Bruno planejou tudo, diz delegado

Em entrevista, delegado explicou por que acredita na morte da ex-amante de Bruno

Alessandra Mendes, especial para o iG |

O chefe do Departamento de Investigações, Edson Moreira, afirmou durante entrevista coletiva nesta sexta-feira que Bruno é autor material e intelectual do sequestro e assassinato da ex-amante, Eliza Samudio. De acordo com o delegado, Bruno sabia de tudo, planejou o crime, participou do sequestro e cárcere privado, mas não teria estado presente no local do homicídio. 

"Segundo depoimentos de testemunhas, Bruno aguardou no sítio, não foi até a casa do Bola, em Vespasiano. Pelo menos todos tiram ele de lá, formam uma barreira de proteção em volta do jogador. Sabem que se ele sair dessa vai ajudar a todos. Mas ele é autor do plano, sequestro, sabia de tudo que estava acontecendo", esclareceu o delegado.

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O delegado Edson Moreira, chefe do DIHPP, durante coletiva em Minas Gerais
Segundo a polícia, Bruno fez contatos com Eliza na intenção de seduzi-la. O goleiro teria, inclusive, usado nomes falsos para conversar com Eliza por computador. "Temos todas as conversas que foram recuperadas do computador de Eliza. Sabemos que algumas pessoas que ela conversava eram codinomes falsos criados por Bruno. Tudo isso está nos autos, provando a premeditação", afirmou Edson Moreira. "O jogador esperou o intervalo da Copa para começar a executar seu plano macabro". 

Ainda segundo o delegado, nos depoimentos também há elementos que provam que Bruno estava ciente de tudo. "Quando a Dayanne chegou ao sítio, eles tiveram um atrito e o Bruno chegou a levá-la até o quarto onde Eliza estava e dizer que se ela queria ver estava ali. Bruno também teria dito que ia resolver aquele problema", explicou Moreira. 

Bruno foi indiciado por homicídio, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores. Se for condenado, o goleiro pode pegar de 19 a 54 anos de prisão. Responderão pelos mesmos crimes Luiz Henrique Ferreira Romão (o Macarrão), Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, Dayane Souza, Elenilson Vitor da Silva, Sérgio Rosa Sales (primo do atleta) e Fernanda Gomes de Castro (amante do goleiro).

Participação de Fernanda

Os investigadores afirmaram que Fernada Castro, amante do goleiro, teve contato direto com Eliza Samudio. Ela teria recebido Eliza no apartamento de Bruno, na zona oeste do Rio de Janeiro, logo após ter ocorrido o sequestro no dia 04 de junho, escondendo o rosto com uma camisa branca.

Essa informação, segundo a polícia, foi passada em depoimento. No entanto, durante a coletiva, os policiais não informaram quem fez essa afirmação.

Agência Estado
Goleiro Bruno após mudança de visual. Goleiro pode ser indiciado por seis crimes.

A amante do goleiro teria, inclusive, escondido o rosto com camisas quando ficou no motel em Contagem, local onde Macarrão, Bruno, Eliza e seu filho, o menor, além de Fernanda pararam para dormir a caminho do sítio do jogador.

A polícia também disse que Sérgio Sales, primo do jogador, esteve no motel. Ele teria ido ao local a pedido de Bruno para levar Fernanda em um passeio de carro para mostrar a cidade à amante. Depois do passeio ele teria dormido no mesmo motel.

DNA coletado a partir de copo plástico

Ainda durante a coletiva, Moreira disse que coletou o material para exame de DNA do menor J., primo de Bruno, a partir de um copo descartável que ele usou na delegacia.

O adolescente se recusou a ceder sangue ou cabelo para o exame, para não gerar provas contra ele mesmo. De acordo com Moreira "o procedimento é legal, já que ele bebeu um copo dentro da delegacia que pertencia à polícia", disse.

A partir do exame de saliva os peritos constataram que o sangue da segunda pessoa que estava no carro do jogador Bruno era realmente do adolescente - o que corrobora o relato do menor no seu depoimento, no qual afirmou que teria lutado com Eliza dentro do carro de Bruno para sequestrá-la. O outro sangue era de Eliza Samudio.

Data da morte de Eliza Samudio

O delegado Edson Moreira mudou a data do assassinato no inquérito. Ele alterou a data para o dia 10 de junho, baseado no cruzamento das ligações dos celulares dos acusados e de testemunhas que dizem terem visto Eliza no viva no dia 09 - data que inicialmente a polícia acreditava ter ocorrido o crime.

Moreira afirmou que acredita que a morte de Eliza tenha ocorrido por provas como: o abandono do filho de Eliza em Minas Gerais pela mulher do goleiro; a contratação de um ex-policial com táticas de guerrilha apontado pelo menor por matar Eliza; fralda do bebê encontrada no motel; fotos do filho de Eliza queimadas perto do sítio de Bruno; além do sangue do menor encontrado no carro que pertence ao goleiro.

Buscas por corpo

Passados quase dois meses da data em que, segundo a polícia, Eliza teria sido assassinada, os investigadores ainda tentam encontrar os restos mortais de Eliza. De acordo com o delegado Edson Moreira, foi aberta uma investigação complementar para tentar localizar o corpo. 

"Nós já temos os elementos que provam o crime através da materialidade indireta: o sangue de Eliza encontrado na Range Rover de Bruno, o abandono do filho de Eliza e a contratação do ex-policial civil para a execução da ex-amante do goleiro. A probabilidade de encontrar o corpo é pequena, mas não podemos descartar nenhuma possibilidade", afirmou Moreira. 

A polícia mineira, notificada pela polícia paulista sobre uma perna de mulher encontrada no Rio Tietê, em Borucatu, no interior de São Paulo, solicitou o exame de DNA para comparação com material genético de Eliza Samudio. A perna esquerda, que estava com os dedos pintados com esmalte rosa, foi encontrada boiando no dia 3 de julho. 

Com relação a essa outra possibilidade o delegado Edson Moreira se mostrou pouco esperançoso. "É como aconteceu no caso da ossada encontrada em Cachoeira Paulista, as chances são muito pequenas, mas não podemos deixar de tentar. Temos como provar que todos participaram do crime, mas não vamos deixar de procurar o corpo".

Versão do menor

Edson Moreira disse que o fato de o adolescente J., primo de Bruno, ter mudado a versão que deu para o crime não muda nada. "Ele pode ter mudado a versão inicial, mas é o único que esteve do início ao fim do crime. E nós temos laudos que provam o que foi dito pelo menor em seu primeiro depoimento", afirmou Moreira. 

O delegado esclareceu que o adolescente deu detalhes do crime que batem com as provas pericias coletadas no laudo do GPS do carro de Bruno e no rastreamento dos telefones dos suspeitos. "Todo o depoimento do adolescente está calçado com provas periciais. Mudar a versão não altera isso", lembrou o delegado. 

Como exemplo, Moreira cirtou o fato de o menor ter descrito uma característica de Bola. De acordo com o adolescente, Bola tinha uma falha na arcada detária superior. "A defesa tentou desqualificar isso, dizendo que Bola tinha quebrado o dente no transporte da penitenciária. Mas foi feito exame de corpo de delito que não encontrou nada. Ele já tinha a falha e o menor disse isso no primeiro depoimento", esclareceu Moreira. 

"Além disso, tem o relato do menor sobre o homicídio que ele presenciou. Um leigo jamais saberia descrever com tanta precisão uma morte por afixia. O que ele contou primeiro sobre o crime é verdade e provamos isso no inquérito. E tudo ainda está corroborado com o depoimento do Sérgio (primo do goleiro e tambpem primo do adolescente)", concluiu o delegado.

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