Desembargadores libertam primo do goleiro Bruno

Sérgio Rosa Sales é acusado de homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Os desembargadores da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais concederam, por três votos a zero, liberdade a Sergio Rosa Sales, primo do ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes de Souza . Ele é acusado de envolvido no desaparecimento da ex-amante de Bruno, Eliza Samudio. Sales está detido na penitenciária Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, na Grande Belo Horizonte.

Leia também: Advogado diz que sobrevivência de filho prova inocência de Bruno

Sales será solto amanhã, às 12h, mas deverá se apresentar à Justiça sempre que solicitado, só pode sair de Belo Horizonte com autorização judicial e deve ficar em recolhimento domiciliar: não pode sair à noite nem aos finais de semana. Ele estava preso há um ano e um mês e é acusado de homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver. Bruno, Luiz Henrique Romão, o Macarrão (braço direito do atleta), e Marcos Aparecido dos Santos, o Bola (ex-policial apontado como o assassino) continuam presos. As outras pessoas acusadas de participar o crime aguardam julgamento em liberdade.

“Ele não demonstra capacidade de coagir testemunhas e não tem capacidade financeira para isso. Revogo a prisão preventiva e determino medidas cautelares”, disse o relador, o desembargador Doorgal Andrada.  “Rendo-me aos argumentos do relator. Acusado primário, ele não tem poder aquisitivo para influenciar testemunhas ou perturbar o processo. E também contribuiu para apuração dos fatos”, completou o desembargador Delmival de Almeida Campos.

AE
Sérgio Rosa Sales é interrogado no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, em novembro de 2010

A audiência

Nesta quarta, o tribunal  julgou os recursos da defesa de todos os acusados no caso. Os advogados queriam anular o processo , mas os desembargadores negaram todos os recursos. Com isso, fica mantido o juri popular para os oito envolvidos no caso. O juri popular foi decidido pela juíza Marixa Rodrigues , de Contagem, na Grande Belo Horizonte. Os desembargadores também negaram o recurso do Ministério Público pela acusação de todos os réus no crime de homicídio e ocultação de cadáver. As medida foram aprovada por três votos a zero.

 O recurso que pedia anulação era dos advogados de defesa dos réus Bruno, Luiz Henrique Romão, o Macarrão (braço direito do atleta), Sérgio Rosa Sales (primo do ex-goleiro), Marcos Aparecido dos Santos, o Bola (ex-policial apontado como o assassino), Dayanne Rodrigues do Carmo Souza (ex-mulher de Bruno), Wemerson Marques de Souza (amigo de Bruno), Elenilson Vitor da Silva (caseiro do sítio do goleiro Bruno) e Fernanda Gomes de Castro (ex-namorada de Bruno). O Ministério Público pedia a inclusão, nos crimes de homicídio e ocultação de cadáver, de Dayanne, Wemerson, Elenilson e Fernanda.

“Argumentos requentados”

Na tentativa de anular o processo, os defensores apresentaram diversas contestações, chamados no jargão jurídico de preliminares. Ao todo, os três desembargadores que votaram foram contrários aos argumentos dos advogados, que incluíram dificuldade de acesso aos autos e fragilidade de provas, como a ilegalidade de interceptações telefônicas.

O desembargador Herbert Carneiro afirmou que os argumentos das preliminares (pedidos de revisão no caso por defensores dos réus, com objetivo de anular o processo) eram embasadas em “argumentos requentados”. “Na tribuna, nada foi trazido de novo nos autos, nesta data. Todas as preliminares são argumentos requentados, tomados ainda de mais emoção”, destacou. Por sua vez, o desembargador Delmival afirmou que os argumentos dos advogados “são todos desprezados por ele”.

Os advogados

A defesa dos acusados tentou desqualificar o processo sob argumentos de que não existem provas do crime. O advogado de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, braço direito do ex-goleiro do Flamengo, classificou as provas como “frágeis, rasas e mesquinhas”. “Nunca vi depoimento ser encaminhado para a pericia pedindo parecer técnico para apurar a morte de uma vitima que não existe, de um corpo que não existe”, afirmou Wasley César Vasconcelos.

O defensor de Marcos Antonio Aparecido, o Bola, acusado de matar Eliza, Manuel Zanone Júnior, disse querer enfrentar o juri popular. “Prova técnica? Nós não temos nada. Varreram a casa do meu cliente, usaram o que há de melhor. Não acharam nada, um resquício de hemácia de Eliza Samudio”. 

O advogado de Bruno, Cláudio Dalledone, afirmou que a sobrevivência do filho de Bruno com Eliza atesta a inocência do seu cliente: “ Se ele tivesse que acabar com Eliza, teria acabado com o filho ".

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