Decisão de júri para caso Bruno deve ocorrer até 6 de dezembro

Segundo juíza, réus devem ser pronunciados até a data. Durante esse período, MP e defesa devem se manifestar sobre o julgamento

Camila Dias, de Contagem |

A juíza Marixa Lopes afirmou nesta sexta-feira, ao final da semana de depoimentos no Fórum de Contagem (MG) sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, que a decisão sobre júri popular para o caso deve ocorrer até o dia 6 de dezembro.

Segundo a juíza, se tudo transcorrer normalmente, os réus devem ser pronunciados até a data. Durante esse período, o Ministério Público e a defesa devem apresentar as declarações finais.

A última pessoa a depor nesta semana de audiências foi Fernanda Gomes de Castro, 33, ex-namorado do goleiro Bruno Fernandes. Ela mudou a versão prestada anteriormente e disse que conheceu Eliza. Depois de quase quatro horas de depoimento, Fernanda terminou sua declaração por volta das 18h30.

Perguntada se queria mudar algo do que estava escrito, Fernanda apenas respondeu que queria pedir perdão à Justiça mineira. "Eu quero pedir perdão à senhora, ao senhor promotor e à Justiça Mineira, porque em um primeiro momento de desespero meu, eu omiti e menti sobre a verdade quando disse que nunca tinha visto Eliza Samudio", relatou chorando.

Além de Fernanda, os amigos do goleiro Bruno Wemerson Marques de Souza, conhecido como “Coxinha”, e Flávio Caetano de Araújo, mudaram versão apresentada à Polícia Civil e disseram que viram Eliza em sítio do goleiro.

O promotor Gustavo Fantini também viu contradição no depoimento de Bruno, o primeiro à Justiça.

A advogada de Fernanda, Carla Silene Gomes, informou que aguarda a decisão do Superior Tribunal de Justiça, que vai julgar um habeas corpus impetrado antes dos interrogatórios.
A defensora disse que nesta sexta-feira Fernanda falou a verdade. “Num primeiro momento ela mentiu porque estava com medo e por causa do sofrimento que os filhos e a mãe dela estavam passando”. A advogada ainda explicou que espera que Fernanda seja colocada em liberdade. “Diante de tudo que vocês ouviram vocês acham que seria justo Fernanda ser levada a júri popular? Eu acredito que não”, concluiu.

Último dia

Nesta sexta-feira, além de Fernanda, Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, prestou depoimento. 

Bola se recusou a responder perguntas da magistrada, do Ministério Público, dos assistentes da acusação e dos outros advogados. Ele chorava o tempo todo e fez várias acusações ao delegado Edson Moreira. Segundo ele, o delegado ameaçou sua família de morte e fez tortura psicológica quando perguntou se ele já imaginou a filha retalhada como Eliza Samudio. O ex-policial civil negou qualquer envolvimento no crime e disse que não conhecia Macarrão e Bruno antes dos fatos.

Após o interrogatório de Bola, a juíza ordenou que chamassem Luis Henrique Ferreira Romão, o Macarrão para depor. Mas o acusado não chegou ao fórum e a magistrada mudou a decisão após protestos da defesa. De acordo com o advogado Cláudio Dalledone, que defende Macarrão, a defesa não está tendo o direito de trabalhar como manda a lei. “Eu estou apavorado. Marixa é uma boa juíza, mas ela está pressionada. No tocante a Luis Henrique Romão, ela está andando mal. Isso vai fazer com que o processo seja anulado”, disse.

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