria assassinado Eliza Samudio. No mesmo dia, ele se entregou à polícia.

Já em Minas Gerais, Bruno, Macarrão e Bola se negaram na Divisão de Investigações em Belo Horizonte a coletar material para exame de DNA. De lá, eles foram levados para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Na noite do dia 11 de julho, Bruno passou mal no presídio.

Com o objetivo de ajudar nas investigações, o jovem de 17 anos, primo de Bruno, foi encaminhado para Minas Gerais no dia 13 de julho. Um depoimento dado pelo adolescente ao Ministério Público do Rio traz novos elementos ao caso. Segundo o novo relato, Bruno e Dayanne estavam no sítio do jogador em Esmeraldas quando Eliza chegou ao local.

No dia 18 de julho, o programa Fantástico, da Rede Globo, exibe um vídeo gravado no avião que levou o goleiro a Belo Horizonte no qual atribui a Macarrão a culpa pelo desaparecimento de Eliza.

Dois dias depois, Fernanda Gomes Castro, outra amante de Bruno, é convocada a depor. Segundo o adolescente J., em depoimento, ele, Eliza com o bebê e Macarrão teriam passado uma noite em sua casa antes de seguir para Belo Horizonte. Ela também foi a um motel com Bruno onde também estariam Macarrão, Eliza e o bebê.

Dia 29 de julho, polícia conclui inquérito e pede indiciamento de Bruno por homicídio, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores. Também foram indiciados pelos mesmos crimes os demais envolvidos: Luiz Henrique Ferreira Romão (Macarrão), Flávio Caetano de Araújo (Flavinho), Wemerson Marques de Souza (Coxinha), Dayane Rodrigues do Carmo Souza, Elenilson Vitor da Silva, Sérgio Rosa Sales e Fernanda Gomes de Castro. Marcos Aparecido dos Santos (Bola) foi indiciado por homicídio qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver.

No dia 4 de agosto, os nove envolvidos no caso são denunciados pelo Ministério Público que pede ainda a prisão preventiva de todos. No dia 5, a Justiça aceita denúncia por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado na forma qualificada, ocultação de cadáver e corrupção de menor.

O sequestro e cárcere privado se refere ao crime cometido contra Bruninho, filho de Eliza. No entendimento do promotor Gustavo Fantini, responsável pela denúncia aceita pela Justiça, o sequestro e cárcere privado de Eliza acabam suprimidos pelo crime maior, o homicídio.

O ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, vai responder por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Futura Press
Bruno é escoltado por policiais ao chegar à Divisão de Investigações em Belo Horizonte

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