Bruno: de campeão brasileiro a presidiário em sete meses

Conheça a trajetória do menino pobre que saiu da periferia de Belo Horizonte para brilhar no Flamengo

iG Rio de Janeiro |

No início de dezembro de 2009, Bruno Fernandes das Dores de Souza se consagrava como capitão do time campeão brasileiro do Flamengo. Sete meses depois, no começo de julho de 2010, um vídeo gravado na sede da Polinter, no Rio de Janeiro, onde o goleiro estava detido no dia 8, vazou na mídia. O atleta expressava o sentimento de, no seu auge, ver os sonhos ruírem à sua frente: "Se eu tinha esperança de disputar a Copa de 2014, acabou", desabafou Bruno , na ocasião, ao melhor amigo e também encarcerado Luiz Henrique Romão, o Macarrão .

Reuters
Em dezembro de 2009, Bruno, capitão do Flamengo, ergueu a taça de campeão brasileiro
O interesse do Milan virou pó, o Flamengo suspendeu os pagamentos, os pedidos da arquibancada para que tivesse uma chance na seleção brasileira cessaram. Em sete meses, o esforço de anos em busca do sucesso no futebol foi pelo ralo. Atualmente, Bruno atravessa dificuldades financeiras. Os cerca de R$ 200 mil que recebia mensalmente do clube da Gávea não caem mais na conta, mas as contas não param de chegar. Caso seja inocentado e possa voltar a trabalhar, o contrato com o Flamengo voltará a valer. Mas o desfecho provável, pelo que se ouve dos poucos na diretoria que se atrevem a comentar, mesmo no anonimato, um dos casos mais graves da história do clube, é a negociação de uma rescisão.

Bruno é hoje presidiário do Nova Hungria , em Contagem, Minas Gerais. Nasceu na periferia de Belo Horizonte. Passou dificuldades e sempre contou com a ajuda de Macarrão. O drama começou cedo. Seus pais, Maurílio Fernandes das Dores de Souza e Sandra Cássia de Oliveira Santos, se mudaram para o Piauí quanto o goleiro tinha dois anos. Levaram o irmão Rodrigo, mas a avó, dona Estela (Estela Santana Trigueiro de Souza), que o criou, não deixou que o casal levasse Bruno. Dois anos mais tarde, os pais do jogador se separaram. A mãe foi para o sul da Bahia, enquanto o pai deixou Rodrigo para ser cuidado por outra família. Bruno só viria a reencontrar Sandra em 2006, quando estava no Corinthians, em um programa de televisão, mas jamais deixou de se referir à dona Estela como mãe.

Superada a infância pobre, Bruno se aproximou do seu sonho e chegou a treinar no Cruzeiro, mas foi dispensado. Começou então sua carreira profissional no Atlético Mineiro. Fez a sua estreia no Campeonato Brasileiro de 2005 graças à suspensão do titular Danrlei e da convocação do reserva, Diego, para a seleção brasileira Sub-20. Ganhou a posição e chamou a atenção da então parceira corintiana, a Media Sports Investment (MSI), que compraria os seus direitos econômicos.

No Corinthians, treinou por três meses, mas não chegou a atuar. De lá, foi para a Gávea, onde trilharia um caminho de polêmicas e sucesso até se envolver com Eliza Samudio , desaparecida desde o dia 4 de junho de 2010. Concorrendo no Flamengo com o limitado Diego, rapidamente se firmou. No início de 2007, ficou marcado pela decisão do Campeonato Carioca, contra o Botafogo. Na disputa por pênaltis, defendeu dois e caiu nas graças da torcida.

Gazeta Press
Bruno brinca com Vágner Love durante treinamento do Flamengo em janeiro de 2010
Com os problemas no Corinthians e a valorização de Bruno, a MSI passou a tentar negociar o goleiro com o futebol europeu e ele chegou a ser barrado do time titular até que a situação fosse definida. Acabou ficando no Flamengo que, em 2008, compraria os seus direitos econômicos da MSI. Titular absoluto, ganhou projeção no clube com mais um título estadual e também por outra habilidade à qual passou a se dedicar, as cobranças de falta. Marcou o primeiro gol desta forma na Libertadores de 2008. Em partida no Maracanã, contra o Coronel Bolognesi, do Peru, Bruno abriu o placar aos 37 minutos do segundo tempo.

O auge foi em 2009, com o título do Campeonato Brasileiro. Porém, apesar das promessas de ficar longe das polêmicas na pré-temporada em 2010, Bruno novamente se viu em um turbilhão que culminou com a sua prisão em julho daquele ano. No intervalo de um jogo pela Liberdadores, derrota para o Universidad Católica, do Chile, Bruno chegou a empurrar Petkovic no vestiário ao cobrar maior empenho do meia.

Ele esteve presente também no episódio na favela da Chatuba, no Rio, onde houve uma intensa discussão entre o atacante Adriano e sua namorada na época, Joana Machado, que chegou a danificar carros de outros jogadores presentes. Essas e outras confusões precederam o desaparecimento de Eliza Samudio , no momento em que o período de negociações mais intenso do ano com clubes europeus se iniciava e a assinatura com o Milan, da Itália, parecia questão de tempo. Tempo que, agora, Bruno tenta fazer passar em Contagem.

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