¿Bruno tentou se matar várias vezes¿, diz Macarrão

Ex-goleiro do Flamengo desmaiou durante audiência no Rio

Bruna Fantti, especial para o iG |

Interrogado pelo juiz durante a audiência que apura as acusações de sequestro e lesão corporal contra a ex-modelo Eliza Samudio, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, disse que não iria falar nada sobre o caso e limitou-se a reclamar. “Estou há 70 dias preso. Não aguento mais essa situação. Além disso, o Bruno tentou se matar várias vezes”.

No interrogatório, o ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes declarou que se reservaria no direito de permanecer calado. Os dois deixaram a 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, por volta das 16h30, escoltados por uma viatura da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil do Rio.

A defesa e a promotoria do Ministério Público terão cinco dias úteis cada para apresentar alegações finais. A decisão do júri irá sair em 30 dias e poderá ser comunicada ao ex-goleiro do Flamengo por carta.

A audiência não tem relação com o processo que apura o desaparecimento de Eliza em Belo Horizonte em junho deste ano. Esta foi a segunda sessão referente ao processo originado com queixa prestada pela jovem em junho de 2009 na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam).

Bruno e Macarrão devem retornar para Belo Horizonte, mas a data não foi divulgada. De acordo com o advogado Ércio Quaresma, responsável pela defesa deles, as audiências sobre o caso que apura o desaparecimento de Eliza Samudio devem começar na próxima semana.

Nota da Seap

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) do Rio de Janeiro afirmou que Bruno jamais tentou suicídio enquanto esteve sob custódia do Estado. O atleta e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, ficaram no Complexo Penitenciário de Bangu quando foram presos e acabaram sendo levados para o mesmo local durante o período de audiências do processo pelo sequestro de Eliza.

Em nota, a Seap afirma também que Bruno passou por uma avaliação psiquiátrica e que foi diagnosticado um quadro de depressão - o que teria motivado uma determinação para que o atleta dividisse uma cela com o amigo. "Esse procedimento foi adotado uma vez que seria impossível que o interno em questão dividisse a cela com outros presos da unidade", informa o texto.

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Repórteres e curiosos fizeram plantão na porta da 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá
Depoimentos

Sete testemunhas de defesa convocadas pela defesa de Bruno e Macarrão prestaram depoimento nesta sexta-feira (17). Os réus não acompanharam os três primeiros relatos: da presidente do Flamengo, Patrícia Amorim; do diretor-executivo do clube, Zico; e do jogador Leonardo Moura.

Ao ser informado que ex-colegas do Flamengo estavam no tribunal, Bruno passou mal e desmaiou. Ele foi atendido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Macarrão pediu para acompanhá-lo. Segundo o advogado Ércio Quaresma, o goleiro sofreu uma queda de glicose por não ter feito nenhuma refeição. Anteriormente, havia sido divulgado que Bruno teria sofrido uma queda de pressão.

Em seu depoimento, Patrícia Amorim afirmou que o contrato com o atleta está suspenso. Ela ressaltou que, mesmo após a conclusão dos processos judiciais, Bruno não voltará a jogar no Flamengo. A dirigente disse que confiava muito no goleiro a ponto dele ser o porta-voz entre ela e o elenco rubro-negro, no cargo de capitão.

O depoimento de Zico durou cerca de dez minutos. O promotor do Ministério Público Eduardo Paes, responsável pelo caso, ao invés de fazer uma pergunta, pediu um autógrafo – concedido pelo diretor-executivo do Flamengo. Zico afirmou no tribunal que só soube do caso envolvendo Bruno e Eliza Samudio através da imprensa e surpreendeu.

O jogador Leonardo Moura negou que tinha contato pessoal com o ex-goleiro do Flamengo. O lateral direito afirmou que sua ligação com o réu era estritamente profissional. Ele, no entanto, disse que tinha conhecimento das saídas constantes de Bruno com Paulo Victor, Adriano e Vagner Love. O zagueiro do Vasco Christian Chagas Tarouco, o Tite, foi o único que cumprimentou o goleiro, fazendo um sinal com o dedo polegar. Bruno sorriu e retribuiu o gesto.

O depoimento de Paulo Victor Mileo Vidotti – goleiro reserva do Flamengo – foi o que mais fez referências à Eliza. Ele disse que a jovem frequentemente participava de orgias na sua casa e que ela conheceu Bruno em uma dessas festas. Na noite em questão, Paulo relatou que chegou a sua casa e viu pessoas nuas andando pela residência, entre elas estavam Eliza e Bruno, que namoravam. O goleiro fez questão de frisar que não participou da orgia.

O zagueiro Álvaro Luiz Maior de Aquino afirmou que não conheceu Eliza pessoalmente, mas disse que ela era conhecida em todos os clubes brasileiros e internacionais por gostar de se relacionar com jogadores de futebol.

A mãe de Eliza, Sônia Moura, chorou muito ao ver Bruno e Macarrão e decidiu não acompanhar a audiência. Na saída 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá, ela disse à imprensa que quer justiça para o neto, Bruninho, supostamente fruto do relacionamento extraconjugal entre Eliza e Bruno.

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Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio (com bolsa branca), também compareceu à audiência

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