Em 1º depoimento à Justiça, Bruno nega todas as acusações

Goleiro afirmou que Eliza Samudio foi até sítio em Contagem (MG) para pegar R$ 30 mil e que jogadores famosos a viram depois em SP

Lecticia Maggi, enviada a Contagem |

O goleiro Bruno Fernandes de Souza, ex-capitão do Flamengo, acusado de participação no sequestro e morte de Eliza Samudio, sua ex-amante, prestou depoimento por quase 11 horas nesta quinta-feira no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Esta foi a 1ª vez que ele prestou depoimento à Justiça, na audiência que irá decidir se os acusados vão a júri popular. Já foram ouvidos Dayanne Souza, Wemerson Marques, Flávio Caetano Araújo, Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales.

Com uniforme vermelho da Subsecretaria de Administração Penitenciária (SUAPI) de mangas compridas, o atleta chegou ao fórum escoltado por três viaturas, por volta das 8h15, mas começou a ser ouvido apenas por volta das 10h. Ele respondeu a todas as perguntas feitas pela juíza Marixa Fabiane Lopes, pelo promotor de Justiça Gustavo Fantini e pelo seu advogado de defesa, Ércio Quaresma. Os advogados dos outros réus abriram mão do direito de questioná-lo.

Brunou negou todas as acusações, disse que nunca agrediu Eliza, nem a manteve em cárcere privado, nem a matou ou pediu para que matassem. Ele afirmou que foi a ex-amante quem quis acompanhá-lo do Rio de Janeiro ao sítio que possui em Contagem (MG) no dia 4 de junho. Segundo ele, ela lhe pediu R$ 30 mil e foi para Minas buscar com ele porque não acreditava que ele iria depositar em sua conta.

“Quando cheguei ao sítio falei para o caseiro que era para deixar Eliza bem à vontade pois era a mãe do meu filho”, diz ele, que afirma ainda que Eliza tinha livre acesso a todas as dependências do sítio e ficou com celular o tempo todo, podendo ligar para quem quisesse.

No dia 10 de junho, segundo ele, ela telefonou para uma amiga e disse que estava indo para São Paulo. Para ele, teria afirmado apenas que precisava “resolver um problema pessoal” e pediu para que ficasse com Bruninho. “Ela me pediu para cuidar do filho dela por sete dias e aceitei, as más línguas falam que tirei criança da mãe, mas eu aceitei ficar com ela”, afirmou.

Bruno acrescentou que Eliza se despediu normalmente e Macarrão foi levá-la um ponto de taxi. Desde então, não teve mais notícias delas, mas que jogadores famosos disseram que a viram nos dias 11 e 12 em São Paulo. Questionado sobre os nomes dos jogadores, Bruno se recusou a dizer.

O atleta, em diversos momentos, falou de forma carinhosa de Bruninho, a quem disse ter “99,9% de certeza” de que é seu filho. “Tenho paixão enorme pelo bebê. Poucas pessoas sabem , mas meu sonho era ter um menino”.

Bruno negou ter sofrido tortura, mas acusou o delegado Edson Moreira, do Departamento de Investigações, de ter tentado extorqui-lo em R$ 2 milhões. “Quero fazer queixa do Edson Moreira que ele me pediu R$ 2 milhões. Isso é corrupção. Era para me tirar, tirar ele( Bola) e jogar tudo em cima do menor e do Macarrão”.

Questionado pela própria defesa, Bruno disse que recebia R$ 110 mil líquido como salário do Flamengo e estava em negociação com o clube Milan para receber um salário de R$ 400 mil e que, desta forma, não teria qualquer problema em pegar pensão a Eliza. Conforme ele, estava acertado que lhe daria R$ 3,5 mil mensais.

Macarrão, J. e Sérgio

Desde o início do depoimento, Bruno enfatizou , a todo o momento – mesmo sem ser questionado – a amizade e confiança que tinha pelo amigo Macarrão. “Mais do que amigo, é quase um irmão”, diz. Por pelo menos cinco vezes afirmou que “a vida começou a andar” depois que Macarrão apareceu. Segundo ele, “tudo estava dando errado financeiramente” antes de Macarrão administrar suas contas. “A ponto de alguém que ganha mais de R$ 100 mil às vezes não ter dinheiro para por gasolina no carro”.

Ele exalta o amigo e diz que confia “plenamente” nele, que era ele quem acertava os pagamentos com Eliza e também com funcionários do sítio. Macarrão, diz Bruno, tinha, inclusive, sua senha bancária. A amizade, segundo ele, era tão forte a ponto de Bruno ter ciúmes da relação entre ele e Ingrid.

A mesma confiança ele diz não ter pelos primos Sérgio e J. Sérgio por não saber “aproveitar as oportunidades que lhe foram dadas”. “Praticamente cuidei do Sergio, a gente cresceu juntos, quando chegou ao Rio ele se perdeu. Dei carro, dava R$ 1200 por mês, falava que queria que estudasse e ele disse que queria trabalhar”, diz e afirma que Sérgio nunca prestou serviços para ele, mas ainda assim era sustentado por ele.

O depoimento do goleiro só foi interrompido para a pausa de 1h para o almoço. Muitas pessoas na plateia não permaneceram até o final, como a própria mãe de Eliza Samudio, Sônia Fátima de Moura. Ércio Quaresma dormiu boa parte do tempo e chegou a roncar em plenário e foi advertido pela juíza. Outros advogados também esboçaram reações de cansaço ao longo do dia.

    Leia tudo sobre: caso bruno

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG