Bruno será julgado em, no mínimo, quatro anos, diz seu advogado

Um ano após o desaparecimento de Eliza, defensores dos envolvidos querem levar caso para o Supremo e até mesmo anular o processo

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O julgamento do goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, de 26 anos, por suposto envolvimento no desaparecimento da ex-amante Eliza Samudio, deve demorar quatro anos. Hoje, Bruno está preso em Contagem e leva vida de celebridade no presídio.

A avaliação é do advogado Frederico Franco Orzil, que consta como advogado de cinco dos envolvidos no caso: Bruno; o amigo dele, Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão; a esposa de Bruno, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza; o amigo de Bruno, Wemerson Marques de Souza ; além do caseiro do sítio de Bruno, Elenilson Vitor da Silva. Inquérito da polícia concluiu que Eliza foi sequestrada e morta. Seu corpo, segundo o inquérito, foi escondido e até hoje não foi localizado.

“O processo está no Tribunal de Justiça, e cabe recurso. Acredito que em setembro teremos o julgamento de recurso. Depois, pode ter mais recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF). Então calculo o mínimo de quatro anos para o julgamento. O julgamento deve acontecer em cinco ou seis anos, se ninguém desistir de recursos. Acompanho vários casos, mas dou atenção especial ao caso do Elenilson. É uma loucura manter estas pessoas presas”, explicou o advogado, citando o caso de Pimenta Neves, que aguardou em liberdade por uma década o esgotamento de todos os recursos por matar a ex-namorada Sandra Gomide.

Os envolvidos no desaparecimento de Eliza Samudio se dividem em dois grupos: os que estão presos e os que respondem ao processo em liberdade. Entre os crimes apontados pela polícia estão homicídio, sequestro e ocultação de cadáver. Estão presos Bruno, Macarrão, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, e o primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales.

Se Eliza estiver morta, não necessariamente foram eles. Ela (Eliza) se envolvia com todo tipo de pessoa. Talvez uma pessoa inteligente e fria tenha usado o envolvimento dela com o Bruno”

No grupo de pessoas em liberdade estão Dayanne, Fernanda Gomes de Castro (ex-namorada de Bruno), Elenilson (caseiro) e Wemerson (amigo de Bruno). O adolescente J., que revelou o suposto assassinato e que teria agredido Eliza, cumpre medida socioeducativa em instituição para menores.

As linhas da defesa

Advogados que acompanham vários réus, como Orzil, dizem que existe uma linha de defesa semelhante para um grupo de envolvidos: não foram eles e não há provas de que Eliza está morta. A defesa da ex-namorada de Bruno, Fernanda, também é sintonizada com o grupo que defende Bruno, conta a advogada Carla Silene Cardoso. “Estamos serenos. Por ora, todos os acusados estão juntos”, avalia a advogada.

Um dos advogados de Macarrão, Wasley César Vasconcelos, acredita que o período mínimo para julgamento do caso Eliza é de dois anos. “Se Eliza estiver morta, não necessariamente foram eles. Ela (Eliza) se envolvia com todo tipo de pessoa. Talvez uma pessoa inteligente e fria tenha usado o envolvimento dela com o Bruno”, diz Vasconcelos, ressaltando que nem todos advogados de envolvidos no caso estão em sintonia.

Defesas mais pessoais podem ser percebidas nos casos do primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales, e do ex-policial Marcos Aparecido de Oliveira, o Bola, apontado pela polícia de ser o executor de Eliza. O advogado do primo de Bruno, Marco Antonio Siqueira, diz que seu cliente trabalha e estuda na Dutra Ladeira, penitenciária em Ribeirão das Neves, na Grande Belo Horizonte. “Eu quero jogá-lo no grupo de baixo, dos que estão soltos. Ele foi envolvido no caso pelo menor, J., que depois mudou seu depoimento”, alega Oliveira.

O advogado também acredita na possibilidade de o processo ser anulado e, com isso, os envolvidos presos serem soltos. Caso o isso aconteça, o julgamento deve demorar ainda mais. O argumento para anular o processo é de que a juíza que levou os réus a juri popular, Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, passou a ser vítima no processo, e não teria condições de conduzir o caso. A magistrada estaria sendo ameaçada de morte por Bola. A defesa do ex-policial nega.

Zanone Manuel de Oliveira, a advogado de Bola, acredita que se o processo for anulados, os envolvidos presos serão soltos. No caso de soltura dos envolvidos, é unanimidade entre advogados do caso de que o processo pode demorar mais ainda. Quando réus estão presos, a tendência é de um julgamento mais rápido.

Entenda o processo judicial

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que até o dia 23 de maio de 2011 havia 58 pedidos de habeas corpus para os envolvidos no desaparecimento de Eliza Samudio. O primeiro pedido de habeas corpus foi para Bruno Fernandes das Dores de Souza, no dia 15 de julho de 2010. O pedido foi feito pelos advogados Ércio Quaresma Firpe, afastado do caso por dependência de drogas.

A juíza do caso, Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, determinou, em 17 de dezembro do ano passado, que os réus sejam levados a juri popular pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver. De acordo com o tribunal mineiro, houve até agora 16 audiências sobre o caso em Belo Horizonte e cidades da região metropolitana da capital: Contagem, Ribeirão das Neves e Vespasiano. Em todas estas cidades há indícios da prática de crimes envolvendo Eliza e seu filho, Bruninho.

O processo está agora em fase de recurso de sentido estrito, que é uma tentativa de impugnação contra decisão de primeiro grau, ou seja, o despacho da juíza Marixa levando os réus a juri popular por diversos crimes. No dia 12 de maio de 2011, todas as partes envolvidas no processo entraram com recurso contra a sentença da juíza Marixa e o tribunal não tem previsão de quando os recursos serão apreciados. O julgamento dos réus apenas será marcado após a apreciação de recursos.

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